Amor a Jesus Sacramentado

 

 

<<<  Senhor, voltamo-nos cheios de confiança ao teu Coração Eucarístico, como Igreja que somos, e viemos aqui  TE  AMAR, TE  ADORAR, TE HONRAR E TE GLORIFICAR,  por aqueles Sacerdotes, Bispos e Arcebispos  que não Te amam mais, não Te adoram mais, não Te honram mais e nem Te glorificam, e também não ficam mais contigo  junto do teu Santíssimo Sacramento.  

Nós te pedimos perdão por estes teus escolhidos, consagrados teus que não crêem, não adoram, não esperam e não Te amam mais. E por toda frieza, indiferença e desinteresse para com a tua Pessoa Eucarística vinda dos teus Sacerdotes. Perdão, Senhor, perdão !  >>>

 Ernesto Peres de  Mendonça

 

Adorar Jesus Sacramentado !

 
 
Meu Deus, eu creio, adoro, espero e amo-Vos.
Peço Vos perdão para os que não crêem, não adoram, não esperam e não Vos amam.
Santíssima Trindade, Pai, Filho, Espírito Santo,
adoro-Vos profundamente
e ofereço Vos o preciosíssimo Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Jesus Cristo,
presente em todos os sacrários da terra,
em reparação dos ultrajes, sacrilégios e indiferenças com que Ele mesmo é ofendido.
E pelos méritos infinitos do Seu Santíssimo Coração
e do Coração Imaculado de Maria,
peço Vos a conversão dos pobres pecadores.
 

Estamos perante dois textos pertencentes à mensagem de Fátima. São duas orações reveladas aos três pastorinhos de Fátima em duas aparições dum anjo, que se apresentou como “Anjo da Paz”, e também identificado como Anjo de Portugal. A primeira oração (“Meu Deus, eu creio…”) foi ensinada na primeira aparição, na Primavera de 1916 e a segunda (“Santíssima Trindade…”) em Outubro ou fins de Setembro do mesmo ano. Ambas as aparições se deram nos Valinhos, perto de Aljustrel, terra natal dos videntes, na freguesia de Fátima, concelho de Vila Nova de Ourém.

Circunstâncias das aparições do Anjo

Segundo os relatos da mais velha dos videntes, Lúcia, Certo dia, na Primavera de 1916, na Loca do Cabeço, uma pequena gruta, os pastorinhos são surpreendidos por “uma luz mais branca que a neve”, na forma dum jovem. Este diz-lhes: “Não temais. Sou o Anjo da Paz. Orai comigo”. De seguida, ajoelha-se e curva-se até ao chão e pronuncia por três vezes a oração “Meu Deus, eu creio…”. Em tudo isto, é imitado pelos pastorinhos. Foi esta a primeira aparição.

Na segunda aparição, no mesmo lugar, depois de os pastorinhos rezarem o terço e a oração que o Anjo lhes tinha ensinado, aparece-lhes de novo “trazendo na mão um cálice e sobre ele uma hóstia, da qual caíam, dentro do cálice, algumas gotas de sangue. Deixando o cálice e a hóstia suspensos no ar, prostrou-se por terra e repetiu três vezes a oração “Santíssima Trindade…” Depois de dar o cálice e a hóstia em comunhão aos pastorinhos, recomenda “Tomai e bebei o Corpo e o Sangue de Jesus Cristo, horrivelmente ultrajado pelos homens ingratos. Reparai os seus crimes e consolai o vosso Deus”. Prostra-se novamente por terra e de novo repete três vezes a mesma oração. De novo, os pastorinhos imitam-no em tudo.

Estas aparições permaneceram inéditas até 1937, quando Lúcia as divulga pela primeira vez, na sua 2ª memória. Encontramos uma narração mais completa e o texto definitivo das orações na 4ª memória, escrita em 1941.

O uso atual

Estas duas orações entraram no património de piedade e estão muito difundidas em todo o país, sobretudo devido ao seu uso no Santuário de Fátima. A sua utilização principal é na adoração eucarística(o seu contexto original), onde são proclamadas ou cantadas. É frequente encontrá-las associadas entre si, rezadas em conjunto, alternadamente.

Os temas

1. Meu Deus, Santíssima Trindade

Deus é o destinatário de ambas estas orações, como não podia deixar de ser. O horizonte trinitário está presente de forma perfeitamente explícita na oração “Santíssima Trindade”, e de forma reiterada: na verdade, após a invocação Santíssima Trindade, acrescenta-se o Nome de cada uma das Pessoas. Notamos assim que esta oração se dirige às três Pessoas divinas simultaneamente, da mesma forma. Contudo, na oração “Meu Deus, eu creio”, tal horizonte trinitário não está tão explícito. A questão é saber a quem se dirige o vocativo “Meu Deus”.

Esta invocação, “Meu Deus”, é habitualmente dirigida a Deus Pai. Ao longo da Tradição da Igreja, o vocativo “Deus”, sem mais explicitação, designa habitualmente o Pai. Na Liturgia da Igreja verificamos o mesmo fenómeno, em que esta invocação significa habitualmente o Pai. Na linguagem popular religiosa o mesmo se verifica. Assim, à partida, seríamos levados a dizer que a oração se dirige a Deus Pai.

No entanto, há outros factores importantes a ter em conta. A expressão “Meu Deus” remete quase instantaneamente também para a profissão de fé do apóstolo Tomé: “Meu Senhor e meu Deus!” (Jo 20, 28), que é dirigida a Jesus Cristo. Posto que cada uma das Pessoas da Santíssima Trindade é Deus, este vocativo pode dirigir-se a cada uma delas.

Desde o início, ou pelo menos a partir de determinado momento, a oração foi utilizada pelos pastorinhos em contexto eucarístico. De facto, como foi já referido, é neste contexto que ela hoje é utilizada, de modo praticamente universal. É uma das orações mais frequentemente utilizadas na adoração eucarística, o que vem testemunhar a sua estreita ligação à Eucaristia.

Mas é necessário ainda verificar a íntima relação que esta fórmula tem com a oração “Santíssima Trindade”: ambas reveladas pelo Anjo, ambas utilizadas, então e agora, em contexto de culto eucarístico, ambas fazendo um uso importante do conceito de adoração. Por esta estreita relação, podemos acabar por concluir que o destinatário de ambas as orações é o mesmo: a Santíssima Trindade, na simultaneidade das Pessoas, invocadas em conjunto e da mesma forma. O que é sublinhado pelo uso corrente de proclamar esta oração: três vezes seguidas.

A invocação “Meu Deus” exprime o acolhimento íntimo e pessoal do Deus vivo. Esta oração contém o essencial da espiritualidade cristã, que na sua estrutura é teologal e trinitária. “Deus” designa de modo muito simples o mistério trinitário, a que se presta uma adesão pessoal, à maneira do apóstolo Tomé. O uso do possessivo “meu” não designa, como alguns possam pensar, uma apropriação egoísta e individualista da divindade, mas uma relação de confiança e proximidade, logo de seguida expressas pelos actos de , adoração, esperança e amor.

2. Eu creio, adoro, espero e amo-Vos

A atitude mais imediata perante o mistério da Trindade Santíssima é a adoração. Por esse motivo, o Anjo, ao ensinar aos pastorinhos ambas as orações, prostrou-se por terra. Eles entenderam que este gesto corporal era o que melhor correspondia às palavras pronunciadas. Prostrar-se por terra é um dos gestos que, em praticamente todas as culturas, significa a atitude de adoração, de abaixamento humilde perante o mistério que nos ultrapassa, a que rendemos a nossa homenagem. No Cristianismo, claro, esta adoração supera em muito o temor perante o terrível e poderoso, para passar a significar o respeito que naturalmente brota do Amor com que Deus Se nos revelou.

3. Ofereço-Vos o preciosíssimo Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Jesus Cristo

Como já sublinhámos várias vezes as orações ensinadas pelo Anjo apresentam uma peculiar relação com a Eucaristia. Na fórmula “Santíssima Trindade” tal relação é explícita, pela menção da Eucaristia através da fórmula utilizada no catecismo. A fórmula “Meu Deus, eu creio”, como vimos, tem também uma forte ligação à Eucaristia, quer pelo contexto da altura, quer pelo seu uso actual. Mas, como vimos, o fundo de ambas as orações é também particularmente trinitário. Ou seja, encontramos aqui manifestado o mistério da íntima relação entre a Trindade e a Eucaristia.

4. Reparação

O motivo da reparação está bem expresso: “em reparação dos ultrajes, sacrilégios e indiferenças com que Ele mesmo é ofendido”. Estas três palavras pretendem resumir as ofensas feitas contra o Senhor sacramentado, ou seja, contra a presença de Deus no meio de nós, e assim contra Deus que Se oferece por nós. “Ultrajes” e “sacrilégios” têm um significado semelhante: designam as ofensas que são cometidas activamente contra o Senhor, actos que o ofendem, porque manifestam a recusa da salvação por Ele e n’Ele oferecida, e inclusivamente até agem contra ela. Já “indiferenças” refere-se às ofensas cometidas passivamente, por omissão, por não reconhecer o Senhor que nos salva nem agir em conformidade com essa salvação. Temos também aqui uma forma de recusa da salvação, de ingratidão que, apesar de passiva, não deixa de ofender Jesus Cristo eucarístico.

5. Peço-Vos perdão, peço-Vos a conversão

Mas a reparação, como acto comunitário inserido na solidariedade salvífica da comunhão dos santos, não teria qualquer sentido se se resumisse a “consolar Nosso Senhor pelo mal que Lhe fazem” e não contivesse, dentro da mesma solidariedade salvífica, o pedido e intercessão pelo perdão e pela conversão daqueles que O ofendem.

6. Os pobres pecadores, que não crêem, não adoram, não esperam e não amam

Quem são estes “pobres pecadores”? Sem dúvida, aqueles que, na fórmula “Meu Deus, eu creio”, “não crêem, não adoram, não esperam e não Vos amam”. Ora, são pobres precisamente porque ignoram o seu pecado. Uma vez que não crêem, desconhecem o pecado, porque a ignorância de Deus implica a ignorância do pecado. Estes pobres pecadores são aqueles que se encontram mais longe de Deus, que não o conhecem, e por isso não têm para com Ele a atitude crente e adorante. São pobres também por serem infelizes, uma vez que, longe de Deus, estão também longe da fonte de toda a vida e de toda a alegria.

7. Pelos méritos infinitos do Seu Santíssimo Coração e do Coração Imaculado de Maria

O Coração de Jesus é símbolo significativo do Mistério Pascal, Mistério de misericórdia. Significa o amor que nos salva, pela entrega do Crucificado Ressuscitado. Ao pedirmos a conversão dos pecadores pelos méritos do Coração de Jesus, pedimo-la pelos méritos do seu Mistério Pascal, da sua paixão, morte, ressurreição e ascensão aos céus. De facto, é esse mistério que nos reconcilia com Deus, é por ele que podemos converter-nos. Méritos infinitos, porque na sua entrega por nós a vitória sobre o pecado foi definitiva e fomos reconciliados com Deus duma vez para sempre. Este mistério jamais se esgota e é a fonte de toda a reconciliação, de modo que a conversão passa sempre necessariamente pelos méritos do Santíssimo Coração de Jesus.

Como símbolo privilegiado da Redenção e da misericórdia de Deus, o Coração de Jesus é o que mais sofre com a ingratidão dos homens que não querem associar-se ao dom da salvação. Daí que o Coração de Jesus tenha sido ao longo dos tempos o principal objecto da atitude reparadora.

O papel de Maria na vida cristã é o de continuamente chamar e exortar a unirmo-nos à Igreja de Deus. Confiarmo-nos ao seu Coração significa entregarmo-nos ao Coração do seu Filho. O Coração da Mãe está unido ao Coração do Filho, daí que também ele se insira no centro do mistério da Redenção. Maria estava presente na Hora de Jesus, participando com Ele no culminar da sua missão.

Referências:

  • AA.VV., Apelo e Resposta. Semana de Estudos sobre a Mensagem de Fátima, Santuário de Fátima, Fátima 1983.
  • AA. VV., A Pastoral de Fátima. Actas do 1º Encontro Internacional sobre a Pastoral de Fátima, no 75º aniversário das aparições, Santuário de Fátima, Fátima 1993.
  • AA. VV., Actas do Congresso Internacional de Fátima: Fenomenologia e Teologia das Aparições, Santuário de Fátima, Fátima 1998.
  • AA.VV., Mysterium Redemptionis. Actas do Congresso de Fátima Do Sacrifício de Cristo à dimensão sacrificial da existência cristã, Santuário de Fátima, Fátima 2002.
  • COELHO, MESSIAS DIAS, O que falta para a conversão da Rússia, Fundão 1959.
  • IRMÃ LÚCIA, Memórias, Secretariado dos Pastorinhos, Fátima 2000.
  • WAKKERS, FRANCISCO, A Oração do Anjo, em Lumen 13 (1949) 132-136
  • 

Fonte: Santuário de Fátima

 

    

Santo Afonso Maria de Ligório

 

Queridos irmãos e irmãs:

Hoje eu gostaria de vos apresentar a figura de um santo Doutor da Igreja, a quem devemos muito, pois foi um eminente teólogo e mestre de vida espiritual para todos, especialmente para as pessoas simples. Ele é o autor da letra e da melodia de uma das canções natalinas mais famosas da Itália, ‘Tu scendi dalle stelle’, além de muitas outras coisas.

Pertencente a uma família napolitana rica e nobre, Afonso Maria de Ligório nasceu em 1696. Dotado de grandes qualidades intelectuais, com apenas 16 anos se graduou em direito civil e canônico. Era o advogado mais brilhante do fórum de Nápoles: durante oito anos, ganhou todas as causas que defendeu. No entanto, sua alma estava sedenta de Deus e desejosa da perfeição; assim, o Senhor fez-lhe compreender que era outra a vocação à qual o chamava. De fato, em 1723, indignado pela corrupção e injustiça que assolou o ambiente à sua volta, ele abandonou a sua profissão – com ela, a riqueza e sucesso – e decidiu se tornar sacerdote, apesar da oposição paterna. Teve excelentes professores, que o introduziram no estudo da Sagrada Escritura, da História da Igreja e da mística. Adquiriu uma vasta cultura teológica, que começou a dar frutos quando, alguns anos mais tarde, ele começou seu trabalho de escritor. Foi ordenado sacerdote em 1726 e entrou, para o exercício do seu ministério, na Congregação diocesana das Missões Apostólicas. Afonso iniciou a evangelização e catequese entre os estratos inferiores da sociedade napolitana, a quem gostava de pregar e instruía nas verdades fundamentais da fé. Muitas dessas pessoas, pobres e modestas, às quais se dirigiu, frequentemente se dedicavam aos vícios e a operações criminosas. Pacientemente, ensinava-as a orar, incentivando-as a melhorar a sua maneira de viver. Afonso obteve excelentes resultados: no bairro mais miserável da cidade, multiplicavam-se grupos de pessoas que, no final da tarde, se reuniam em casas particulares e nas oficinas, para rezar e meditar sobre a Palavra de Deus, sob a orientação de um catequista formado por Afonso e por outros sacerdotes, que visitavam regularmente esses grupos de fiéis. Quando, a pedido do arcebispo de Nápoles, estas reuniões começaram a ser realizadas nas capelas da cidade, receberam o nome de “capelas noturnas”. Isso foi uma verdadeira e apropriada fonte de educação moral, de reparação social, de ajuda mútua entre os pobres: ele pôs termo aos roubos, duelos, prostituição, até quase desaparecerem.

Ainda que o contexto social e religioso da época de Santo Afonso tenha sido muito diferente do nosso, as “capelas noturnas” são um modelo de atividade missionária e também podem inspirar-nos hoje para uma “nova evangelização”, em especial dos mais pobres, e para construir uma convivência humana mais justa e fraterna. Aos sacerdotes foi confiado o dever de ministério espiritual, enquanto os leigos bem formados podem ser eficazes animadores cristãos, verdadeiro fermento evangélico dentro da sociedade.

Depois de ter pensando em ir evangelizar os povos pagãos, Afonso, aos 35 anos, entrou em contato com agricultores e pastores das regiões interiores do Reino de Nápoles e, estupefato pelo seu desconhecimento da religião e o estado de abandono em que se encontravam, decidiu deixar a capital e dedicar-se a essas pessoas, que eram pobres espiritual e materialmente. Em 1732, fundou a Congregação Religiosa do Santíssimo Redentor, que ficou sob a tutela de Dom Tommaso Falcoia e da qual se tornou superior. Estes religiosos, dirigidos por Afonso, foram autênticos missionários itinerantes, chegaram até as aldeias mais remotas, exortando à conversão e à perseverança na vida cristã, sobretudo através da oração. Ainda hoje, os Redentoristas, espalhados por muitos países do mundo, com novas formas de apostolado, continuam esta missão de evangelização. Penso neles com o reconhecimento, exortando-os a ser sempre fiéis ao exemplo de seu Santo Fundador.

Apreciado pela sua bondade e seu zelo pastoral, em 1762 Afonso foi nomeado bispo de ‘Sant’Agata dei Goti’, ministério que deixou em 1775 por causa das doenças que sofria, por concessão do Papa Pio VI. O próprio Pontífice, em 1787, ao receber a notícia de sua morte, que ocorreu com muito sofrimento, exclamou: “Era um santo!”. E ele estava certo: Afonso foi canonizado em 1839 e, em 1871, foi declarado Doutor da Igreja. Este título lhe foi concedido por muitas razões. Primeiro, ele propôs um rico ensinamento de teologia moral, que expressa adequadamente a doutrina católica, a ponto de ser proclamado pelo Papa Pio XII como “padroeiro de todos os confessores e moralistas”. Em sua época, difundiu-se uma interpretação muito rígida da vida moral, talvez por causa da mentalidade jansenista, que, ao invés de alimentar a confiança e a esperança na misericórdia de Deus, fomentava o medo e apresentava um rosto de Deus severo e rígido, muito longe do revelado por Jesus. Santo Afonso, especialmente em sua principal obra, intitulada “Teologia Moral”, propõe uma síntese equilibrada e convincente entre as exigências da lei de Deus, gravada em nossos corações, revelada plenamente por Cristo e interpretada com autoridade pela Igreja, e os dinamismos da consciência e da liberdade do homem, que, na adesão à verdade e ao bem, permitem a maturação e realização pessoal. Aos pastores de almas e confessores, Afonso recomendava que fossem fiéis à doutrina moral católica, assumindo, ao mesmo tempo, uma atitude caritativa, compreensiva, doce, para que os penitentes se sentissem acompanhados, apoiados e incentivados em sua jornada de fé e de vida cristã. Santo Afonso não se cansava de dizer que os padres são um sinal visível da infinita misericórdia de Deus, que perdoa e ilumina a mente e o coração do pecador, para que se converta e mude de vida. Na nossa época, na qual são claros os sinais de perda da consciência moral e – deve ser admitido – certa falta de apreço pelo Sacramento da Confissão, o ensinamento de Santo Afonso é ainda muito atual.

Junto às obras de teologia, Santo Afonso compôs muitos outros escritos, destinados à formação religiosa do povo. Seu estilo é simples e agradável. Lidas e traduzidas em várias línguas, as obras de Santo Afonso contribuíram para moldar a espiritualidade popular nos últimos dois séculos. Alguns desses textos oferecem grandes benefícios, ainda hoje, tais como “Máximas eternas”, “As glórias de Maria”, “A prática do amor a Jesus Cristo”, obra – esta última – que representa a síntese do seu pensamento e sua obra-prima. Insiste muito na necessidade da oração, que permite abrir-se à graça divina para cumprir cotidianamente a vontade de Deus e obter a própria santificação. Com relação à oração, escreve: “Deus não nega a ninguém a graça da oração, com a qual se obtém a ajuda para vencer toda concupiscência e toda tentação. E digo, replico e replicarei sempre, durante toda a minha vida, que toda a nossa salvação está em rezar”. Daí seu famoso axioma: “Quem reza se salva”, de “Do Grande Meio da Oração e opúsculos afins” (Obras Ascéticas II, Roma, 1962, p. 171). Vem à minha mente, a propósito disso, a exortação do meu predecessor, o Venerável Servo de Deus João Paulo II: “As nossas comunidades cristãs devem tornar-se autênticas ‘escolas de oração’ (…). É preciso, portanto, que a educação na oração de alguma forma se torne um ponto determinante de toda a programação pastoral” (Carta Apostólica ‘Novo Millennio Ineunte’, 33 e 34).

Entre as formas de oração fortemente recomendadas por Santo Afonso, destaca-se a visita ao Santíssimo Sacramento ou, como dizemos hoje, a adoração, curta ou longa, pessoal ou comunitária, diante da Eucaristia. “Certamente – escreve Afonso -, entre todas as devoções, esta de adorar Jesus sacramentado é precisamente, depois dos sacramentos, a mais querida por Deus e a mais útil para nós. (…) Oh! Que belo é estar na frente de um altar com fé (…), apresentando nossas necessidades, como faz um amigo a outro, em quem confia totalmente!” (“Visitas ao Santíssimo Sacramento, a Nossa Senhora e a São José para cada dia do mês”. Introdução). A espiritualidade de Afonso é, de fato, eminentemente cristológica, centrada em Cristo e em seu Evangelho. A meditação sobre o mistério da Encarnação e da Paixão do Senhor muitas vezes é o tema de sua pregação. Nestes eventos, a Redenção é oferecida a todos os homens “copiosamente”. E justamente porque é cristológica, a piedade afonsiana é também eminentemente mariana. Muito devoto a Maria, Afonso ilustra o seu papel na história da salvação: sócia da Redenção e mediadora da graça, mãe, advogada e rainha. Além disso, Santo Afonso diz que a devoção a Maria nos confortará no momento da nossa morte. Ele acreditava que meditar sobre o nosso destino eterno, sobre o nosso chamado a participar para sempre da bem-aventurança de Deus, assim como a possibilidade trágica da condenação, ajuda a viver com serenidade e compromisso, e a enfrentar a realidade da morte mantendo sempre a confiança na bondade de Deus.

Santo Afonso Maria de Ligório é um exemplo de pastor zeloso, que conquistou as almas pregando o Evangelho e administrando os sacramentos, combinados com uma maneira de fazer baseada em uma bondade humilde e suave, que nascia de uma relação intensa com Deus, que é a Bondade infinita. Ele teve uma visão realista e otimista dos recursos do bem que o Senhor dá a cada homem e deu importância aos afetos e aos sentimentos do coração, além a mente, para poder amar a Deus e ao próximo.

Em conclusão, eu gostaria de recordar que o nosso santo, à semelhança de São Francisco de Sales, de que falei há algumas semanas, insiste em que a santidade é acessível a todos os cristãos: “O religioso por religioso, o leigo por leigo, o sacerdote por sacerdote, o casado por casado, o comerciante por comerciante, o soldado por soldado, e assim falando em todos os estados” (“A prática do amor a Jesus Cristo”. Obras Ascéticas I, Roma, 1933, p. 79). Agradeçamos ao Senhor que, na sua providência, suscita santos e doutores em diferentes épocas e lugares, que falam a mesma linguagem para nos convidar-nos a crescer na fé e a viver com amor e alegria o nosso ser cristãos nas ações simples de todos os dias, para caminhar na via da santidade, no caminho rumo a Deus e à verdadeira alegria. Obrigado.

No final da audiência, o Papa cumprimentou os peregrinos em vários idiomas. Em português, disse:

Queridos irmãos e irmãs:

Corria o ano de 1732, quando Santo Afonso Maria de Ligório fundou a Congregação do Santíssimo Redentor. Autênticos missionários itinerantes, os padres redentoristas foram até às aldeias mais distantes, exortando à conversão e à perseverança na vida cristã, sobretudo por meio da oração. Assim aprenderam do seu Fundador, o qual lhes recomendava que fossem fiéis à doutrina moral católica, mas assumindo uma atitude cheia de caridade e compreensão com os pecadores. Os sacerdotes – ensinava ele – são um sinal visível da misericórdia infinita de Deus, que perdoa e ilumina a mente e o coração do pecador, para que se converta e mude de vida. Este ensinamento de Santo Afonso é de grande actualidade neste nosso tempo, em que há claros sinais de perda da consciência moral e – com preocupação, o reconhecemos – de falta de estima pelo sacramento da Reconciliação.

Amados peregrinos de língua portuguesa, queridos fiéis da paróquia de Santa Maria do Barreiro, na diocese de Setúbal: a minha saudação amiga para todos vós, com votos de um frutuoso empenho na caminhada quaresmal que estais fazendo. Que nada vos impeça de viver e crescer na amizade de Deus, e testemunhar a todos a sua bondade e misericórdia! Sobre vós e vossas famílias, desça a minha bênção apostólica.

Papa Bento XVI

Tradução: Aline Banchieri – © Libreria Editrice Vaticana

 

São Lourenço de Brindisi, Doutor Apostólico

 

 

Queridos irmãos e irmãs,

São Lourenço de Brindisi, padre capuchinho, nascido em 1559, era dotado de eminentes qualidades intelectuais e grande facilidade de aprender línguas, o que havia de lhe permitir desenvolver um fecundo apostolado com várias categorias de pessoas. Profundo conhecedor e amante da Sagrada Escritura e dos Padres da Igreja, era capaz de ilustrar de modo exemplar a doutrina católica mesmo aos cristãos que tinham aderido à Reforma Protestante, mostrando os fundamentos bíblicos e patrísticos das verdades postas em questão por Martinho Lutero. Foi também um grande pregador, que se dirigiu aos fiéis mais simples e sem cultura, chamando todos a uma vida mais coerente com a fé professada. Outro elemento característico do nosso santo foi a sua ação em prol da paz, tendo sido encarregado de importantes missões diplomáticas, para dirimir controvérsias e favorecer a concórdia entre as nações. Mas, acima de tudo, era um homem de oração, bem ciente de que esta é o primeiro serviço que o Sacerdote deve oferecer à Comunidade. Autor de numerosas obras, evidenciou, nos seus escritos, a ação do Espírito Santo na existência do fiel. O Papa Beato João XXIII deu-lhe o título de ‘Doutor Apostólico’.

Amados peregrinos de língua portuguesa, a todos saúdo e dou as boas-vindas a esta Audiência!

São Lourenço de Brindisi nos ensina como a familiaridade com a Bíblia e a oração são essenciais para que todas as nossas ações tenham o seu início e cumprimento em Deus. Possa este ser o fundamento do vosso testemunho cristão no mundo de hoje. Que Deus vos abençoe!

Papa Bento XVI

Com informações da Rádio Vaticano

 

Se fé da Igreja enfraquece, exorcismo perde eficácia

 

O Pe. François Dermin, presidente nacional do Grupo de Pesquisa e Informação Religiosa (GRIS, na sigla em italiano), prior do convento de São Domingos de Bolonha e professor de teologia moral, italiano com origens canadenses, é um dos professores do curso de exorcismo que será realizado esta semana no Ateneu Pontifício ‘Regina Apostolorum’, em Roma.

ZENIT: Hoje se conhece mais sobre o demônio do que se conhecia, por exemplo, na Idade Média?

Pe. François Dermin: Do ponto de vista teológico, não se sabe mais do que se sabia na época. Grandes doutores da Igreja, como São Tomás, São Boaventura e Santo Agostinho, e tantos outros santos, falaram do demônio de maneira profunda, também especulativa, filosófica e teológica.

No entanto, podemos saber mais sobre algumas doenças que no passado eram consideradas manifestações da ação diabólica, mas que são apenas doenças. Por exemplo, no passado, a epilepsia era relacionada a uma forma de possessão diabólica, quando, na verdade, é uma doença a ser curada.

ZENIT: O que distingue um caso de possessão, infestação ou manifestação diabólica de uma doença?

Pe. François Dermin: Esta é, a meu ver, uma das principais dificuldades do exorcista, pois ele deve discernir e esta é a parte central do ministério exorcístico. Porque algumas pessoas acreditam estar à mercê de uma ação do demônio, não necessariamente possuídas, mas perseguidas, humilhadas, obcecadas ou coisas assim.

Portanto, temos de perceber se são pessoas que sofrem alucinações ou algo do tipo. Nestes casos, é preciso falar com elas e, quando necessário, deve-se recorrer a médicos e psiquiatras. Por exemplo, quando eu era exorcista em minha diocese, minha equipe incluía dois padres e dois psiquiatras, a quem acudíamos em caso de dúvidas.

O discernimento nem é sempre imediato. Conversando com as pessoas ou sobre elas, você percebe se há algumas reações – não necessariamente espetacular, como no caso de possessão -, mas reações particulares, como uma sucessão de calor e frio, desmaios ou se a pessoa começa a arrotar ou fazer algo assim. O discernimento é feito também com a oração. Devemos recordar que o exorcismo é uma obra sobrenatural e que o personagem principal é Deus.

ZENIT: Jesus realizou exorcismos.

Pe. François Dermin: João Paulo II dizia que um dos principais ministérios de Jesus era o exorcismo. Não foi por acaso que ele realizou tantos, embora na Bíblia e nos Evangelhos nem sempre seja clara a distinção entre cura e libertação.

O exorcismo é frequentemente associado, quase exclusivamente, à possessão, mas muitas vezes o exorcista tem de lidar com pessoas que são vítimas de outras formas de perseguição diabólica: infestações de casas onde se ouvem barulhos, móveis que se mexem ou se quebram etc.

Há também casos de possessão em que as pessoas ouvem vozes dentro de si. Isso geralmente acontece quando se pratica o espiritismo. É claro que você tem que verificar se não são casos de esquizofrenia.

A libertação também ocorre através de uma jornada espiritual. A pessoa tem que mudar a sua vida, frequentar os sacramentos etc.

ZENIT: Um exorcismo é suficiente ou é um processo?

Pe. François Dermin: Aqui, estamos tocando um tema muito delicado. Tenho ouvido testemunhos de exorcistas de quarenta ou cinquenta anos atrás, que mostram que um só exorcismo era suficiente para libertar uma pessoa. Hoje pode durar meses e, às vezes, anos. E nós temos que refletir sobre por que isso acontece.

Alguns podem pensar que isso se deve a uma sociedade que se afastou de Deus, de certa forma, que apostatou.

Aqui, no entanto, dou uma opinião absolutamente pessoal: o exorcista não faz uma oração pessoal, mas ora em nome da Igreja. E se a fé se enfraquece no interior da Igreja, não excluo a possibilidade de que isso contribua para a redução da eficácia do exorcismo.

ZENIT: Qual é a relação entre as fórmulas do exorcismo e a fé?

Pe. François Dermin: As fórmulas sem a fé não valem nada. Mas não é somente a fé do exorcista, e sim a fé da Igreja. Aqui, quando eu digo “Igreja”, quero dizer a Igreja institucional que sempre acreditou e ensinou a realidade sobre o demônio e a possibilidade concreta de perseguição por parte dele. Falo, no entanto, dos homens de Igreja. Nem todos os padres – e até bispos – acreditam nessas coisas. Eu entendo que esta é uma questão muito delicada.

ZENIT: Não a Igreja gloriosa, mas a militante?

Pe. François Dermin: A Igreja aqui na terra pode ser tentada também com o secularismo. É o racionalismo. Existe o risco de enfraquecer a fé sobre a existência do demônio.

ZENIT: O Sacerdote que exerce o ministério do exorcismo tem de adquirir experiência?

Pe. François Dermin: Nunca se termina de aprender e a experiência enriquece sempre, é fundamental. O problema hoje é que os exorcistas se tornam exorcistas sem um professor para ensiná-los. Pela minha parte, eu tive pouca experiência prática e, em certo sentido, tive de lidar com isso, cometendo inclusive alguns erros. A experiência é adquirida gradualmente. O ideal seria ter professores neste campo.

Nem sempre encontramos uma explicação para tudo; no entanto, devemos acreditar que Deus está presente, que age, que estamos do lado do vencedor e que o demônio quer incomodar o homem, afastá-lo de Deus ou até mesmo destruí-lo. E que Deus dá à Igreja os meios para combater vitoriosamente o demônio.

Fonte: Zenit Org.

 

Nossa Senhora fala aos Sacerdotes, seus filhos prediletos:

 

 

 

 <<<    Jesus só pede a vós, seus Sacerdotes, para ser amado  !!!   >>>

  

Movimento Sacerdotal Mariano

  

Oração para Adoração ao Santíssimo:

 

 

 

<<<  Eu vos adoro devotamente, ó Divindade escondida, que verdadeiramente Se oculta sob estas aparências, a Vós, meu coração submete-se todo inteiro, porque, vos contemplando, tudo desfalece.

A vista, o tacto, o gosto falham com relação a Vós, mas, somente em Vos ouvir em tudo creio. Creio em tudo aquilo que disse o Filho de Deus, nada mais verdadeiro que esta Palavra de Verdade.

Na Cruz, estava oculta somente a Vossa Divindade, mas aqui, oculta-se também a Vossa Humanidade. Eu, contudo, crendo e professando ambas, peço aquilo que pediu o ladrão arrependido.

Não vejo como Tomé, as Vossas chagas, entretanto, vos confesso meu Senhor e meu Deus. Faça que eu sempre creia mais em Vós, em Vós esperar e Vos amar.

Ó memorial da morte do Senhor, Pão vivo que dá vida aos homens, fazei que minha alma viva de Vós, e que a ela seja sempre doce este saber.

Senhor Jesus, bondoso pelicano, lavai-me, eu que sou imundo, em Vosso sangue, pois uma única gota faz salvar todo o mundo e apagar todo pecado.

Ó Jesus, que velado agora vejo, peço que se realize aquilo que tanto desejo: Que eu veja claramente Vossa face revelada; que eu seja feliz contemplando a Vossa glória. >>>

  

São Tomas de Aquino –  (composta  a pedido do Papa Urbano IV, em 1263)