A Santidade Sacerdotal

 

 

Dias atrás encerramos o Ano Sacerdotal, que foi marcado por muitas celebrações, missas, adorações, palestras, conferências, seminários, peregrinações, horas santas. O Papa Bento XVI foi muito feliz e inspirado ao dedicar o tema do sacerdócio neste último ano, por ocasião dos 150 anos de falecimento de São João Maria Vianney. Tudo o que foi celebrado e meditado levou os Sacerdotes a refletirem ainda mais sobre a beleza do que é ser consagrado e o valor da sua missão. O Padre possui uma grande missão em meio aos desafios dos tempos atuais: “Ser outro Cristo”. Foi também uma ótima ocasião para o nosso povo valorizar ainda mais o presbítero e rezar pelo clero e pelas vocações de especial consagração.

Assim como todo cristão é chamado a ser “outro Cristo”, muito mais ainda o Sacerdote! Essa intuição não é apenas uma metáfora, mas uma maravilhosa, surpreendente e consoladora realidade. Pelo Sacramento da Ordem, o Sacerdote age in persona Christi emprestando a Jesus Nosso Senhor a voz, as mãos e todo o seu ser, pois é Jesus quem na Santa Missa, com as palavras da consagração, muda a substância do pão e do vinho na do seu Corpo e do seu Sangue. É também o próprio Jesus quem, no Sacramento da Reconciliação, pronuncia a palavra autorizada e paterna: “Os teus pecados te são perdoados” (Mt 9, 2; Lc 5,20; 7,48; Jo 20,23). É Cristo quem fala quando o Sacerdote, exercendo seu ministério em nome e no espírito da Igreja, anuncia a palavra de Deus. É também o próprio Cristo quem tem cuidado com os enfermos, com as crianças e com os pecadores quando os envolve com o amor e a solicitude pastoral dos ministros sagrados.

O Sacerdote atua “na pessoa de Cristo”! Esta identificação irrepetível entre Cristo e o sacerdote, delimitando a sua identidade, fica claramente desenhada na “Pastores dabo vobis” – “o Senhor estabelece uma estreita conexão entre o ministério confiado aos Apóstolos e a sua própria missão – ‘quem vos acolhe, acolhe-me a mim, e quem me acolhe, acolhe aquele que me enviou’ (Mt 10, 40)”(cf. PDV 14). Os sacerdotes são chamados a prolongar a presença de Cristo, o único e Sumo Pastor.

O Padre é chamado a assumir sua identidade de tal maneira que, além da missão e do serviço, sua vida seja também o sinal de quem se consagrou a Deus com todo o seu ser, ou seja, o esforço da sua luta consiste em ir conseguindo, pouco a pouco, fazer transparecer o rosto de Jesus no seu semblante. A vida espiritual do Padre também deve estar dirigida, toda ela, para conseguir na tela de sua existência o perfil extraordinariamente atrativo do Bom Pastor. Essa tomada de consciência e a caminhada de aprofundamento para se configurar ao Cristo Pastor trarão um júbilo inigualável, do qual emanam os dons da paz e da alegria.

Outro dado completamente associado a esta configuração a Cristo é a santidade. A santidade é o resultado do crescimento pleno da graça batismal. A santidade é a consequência ordinária do amadurecimento da vida espiritual com as consequências existenciais na vida da pessoa. A exortação apostólica Pastores dabo vobis nos fala que essa vocação universal para a santidade “encontra particular aplicação no caso dos presbíteros – estes são chamados não só enquanto batizados, mas também e especialmente enquanto presbíteros, ou seja, por um título novo e de modo original, derivado do Sacramento da Ordem” (Pastores dabo vobis,19). Para o Sacerdote, “uma vocação específica à santidade, mais precisamente uma vocação que se fundamenta no Sacramento da Ordem. Temos alguns elementos que definem o conteúdo da especificidade da vida espiritual dos presbíteros: a sua consagração, que os configura a Jesus Cristo, cabeça e pastor da Igreja; a sua missão, típica dos presbíteros, que os compromete a serem “instrumentos vivos de Cristo, eterno Sacerdote” e a agirem “em nome e na pessoa do próprio Cristo”; enfim, a sua vida inteira vocacionada para testemunhar de modo original a radicalidade evangélica. Portanto, o padre está chamado de uma maneira especial à santidade pessoal para contribuir com o incremento da santidade da comunidade eclesial que lhe foi confiada. O Capítulo V da constituição conciliar Lumen Gentium nos fala sobre esta responsabilidade de levar a cabo a vocação universal à santidade.

+ Orani João Tempesta, O. Cist.
Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ

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TU ÉS PEDRO !

 

 

 

<<< E eu te declaro: tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja; as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Eu te darei as chaves do Reino dos Céus:  tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nod céus >>>

São Mateus Cap. 16, de 18 a 19 

 

“O sacerdócio não pode jamais representar um caminho para obter segurança na vida ou conquistar uma posição social”

O sacerdócio não pode jamais representar um caminho para obter segurança na vida ou conquistar uma posição social. Quem aspira o sacerdócio para aumentar seu prestígio pessoal e seu próprio poder interpreta equivocadamente o sentido deste ministério. Quem quer, sobretudo, alcançar uma própria ambição, alcançar o próprio sucesso, será sempre escravo de si mesmo e da opinião pública. Para ser considerado deverá adular; deverá dizer aquilo que as pessoas gostam; deverá se ajustar às novas modas e opiniões e, assim, privar-se-á da relação vital com a verdade, reduzindo-se a condenar amanhã o que será louvado hoje. Um homem que colocou assim sua vida, um sacerdote que veja nestes termos o próprio ministério, não ama verdadeiramente a Deus e aos outros, mas só a si mesmo e, paradoxalmente, acaba por se perder.”

“O Sacerdócio – lembremo-nos sempre – depende da coragem para dizer “sim” à outra vontade, na consciência, de fazer crescer a cada dia, que a sua conformidade com a vontade de Deus, “imerso” nesta vontade, não só não será cancelada a nossa originalidade, mas, ao contrário, entraremos sempre mais na verdade do nosso ser e do nosso ministério.”

 Papa Bento XVI

 

< O Sacerdote é um dom do Coração de Cristo: um dom para a Igreja e para o mundo. Do coração do Filho de Deus, transbordante de caridade, brotam todos os bens da Igreja, e de modo particular tem sua origem a vocação daqueles homens que, conquistados pelo Senhor Jesus, deixam tudo para dedicar-se inteiramente ao serviço do povo cristão, sob o exemplo do Bom Pastor  

Papa Bento XVI, 

De Pedro a Bento XVI

                                                                               

Nestes dias foi divulgada a descoberta de um importantíssimo tesouro da arqueologia sacra: as pinturas   mais antigas dos apóstolos  feitas no final do século IV. Nelas estão representados Pedro, Paulo, André e João. Num registro precioso da história da Igreja.

De Pedro a Bento XVI, mesmo diante de um mundo em constante transformação, em avanços do conhecimento e conquistas tecnológicas,  a missão  da nossa Mãe Igreja  permanece fiel à ordem de seu envio: “Ide por todo o  mundo e pregai o Evangelho a toda criatura. Quem crer e for batizado, será salvo, mas quem não crer, será condenado. Estes milagres acompanharão os que crerem: expulsarão os demônios em meu nome, falarão novas línguas, manusearão serpentes e, se beberem algum veneno mortal, não lhes fará mal; imporão as mãos sobre os enfermos, e eles ficarão curados.”

Esta fidelidade é garantida pela ação do Espírito Santo, desde  Pentecostes – marcando o início da caminhada da Igreja, com o seu primeiro anúncio protagonizado por Pedro – até hoje. E assim será até os fins dos tempos: Pedro, então, pondo-se de pé em companhia dos onze, com voz forte lhes disse: “Homens da Judéia e vós todos que habitais em Jerusalém: seja-vos isto conhecido e prestai atenção às minhas palavras: (…) Jesus de Nazaré, homem de quem Deus tem dado testemunho diante de vós com milagres, prodígios e sinais que Deus por Ele realizou no meio de vós como vós mesmos o sabeis, depois de ter sido entregue, segundo desígnio e presciência de Deus, vós o matastes, crucificando-o por mãos dos ímpios. Mas Deus o ressuscitou, rompendo os grilhões da morte, porque não era possível que ela o retivesse em seu poder. (…) A este Jesus Deus o ressuscitou do que todos nós somos testemunhas. Exaltado pela direita de Deus, havendo recebido do Pai o Espírito Santo prometido, derramou-o como vós vedes e ouvis. (…) Que toda a casa de Israel saiba, portanto, com a maior certeza de que este Jesus, que vós crucificastes Deus o constituiu Senhor e Cristo.”

Hoje, sobre a primazia de Bento XVI, vimos a Igreja viver de Junho de 2009 a Junho de 2010 o seu Ano Sacerdotal, com o tema  < Fidelidade de Cristo, Fidelidade do Sacerdote >,  marcado por um tempo especial  de intensas graças. Como  fruto deste Ano Santo, esperamos pelo Coração Transpassado de Cristo transparecer na vida de  cada Sacerdote do mundo inteiro. Esperamos com a nossa oração e o nosso trabalho junto do Coração Eucarístico de Jesus.

 Ernesto Peres de Mendonça  – Comunidade Família de Deus