Ladainha dos Sagrados Estigmas

 

 

Senhor, tende piedade de nós.
Cristo, tende piedade de nós.
Senhor,tende piedade de nós.
Pelos vossos Sagrados Estigmas, piedade de nós.
Pelos cravos que os abriram, piedade de nós.
Pela dor que vos causaram, piedade de nós.
Pela cruz que os acolheu, piedade de nós.
Pela glorificação que vos trouxeram, piedade de nós.
Pela salvação que nos mereceram, piedade de nós.
Pela redenção que nos recordam, piedade de nós.
Por vossas mãos benfazejas e feridas, abençoai-nos, Jesus.
Por vossas mãos poderosas e feridas, abençoai-nos, Jesus.
Por vossas mãos benignas e feridas, abençoai-nos, Jesus.
Por vossos pés incansáveis e feridos, abençoai-nos, Jesus.
Por vossos pés sacrificados e feridos, abençoai-nos, Jesus.
Por vosso coração sensível e ferido, abençoai-nos, Jesus.
Por vosso coração compassivo e ferido, abençoai-nos, Jesus.
Por vosso coração amoroso e ferido, abençoai-nos, Jesus.
Estigmas de dor e de glória, louvor a vós, ó Cristo.
Estigmas sinais de obediência ao Pai, louvor a vós, ó Cristo.
Estigmas disponibilidade do amor, louvor a vós, ó Cristo.
Estigmas símbolo de heroismo, louvor a vós, ó Cristo.
Estigmas documento de imolação, louvor a vós, ó Cristo.
Estigmas distintivos da paixão, louvor a vós, ó Cristo.
Estigmas anunciados pela profecia, louvor a vós, ó Cristo.
Estigmas realizados na cruz, louvor a vós, ó Cristo.
Estigmas provas da ressurreição, louvor a vós, ó Cristo.
Estigmas esplendor de vitória, louvor a vós, ó Cristo.
Estigmas honroso título da Congregação, louvor a vós, ó Cristo.
Cordeiro de Deus que tirais o pecado do mundo, piedade de nós.
Cordeiro de Deus que tirais o pecado do mundo, dai-nos a paz…

 

Um modelo de santidade para os nossos jovens !!!

 

Pier Giorgio Frassati

 

 

 

  <<  Que eu não seja menos daquilo que é o projeto de Deus para a minha vida  >> 

Beato Pier Giorgio Frassati

 

 

 

 

 

 

A Mística do Sacerdócio

Às vésperas  da Festa de Todos os Santos, estamos diante de uma grande oportunidade e incentivo para rezarmos pelo Sacerdócio.

Vamos ver na vida dos Santos, como a graça de Deus vem sempre ao encontro das nossas misérias e fraquezas, vem a cada instante com o seu amor e as suas ações por nós.

Exemplos não nos faltam na vida da Igreja. Podemos pegar o encontro surpreendente de Saulo com Jesus ressuscitado na estrada para Damasco, que com certeza,  enche o nosso coração de coragem e de ousadia. Sim, podemos e devemos ousar na fé. Acreditar nas iniciativas de Deus em favor da sua Igreja e em favor de cada um dos seus Sacerdotes espalhados pelo mundo inteiro e aqui quero incluir, também, cada uma das nossas queridas irmãs religiosas, chamadas a serem  << esposas de Cristo >> no mundo de hoje.

E essas iniciativas do Senhor, não podem ser medidas e nem colocadas numa cartilha, porque para Deus tudo é possível. E tudo é tudo, não há como limitarmos o seu poder e a sua ação. Quem poderia imaginar que aquele que era perseguidor dos cristãos, havia sido separado e escolhido pelo próprio Cristo para ser seu apóstolo?! E que o milagre da transformação (conversão) do seu coração seria ainda maior do que o milagre de transformar a água em vinho nas bodas de Caná?! Saulo foi surpreendido por essa manifestação do Senhor. A iniciativa foi de Jesus ressuscitado, e esse encontro mudou completamente a trajetória da sua vida. O que faz de Paulo (seu nome depois de convertido) um místico.

Assim devemos entender, também, toda pessoa vocacionada para a vida religiosa. Ela vai escutar um chamado de Deus, e vai dar o seu sim, vai dar uma resposta pessoal para o Senhor. O seu sacerdócio, a sua vida consagrada, nasce desta mística. Então, todo Sacerdote, na raiz da sua vocação, é um místico. Porque foi de Deus que ele sentiu o apelo para ser sacerdote e é para Deus que ele deve atender a este apelo.

Não será para si mesmo. Será para Deus, na Igreja, com a Igreja e para a Igreja, pela salvação das almas. Ele vai precisar desta mística na sua vida, no seu dia-a-dia, para poder sustentar o seu Sacerdócio. Vai precisar, sobretudo, ter uma mística Eucarística. Sem o que não conseguirá se sustentar. Não conseguirá ser fiel. Não podemos nos esquecer do tema do Ano Sacerdotal: < Fidelidade de Cristo, Fidelidade do Sacerdote >. A questão da Fidelidade esta no centro da vida de cada Sacerdote.

Sem viver esta mística do seu encontro pessoal e de ter uma intimidade com o Senhor, ele não terá como sustentar a sua própria santidade. E menos ainda terá condições de cuidar da santificação das outras pessoas. Um Sacerdote sem o cuidado e o esforço da sua santidade pessoal, não tornará a sua Paróquia santa e nem santificará a sua Diocese. E assim, infelizmente, irá fracassar com o seu Sacerdócio. Irá ferir o corpo místico de Cristo que é a Igreja.

Depois de receber o Batismo do Espírito Santo, pela oração de Ananias; Paulo ficou ainda uns três anos vivendo o seu processo de conversão. E, também se apaixonando por Jesus. Até se colocar fielmente a seu serviço. É fácil de ver este coração inflamado e apaixonado por Cristo em todo o seu apostolado. E ai também esta um ponto importante para a vida de todo Sacerdote, de toda pessoa consagrada na vida religiosa: permanecer apaixonado por Jesus. Não perder os dias do primeiro amor, mas sempre buscar a renovação deste amor. Sempre se manter numa relação estreita e de cumplicidade com aquele que é o Esposo de todas as almas consagradas.

Para se manter viva a chama deste amor, é preciso ter esta mística de uma vida em Deus e com Deus. Uma mística que passa pela misericórdia, pela compaixão, pelo perdão, pelo amor e pela verdade. Vai abranger toda a sua vida diária, desde os pequenos detalhes do seu cotidiano. Sem escapar nada.

E vai ser exigido muito. Muita humildade. Muita caridade. Muita pureza. Muita escuta de Deus. Muito abandono. Muita abnegação. Muito “morrer” todos os dias. Muito “pegar a cruz”. E essa < imolação do Sacerdote >, essa < imolação de toda vida consagrada > é o mais difícil de se viver, de se manter, de se querer.

A imolação esta na solidão de vida, no celibato, na obediência, na fidelidade. Quem disse que é fácil ser fiel? Quem disse que é fácil manter o celibato? Quem disse que é fácil obedecer ao Evangelho? Obedecer a hierarquia? Obedecer ao Magistério? Quem disse que é fácil enfrentar a solidão de quem abriu mão de ter a sua família? Quem disse que é fácil anunciar Jesus Cristo e se tornar sua testemunha?

Quem disse que foi fácil para São José? Quem disse que foi fácil para Nossa Senhora? Quem disse que foi fácil para os Santos? Quem disse que foi fácil para São Paulo? E voltando lá para a vida deste grande Santo: quantas lutas, perseguições, dificuldades, naufrágios… Que ele soube enfrentar com destemor. Com perseverança. E com uma confiança absoluta naquele que o havia chamado: < Tudo posso naquele que me fortalece >.

Olhando para a vida de São Paulo, queremos no dia de hoje tomar posse dessas palavras para a vida de cada sacerdote, especialmente para aquele, que por qualquer razão não esta conseguindo mais viver a sua própria santidade e por conta disso não consegue mais comunicar a salvação de Cristo para as pessoas e ousamos pedir na fé: < Senhor Jesus, venha dar aos teus Sacerdotes do mundo inteiro a graça de vencer as suas maiores lutas; que eles possam, como São Paulo, dizerem: < Tudo posso, tudo espero, toda graça eu tenho naquele que me fortalece >. Faça jorrar, Senhor, do teu Coração Eucarístico as tuas graças para aqueles Sacerdotes que mais estiverem precisando. Amém. >

Com as nossas orações, Com Pe. Pio, Beata Madre Teresa de Calcutá, Beato João Paulo II e de todos os Santos do Céu !!!

Ernesto Peres de Mendonça 

A vitória da cruz !!!

 

 

 

 

 

<<<   O demônio nunca conseguirá demover uma alma que está agarrada à Cruz.  >>>

Pe. Pio

 

 

 

 

Em verdade vos digo, receberam a sua recompensa

 

 

Irmãos, evitemos o orgulho e a vã glória. Evitemos a sabedoria deste mundo e a prudência egoísta. Pois aquele que é escravo das suas tendências egoístas investe muito esforço e aplicação na formulação de discursos, mas muito menos na passagem aos actos: em lugar de procurar a religião e a santidade interiores do espírito, quer e deseja uma religião e uma santidade exteriores e visíveis aos olhos dos homens. É sobre eles que o Senhor diz: «Em verdade vos digo, receberam a sua recompensa» (Mt 6,5). Pelo contrário, aquele que é dócil ao Espírito do Senhor quer mortificar e humilhar esta carne egoísta. […] Dedica-se à humildade e à paciência, à simplicidade pura e à verdadeira paz de espírito; o que deseja sempre e acima de tudo é o temor de Deus, a sabedoria de Deus e o amor de Deus, Pai, Filho e Espírito Santo.

Ofereçamos todos os bens ao Senhor, Deus altíssimo e soberano; reconheçamos que todos os bens Lhe pertencem; demos-Lhe graças por tudo, pois é d’Ele que procedem todos os bens. Que Ele, o Deus altíssimo e soberano, o único Deus verdadeiro, obtenha e receba todas as honras e todo o respeito, todos os louvores e bênçãos, todo o reconhecimento e toda a glória; pois todo o bem está n’Ele e só Ele é bom.

São Francisco de Assis

 

São Judas Tadeu

 

 

 

Sua ligação com Jesus

 

São Judas Tadeu, nascido em Caná de Galiléia, na Palestina, era filho de Alfeu (ou Cleofas) e Maria Cleofas. O pai, Alfeu, era irmão de São José e a mãe, prima-irmã de Maria Santíssima. Portanto, Judas Tadeu era primo-irmão de Jesus, tanto pela parte do pai como da mãe.

 Um de seus irmãos, Tiago, também foi chamado por Jesus para ser apóstolo. Era chamado de Tiago Menor para diferenciar do outro apóstolo Tiago que, por ser mais velho que o primeiro, era chamado de Maior. 

Judas Tadeu tinha quatro irmãos: Tiago, José, Simão e Maria Salomé. O relacionamento da família de Judas Tadeu com o próprio Jesus Cristo, pelo que se consegue perceber na Bíblia é o seguinte: Alfeu (Cleofas) era um dos discípulos a quem Jesus apareceu no caminho de Emaús, no dia da ressurreição. Maria Cleofas, uma das piedosas mulheres que tinham seguido a Jesus desde a Galiléia e permaneceram ao pé da cruz, no Calvário, junto com Maria Santíssima . 

Dos irmãos dele, Tiago foi um dos doze apóstolos, que se tomou o primeiro bispo de Jerusalém. José, apenas conhecido como o Justo. Simão foi o segundo bispo de Jerusalém, após Tiago. E Maria Salomé, a única irmã, foi mãe dos apóstolos Tiago Maior e João evangelista. 

É de se supor que houve muita convivência de Judas Tadeu com o primo e os tios. Essa fraterna convivência, além do parentesco, pode ter levado são Marcos a citar Judas e os irmãos como irmãos de Jesus (Mc 6,3).  

Citações na Bíblia 

A Bíblia trata pouco de Judas Tadeu. Mas, aponta o importante: Judas Tadeu foi escolhido a dedo, por Jesus, para apóstolo. Quando os evangelhos nomeiam os doze escolhidos, consta sempre Judas ou Tadeu entre a relação. O livro dos Atos dos Apóstolos também se refere a ele (At 1,13). Além dessas vezes em que Judas Tadeu aparece entre os colegas do colégio apostólico, apenas uma vez é citado especialmente nas Escrituras. Foi no episódio da santa Ceia, na quinta-feira santa, narrado por seu sobrinho João evangelista (Jo 14,22). Nesta oportunidade, quando Jesus confidenciava aos apóstolos as maravilhas do amor do Pai e lhes garantia especial manifestação de si próprio, Judas Tadeu não se conteve e perguntou: “Mestre, por que razão hás de manifestar-te só a nós e não ao mundo?” Jesus lhe respondeu afirmando que teriam manifestação dele todos os que guardassem sua palavra e permaneces- sem fiéis a seu amor. Sem dúvida, nesse fato, Judas Tadeu demonstra sua generosa compaixão por todos os homens, para que se salvem todos. A fidelidade, coragem e perseverança dos Doze Grandes Homens do Evangelho, contribuíram para que o nome de Jesus viesse ser o mais admirado, citado e respeitado dos nomes. 

A vida de São Judas Tadeu 

Depois que os Apóstolos receberam o Espírito Santo, no Cenáculo em Jerusalém, iniciaram a construção da Igreja de DEUS, com a evangelização dos povos. São Judas iniciou sua pregação na Galiléia. Depois viajou para a Samaria e outras populações judaicas. Tomou parte no primeiro Concílio de Jerusalém, realizado no Ano 50. A seguir, foi evangelizar a Síria, Armênia e Mesopotâmia (atual Pérsia), onde ganhou a companhia de outro apóstolo, Simão, o “zelote”, que evangelizava o Egito. 

A pregação e o testemunho de São Judas Tadeu, foi realizado de modo enérgico e vigoroso, que atraiu e cativou os pagãos e povos de outras religiões que se converteram ao cristianismo. Ele mostrou que sua adesão a CRISTO era completa e incondicional, testemunhando sua fé com doação da própria vida. 

São Jerônimo nos assegura que o Apóstolo pregou e evangelizou Edessa, bem como em toda Mesopotâmia (Pérsia). 

No ano 70, foi martirizado de modo cruel, violento e desumano; morrendo a golpes de machado, desferidos por sacerdotes pagãos, por se recusar a prestar culto à deusa Diana. 

Devido ao seu martírio, São Judas Tadeu é representado em suas imagens/estátuas segurando um livro, simbolizando a palavra que anunciou, e uma machadinha, o instrumento de seu martírio. 

Suas relíquias atualmente são veneradas na Basílica de São Pedro, em Roma. Sua festa litúrgica celebra-se, todos os anos, na provável data de sua morte: 28 de outubro de 70.  

Curiosidades acerca de São Judas Tadeu

  • Santa Gertrudes e São Bernardo de Claraval entre muitos outros Santos, também foram fervorosos cultivadores do culto a SÃO JUDAS TADEU. Santa Gertrudes escrevendo sua biografia, conta que JESUS lhe apareceu aconselhando invocar São Judas Tadeu, até nos “casos mais desesperados”. A partir de então, cresceu a fé do povo na especial intercessão do Santo, principalmente nos “casos impossíveis”.
  • Certa vez, Santa Brígida estava orando, quando teve uma visão de Jesus. Este lhe disse: Invocai com grande confiança ao meu ap´sotolo Judas Tadeu.Prometo socorrer a todos quantos por seu intermédio a mim recorrerem.  
  • Conforme conta o historiador Eusébio, Judas Tadeu teria sido o esposo nas núpcias de Caná (bodas de Caná), isso explicaria a presença de Maria e de Jesus.
  • Devido à notoriedade de Tiago na Igreja primitiva, Judas Tadeu era sempre lembrado como o irmão de Tiago
  • No texto grego São JUDAS é chamado LEBEU que significa: “LEB” – CORDATO, BONDOSO, OU CORAJOSO. TADEU porém, vem da palavra siríaca “THAD” que quer dizer: MISERICORDIOSO, BENIGNO.
  • Nome de São JUDAS foi muitas vezes substituído pelo de TADEU, por causa do nome de Judas Iscariotes, o traidor. Os próprios Evangelistas como São João, ao se referirem a São JUDAS TADEU, Apóstolo, diziam: JUDAS, não o Iscariotes ou o traidor.
  • Apóstolo cujo nome lembra o “traidor” de JESUS, Judas Iscariotes, teve sua devoção esquecida durante muitos séculos. Mas a Providência Divina se manifestou no momento oportuno, para exaltar as suas qualidades e notável humildade, transformando-o no querido e poderoso Santo intercessor das “causas impossíveis”, que consegue junto ao CRIADOR as graças necessárias, em benefício de todos aqueles que buscam e procuram o seu inestimável auxílio.

 

 

O amor vence o mal

 

 

 

 

Queridos irmãos e irmãs:

Hoje, o cotidiano encontro da audiência geral assume um caráter particular, já que estamos na véspera do Dia de Reflexão, Diálogo e Oração pela Paz e a Justiça no mundo, que acontecerá amanhã em Assis, 25 anos depois do primeiro histórico encontro convocado pelo Beato João Paulo II. Eu quis dar e este encontro o título de “Peregrinos da verdade, peregrinos da paz”, para expressar o compromisso que queremos renovar solenemente, junto aos membros de diversas religiões, e também com homens não-crentes, mas que buscam com sinceridade a verdade, na promoção do verdadeiro bem comum da humanidade e na construção da paz. Como já tive a oportunidade de recordar, “quem está no caminho rumo a Deus não pode deixar de transmitir paz; quem constrói a paz não pode deixar de aproximar-se de Deus”.

Como cristãos, estamos convencidos de que a contribuição mais valiosa que podemos oferecer à causa da paz é a da oração. Por este motivo, nós nos encontramos hoje como Igreja de Roma, junto aos peregrinos presentes na Urbe, na escuta da Palavra de Deus, para invocar com fé o dom da paz. O Senhor pode iluminar a nossa mente e os nossos corações e guiar-nos para ser construtores de justiça e de reconciliação nas nossas realidades cotidianas e no mundo.

Na leitura do profeta Zacarias, que acabamos de escutar, ressoou um anúncio repleto de esperança e de luz (cf. Zc 9,10). Deus promete a salvação, convida a “alegrar-nos muito”, porque esta salvação se concretizou. Fala-se de um rei: “Agora o teu rei está chegando, justo e vitorioso” (v.9), mas o que é anunciado não é um rei que se apresenta com a potência humana, a força das armas; não é um rei que domina com o poder político e militar; é um rei manso, que reina com humildade e suavidade frente a Deus e aos homens, um rei diferente com relação aos grandes soberanos do mundo: “Vem montado num jumento, num burrico, filhote de jumenta”, diz o profeta (ibidem). Manifesta-se cavalgando no animal das pessoas comuns, do pobre, em contraste com os carros de guerra dos exércitos dos potentes da terra. Inclusive é um rei que fará desaparecer tais carros, destruirá os arcos de batalha, anunciará a paz às nações (cf. v. 10).

Mas quem é este rei de que fala o profeta Zacarias? Vamos, por um momento, a Belém e escutemos de novo o que o anjo diz aos pastores que velam à noite, guardando o seu próprio rebanho. O anjo anuncia uma alegria que será a de todo o povo, vinculada a um sinal pobre: uma criança envolta em faixas e deitada numa manjedoura (cf. Lc 2,8-12). E a multidão celeste canta “Glória a Deus no mais alto dos céus, e na terra, paz aos que são do seu agrado!” (v. 14), aos homens de boa vontade. O nascimento daquele menino, que é Jesus, leva um anúncio de paz para o mundo inteiro. Mas vamos também aos momentos finais da vida de Cristo, quando entra em Jerusalém acolhido por uma multidão em festa. O anúncio do profeta Zacarias da vinda de um rei humilde e manso voltou à mente dos discípulos de Jesus de maneira especial, depois dos acontecimentos da paixão, morte e ressurreição, do mistério pascal, quando revisaram, com os olhos da fé, o feliz ingresso do Meste na Cidade Santa. Ele cavalgava sobre um burro emprestado (cf. Mt 21,2-7): não sobre uma rica carruagem, não a cavalo, como os grandes. Não entra em Jerusalém acompanhado de um potente exército de carros e cavaleiros. Era um rei pobre, o rei dos que são os pobres de Deus. No texto grego aparece o termo praeîs, que significa os mansos, os humildes; Jesus é o rei dos anawim, dos que têm o coração livre da ambição do poder e da riqueza material, da vontade e da busca do domínio sobre o outro. Jesus é o rei dos que têm essa liberdade interior que os torna capazes de superar a avidez, o egoísmo que há no mundo, e que sabem que só Deus é a sua riqueza.

Jesus é o rei pobre entre os pobres, manso entre os que querem ser mansos. Dessa maneira, Ele é o rei da paz, graças à potência de Deus, que é a potência do bem, a potência do amor. É um rei que fará desaparecer os carros e cavalos de batalha, que destroçará os arcos de guerra; um rei que leva a seu cumprimento a paz a partir da cruz, unindo a terra e o céu e colocando uma ponte fraterna entre os homens. A cruz é o novo arco de paz, sinal e instrumento de reconciliação, de perdão, de compreensão, sinal de que o amor é mais forte que toda violência, toda opressão, mais forte que a morte: o mal é vencido com o bem, com o amor. Este é o novo reino de paz no qual Cristo é o rei; e é um reino que se estende sobre toda a terra. O profeta Zacarias anuncia que este rei manso, pacífico dominará “de mar a mar e do rio até os confins da terra” (Zc 9,10). O reino que Cristo inaugura tem dimensões universais. O horizonte deste rei pobre, humilde, não é o de um território, de um Estado, mas dos confins do mundo; para além de toda barreira de etnia, língua, cultura, cria comunhão, cria unidade. E onde vemos realizar-se atualmente este anúncio? Na grande rede das comunidades eucarísticas, que se estende sobre toda a terra, reemerge luminosa a profecia de Zacarias. É um grande mosaico de comunidades nas quais se faz presente o sacrifício de amor deste rei manso e pacífico; é o grande mosaico que constitui o “Reino de paz” de Jesus de mar a mar, até os confins do mundo; é uma multidão de “ilhas de paz” que irradiam paz. Por todos os lados, em todas as realidades, em toda cultura, das grandes cidades, com seus edifícios, aos pequenos povoados, com as moradias humildes; das potentes catedrais às pequenas capelas. Ele vem e se faz presente; e, ao entrar em comunhão com Ele, também todos os homens se unem entre si em um único corpo, superando divisões, rivalidades, rancores. O Senhor vem na Eucaristia para tirar-nos do nosso individualismo, das nossas particularidades, que excluem os outros, para formar, conosco, um só corpo, um só reino de paz em um mundo dividido.

Mas como podemos construir este Reino de paz em que Cristo é o Rei? O mandamento que Ele deixa aos seus apóstolos e, por meio deles, a todos nós é: “Ide e fazei discípulos todos os povos (…) Eu estarei convosco até o fim do mundo” (Mt 28,19-20). Como Jesus, os mensageiros da paz do seu Reino devem colocar-se em caminho, devem responder ao seu convite. Devem ir, mas não com a potência da guerra ou com a força do poder. Na leitura do Evangelho que ouvimos, Jesus envia 72 discípulos à grande messe que é o mundo, convidando-os a rezar para que o Senhor da messe envie operários à sua messe (cf. Lc 10,1-3); mas não os envia com meios potentes, e sim “como cordeiros no meio de lobos” (v. 3), sem bolsa nem cajado, sem sandálias (cf. v. 4). São João Crisóstomo, em uma das suas homilias, comenta: “Sempre que formos cordeiros, venceremos e, ainda que estejamos cercados por muitos lobos, conseguiremos superá-los. Mas se nos tornarmos lobos, seremos derrotados, porque nos faltará a ajuda do Pastor” (Homilia 33, 1: PG 57, 389). Os cristãos não devem ceder jamais à tentação de converter-se em lobos entre os lobos; o reino de paz de Cristo não se estende com o poder, com a força, com a violência, mas com o dom de si mesmo, com o amor levado ao extremo, também aos inimigos. Jesus não vence o mundo com a força das armas, mas com a força da cruz, que é a verdadeira garantia da vitória. E isso tem como consequência para quem quer ser discípulo do Senhor, seu enviado, o estar preparado para a paixão e para o martírio, para perder a própria vida por Ele, para que no mundo triunfe o bem, o amor, a paz. Esta é a condição para poder dizer, entrando em toda realidade: “Paz a esta casa” (Lc 10,5).

Na frente da Basília de São Pedro se encontram duas grandes estátuas dos santos Pedro e Paulo, facilmente identificáveis: São Pedro tem nas mãos as chaves; São Paulo, no entanto, tem nas mãos uma espada. Para quem não conhece a história deste último, poderia pensar que foi um grande general que conduziu potentes exércitos e que, com a espada, submeteu povos e nações, procurando a fama e a riqueza com o sangue dos outros. No entanto, é exatamente o contrário: a espada que tem nas mãos é o instrumento com que Paulo foi morto, com que sofreu o martírio e espalhou seu próprio sangue. Sua batalha não foi a da violência, da guerra, mas a do martírio por Cristo. Sua única arma foi o anúncio de “Jesus Cristo, e Cristo crucificado” (1Cor 2,2). Sua pregação não se baseou em “discursos persuasivos de sabedoria, mas na manifestação do Espírito e da sua potência” (v.4). Dedicou sua vida a levar a mensagem de reconciliação e de paz do Evangelho, gastando suas energias em fazê-lo ressoar até os confins da terra. E esta foi a sua força: não buscou uma vida tranquila, cômoda, longe das dificuldades, das contrariedades, mas se consumiu pelo Evangelho, doou-se sem reservas, e assim se tornou o grande mensageiro da paz e da reconciliação de Cristo. A espada que São Paulo tem nas mãos recorda também a potência da verdade, que às vezes pode ferir, pode causar dano; o Apóstolo permaneceu fiel a esta verdade, serviu-a, sofreu por ela, entregou sua vida por ela. Esta lógica também serve para nós, se quisermos ser portadores do reino de paz anunciado pelo profeta Zacarias e realizado por Cristo: devemos estar dispostos a pagar em primeira pessoa, a sofrer em primeira pessoa a incompreensão, a rejeição, a perseguição. Não é a espada do conquistador que constrói a paz, mas a espada do sofredor, daquele que sabe dar a própria vida.

Queridos irmãos e irmãs, como cristãos, queremos invocar de Deus o dom da paz; queremos pedir-lhe que nos converta em instrumentos da sua paz, em um mundo lacerado pelo ódio, pelas divisões, pelos egoísmos, pelas guerras; queremos pedir-lhe que o encontro de amanhã em Assis favoreça o diálogo entre as pessoas de diversa pertença religiosa e que leve um raio de luz capaz de iluminar a mente e o coração de todos os homens, para que o rancor dê lugar ao perdão, a divisão à reconciliação, ódio ao amor, a violência à mansidão, e no mundo reine a paz. Amém.

[No final da audiência, Bento XVI saudou os peregrinos em vários idiomas. Em português, disse:]

Queridos irmãos e irmãs:

Com alegria, vos acolho na Basílica de São Pedro e dou as minhas cordiais boas-vindas a todos vós que não conseguistes lugar na Aula Paulo VI. Vivei sempre unidos a Cristo e testemunhai com alegria o Evangelho. De coração, concedo a todos vós a minha Bênção.

Uma saudação amiga e encorajadora para todos os peregrinos de língua portuguesa, com menção especial dos grupos brasileiros de Aracaju, Cachoeira Paulista, Gama, Recife e Rio de Janeiro. Conto com a vossa oração pelos Representantes das várias Religiões que amanhã se reúnem em Assis, a bem da justiça e da paz sobre a terra. Sobre vós e vossos familiares, desça a minha Bênção.

Papa Bento XVI

[Tradução: Aline Banchieri. ©Libreria Editrice Vaticana]