Uma Quaresma de oração pelos Sacerdotes

 

 

Aproveitando este vídeo feito dentro  do Ano Sacerdotal, queremos convidar você para participar de uma Quaresma de oração pelos Sacerdotes, começando amanhã dia 30 de Outubro e indo até o dia 08 de Dezembro.

A quaresma de  oração de um terço diário e ou Missa diária  na intenção do Sacerdote da sua Paróquia e também do  Bispo da  sua Diocese, consagrando-os à Imaculada Conceição.

 

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Nossa oração pelos padres no dia de hoje:

 

Todo Sacerdote  esta  ligado  à pessoa de Jesus Crucificado. Um não se separa mais do outro. Mais que ligado:  sua vida está em Cristo.  Não são mais pessoas distintas, se tornaram  uma só pela graça do Sacramento da Ordem.

Todo padre é chamado a ser a presença de Jesus no mundo. Presença de Jesus  significa:  ser portador da sua salvação para todos, e de um modo especial para aqueles que mais precisarem. É fazer com que as pessoas sejam alcançadas por esta salvação !

Estamos vivendo um momento da nossa Igreja de vermos  acontecer uma falência das Dioceses, justamente pela perda desta Identidade Sacerdotal.

No dia de hoje, dia de São Judas queremos colocar todos os Sacerdotes do mundo inteiro, também os Bispos, Cardeais e Arcebispos,  e mesmo os Religiosos e Religiosas ligados ao martírio de cada um dos apóstolos de Jesus.  

 

São Judas Tadeu Rogai  pelos Sacerdotes de Cristo

Vamos rezar juntos: 1 Pai Nosso, 1a Ave Maria, 1 Glória ao Pai  

 

Ernesto Peres de Mendonça

 

PELAS MÃOS DO SACERDOTE:

 

 

<<< Jesus Cristo foi imolado, uma vez, de maneira cruenta, sobre a Cruz; é agora imolado cada dia, sacramentalmente (na Eucaristia) pela salvação do povo >>>

SANTO AGOSTINHO

 

Veni Creator Spiritus

 

 
Veni, creátor Spíritus,
mentes tuórum vísita,
imple supérna grátia,
quae tu creásti, péctora.

Qui díceris Paráclitus,
donum Dei altíssimi,
fons vivus, ignis, cáritas
et spiritális únctio.

Tu septifórmis múnere,
dextrae Dei tu dígitus,
tu rite promíssum Patris
sermóne ditans gúttura.

Accénde lumen sénsibus,
infúnde amórem córdibus,
infírma nostri córporis
virtúte firmans pérpeti.

Hostem repéllas lóngius
pacémque dones prótinus;
ductóre sic te práevio
vitémus omne nóxium.

Per te sciámus da Patrem
noscámus atque Fílium,
te utriúsque Spíritum
credámus omni témpore. Amen.

 

 

Oração pelas vocações

Jesus, mestre divino, que chamastes os apóstolos a vos seguirem, continuai a passar pelos nossos caminhos, pelas nossas famílias, pelas nossas escolas e continuai a repetir o convite a muitos de nossos jovens. Dai coragem às pessoas convidadas. Dai força para que vos sejam fiéis como apóstolos leigos, como Sacerdotes, como Religiosos e Religiosas, para o bem do povo de Deus e de toda a humanidade. Amém.

Papa Paulo VI

 

A Mística do Sacerdócio

 

Para responder à sua identidade mais profunda, que é teo-ontológica, o presbítero é chamado a ser antes de tudo o que é: um “homem de Deus” (lTm 6,11). Um homem que vive profundamente imerso no mistério trinitário: abandonado e inteiramente disponível à vontade do Pai; empenhado no seguimento de Jesus e no prosseguimento do seu Evangelho através da prática da caridade pastoral; conduzido pela liberdade do Espírito numa vida de comunhão e esperança. Isso não é idealismo, mas a verdade do “tesouro” de que o presbítero é portador, embora sendo um “vaso de barro” (2Cor 4,7).

Jesus quis que os “Doze” por Ele escolhidos “convivessem com Ele”, “permanecessem com Ele”, para depois enviá-los cm missão (Mc 3,13-15 e Lc 6,12-16). Na verdade, só pode ter o título e a missão de “apóstolo” – como propôs Pedro – quem acompanhou” o “Senhor Jesus todo o tempo em que entrou e saiu à nossa frente”, para poder assim se tornar credível “testemunha de sua ressurreição” (cf. At 1,21-22). Só através dessa convivência e íntima comunhão como discípulo, o presbítero conhecerá o mistério de Jesus e poderá assim comunicá-lo aos outros como apóstolo.

Por toda a Bíblia, sabemos que só a experiência de Deus e o chamado carismático que lhe segue constituem de fato o apóstolo e o profeta. Eles são testemunhas: antes de serem pessoas que falam e anunciam, foram pessoas que viram e ouviram. Sem experiência de Jesus, não há anúncio realmente evangelizador, mas apenas transmissão dc doutrinas abstratas ou propaganda mercantil. “As pessoas de hoje, marcadas pela cultura fragmentada e cética da pós-modernidade, solicitam dos evangelizadores não uma teoria, nem uma simples atestação da sua fé, mas uma experiência de vida a ser comunicada e partilhada. Cobram o que João, em sua primeira carta, prometia aos seus discípulos: “Aquilo que existia desde o princípio, o que ouvimos, o que vimos com nossos olhos, o que contemplamos e o que iiossas mãos apalparam: – falamos da Palavra , que é a Vida. Porque a Vida se manifestou, nós a vimos, dela damos testemunho e lhes anunciamos a Vida Eterna” (1 lo, 1,1-2)’.

A essas razões de ordem teológica que priorizam a dimensão espiritual do presbítero, se agregam razões de ordem cultural: a situação atual de intensa busca espiritual, que leva a valorizar o ministério sagrado do presbítero, sem necessariamente com isso desencarná-lo. Diante da busca da experiência de Deus, tão característica de nossa época e que, certamente irá marcar o Novo Milênio, torna-se cada vez mais urgente a prática da profecia de Puebla: “O presbítero é um homem de Deus. Todavia, só lhe é dado ser profeta na medida em que tenha feito a experiência do Deus vivo. Só esta experiência o fará portador duma Palavra poderosa para transformar a vida pessoal e social das pessoas, de conformidade com o desígnio do Pai” (DP 693).

Fundamentos da mística presbiteral

A raiz espiritual do ministério pastoral se manifesta no nexo íntimo que existe entre “ministério” e “mistério” e “mística”. O “ministério” pastoral nasce do “mistério” da vocação e do envio divinos e por isso solicita uma “mística”. Portanto, todo ministério, por haurir do mistério, carrega uma mística. Assim, o ministro é um consagrado do Espírito e é por isso um místico ou um espiritual.

Essa vocação mistérica ou espiritual do presbítero se manifesta de modo todo particular na unção sacramental da Ordenação. Aí ele é plasmado pelo Espírito e transformado em “homem de Deus”. Toma-se um “consagrado” a partir de seu interior. Pois o Espírito, tudo o que toca, transforma e vivifica.

Além do mais, na atual conjuntura e no clima cultural em que vivemos, o presbítero que atua como mero funcionário do sagrado, como profissional da religião ou o burocrata de uma instituição eclesiástica teria um valor mínimo. Ele não é um simples “prestador de serviços”, religiosos ou sociais que sejam.

ANTONIAZZI, Alberto, “Mística e Espiritualidade do Presbítero”, in Instrumento Preparatório para o 601»NP, 1996, p. 31.

2 Cf. Clodovis BOFF, Perspectivas da experiência religiosa para o próximo Milênio, em: Márcio Fabri dos ANJOS (org.), Sob o fogo do Espírito, SOTERIPauIinas, São Paulo, 1998, p. 303-345.

 
Ele é, sim, o alto “intendente dos mistérios de Deus” (lCor 4,1). O que as pessoas de hoje admiram no presbítero é a alegria da sua doação, a beleza e a coerência da sua vida, a sinceridade e a autenticidade com que procura ser fiel, apesar das muitas dificuldades, à sua vocação de profeta, pastor e sacerdote.

 Se o “cristão do século XXI será um místico ou não será nada” (K. Rahner), isso vale a partir do “novo presbítero”. Mais ainda: o presbítero não será só místico, mas também mistagogo dos irmãos e irmãs de caminhada. “Os cristãos esperam encontrar no presbítero não só um homem que os acolhe, que os escuta com todo o respeito e lhes testemunha uma sincera simpatia, mas também e sobretudo um homem que os ajuda a ver Deus, a chegar até ele”(PDV 47).

Por conseguinte, um presbítero que não responder à fome e sede de Deus do novo Milênio, não estará à altura de seu tempo e menos ainda à altura de sua elevada vocação e missão. As Diretrizes Pastorais elaboradas para 1991-1994 já traziam essa preciosa e atual orientação: “O êxito da evangelização depende, em grande parte, da espiritualidade e da mística de quem evangeliza” (DGAP 45, ri0 186)

Linhas da Espiritualidade presbiteral 

Mas como se vive concretamente a mística presbiteral? Daremos aqui três linhas, que correspondem, de resto, às três especificações do ministério do presbítero, enquanto participa do tríplice múnus de Cristo, respeetivamente sacerdote (eucaristia), profeta (escritura) e pastor (caridade pastoral).

Portanto, a mística do presbítero será, em primeiro lugar, uma mística profundamente eucarística. Uma mística que tenha sua “fonte” e seu “cume” na Eucaristia (cf. PO 5,1; 6,5; 14,2). Como ensina Tomás de Aquino, ela contém “todo o bem espiritual da Igreja” (PO 5,~). E efetivamente na Eucaristia que encontramos tudo: Cristo com o Pai e o Espírito, a Comunidade com seus Pastores, a oração da Comunidade e toda a sua vida, trazida como matéria da oferenda, da intercessão e da ação de graças. A Eucaristia, como sacramento da comunhão, realiza a síntese da Igreja e o Mundo, da ação e contemplação, do ministério ordenado e dos Leigos, de Deus e o gênero humano.

Karl Rahner, numa homilia de primeira missa, dizia de modo inspirado: “Sempre, nessa hora, está presente, como Sacrificado e Vitorioso ao mesmo tempo, Aquele que é em si a unidade do Enigma e da Solução, a unidade da Terra e do Céu, a unidade do Homem e de Deus – na celebração daquele instante único no qual, sobre a Cruz, a extrema Distância entre essas realidades tornou-se inseparável Proximidade’?’

Será, em seguida, uma espiritualidade bíblica, que se alimente da Palavra de Deus e nela se inspire sempre. “A Igreja vive da Palavra e dela depende como a água de sua fonte” (DV 7, 21). O presbítero, antes de ser servidor da Palavra, será discípulo e ouvinte, abeirando-se dela com o coração dócil e orante. “Recebe o Evangelho de Cristo, do qual foste constituído mensageiro; transforma em fé viva o que lês, ensina aquilo que crês, e procura realizar o que ensinas” (Rito da Ordenação Diaconal). O presbítero deve ser o primeiro crente na Palavra, consciente de que as palavras do seu ministério não são suas, mas Daquele que o enviou. Desta Palavra ele não é dono, mas servo. Não é o único possuidor, mas devedor cm relação ao Povo de Deus.

Por fim, será uma espiritualidade pastoral, toda orientada para missão (cf. PDV 12 e 33). Será, mais concretamcnte, uma espiritualidade centrada na “caridade pastoral”, vivida em sua dupla vertente: amor ao Bom Pastor e amor às pessoas que Ele confia ao nosso ministério. Assim, além de promover a necessária integração entre vida interior e ação evangclizadora, santidade pessoal e ministério, a caridade pastoral aponta uma pista mais ampla: “Postula, pois, a caridade pastoral que os presbíteros – para não correrem cm vão – trabalhem sempre em vínculo de comunhão com os bispos e com os demais irmãos no sacerdócio” (PO 14). A caridade pastoral não se limita ao aspecto subjetivo, pessoal, mas alcança uma dimensão objetiva, eclesial; apoia-se na comunhão com o bispo e com o presbitério e assume as decisões da pastoral de conjunto em âmbito nacional (Diretrizes da CNBB), diocesano (Plano Diocesano) e paroquial.

 Sul sacerdozio, Col. Meditazioni teologiche 7, Queriniana, Brescia, 1966, p. 25.

Presbítero:   um “homem de oração”

De maneira simples e direta, o presbítero será um “homem de oração”. Sem isso, não passará de um mero propagandista de doutrinas ou de um negociante de coisas sagradas. O encontro pessoal com Cristo e a prática do ministério do amor pastoral com os “olhos fixos n’Ele” (Lc 4,20) constituem a identidade profunda do presbítero. Ora, “só à força de olhá-lo, é que se acaba amando a Jesus Cristo; mas só o olhamos bem de joelhos.”4

 E depois: só amamos profundamente e até o fim o povo, especialmente os pobres e excluídos, se temos um grande amor a Jesus Cristo. Assim se deu com Pedro, que foi convidado a apascentar os discípulos a partir de seu amor incondicional por Jesus (cf. Jo 2 1,15-17). E assim foi também com Paulo, para quem a paixão missionária ardia pelo fogo da caridade divina: “Para mim o viver é Cristo”(FI 1,21) e “O amor de Cristo nos impulsiona” (2Cor 5,14).

Para que Deus se sirva de nós, devemos antes nós servir a Deus. Para falar bem de Deus, precisamos antes falar – e muito – com Ele. Então nossa pastoral será não só uma ação para Deus (em seu favor) mas também uma ação por Deus (por meio d’Ele). Para que Josué vença com as armas, na planície, é preciso que Moisés levante os braços em oração, na montanha (cf. Ex 17,8-16).

Mas aqui é preciso ser concreto e prático. Para nutrir uma robusta e sólida espiritualidade torna-se indispensável reativar os “meios” enumerados pelas atuais “Diretrizes Básicas’ da Formação Presbiteral”: “O processo de crescimento espiritual é possível somente pelo esforço sincero e permanente de conversão, que significa disponibilidade aos novos apelos de Deus e empenho em corrigir falhas e pecados do homem velho. Este processo encontra dinamismo:

.  na escuta atenta da Palavra de Deus;

.  na sensibilidade aos “sinais dos tempos” e discemimento dos acontecimento da vida;

.  na vivência de todos os sacramento e de toda a liturgia;

.  no serviço ao povo pela caridade pastoral;

.  na disponibilidade missionária;

.  na partilha comunitária e comunhão eclesial;

.  na oração pessoal, espontânea e contemplativa;

.  na direção espiritual” (DBFP 126).
 

A santidade do presbítero irradia sem dúvida sobre a comunidade. O presbítero há de ser para o povo o que João XXIII queria ser: uma “fonte na praça”. Mas o que acontece quando essa fonte enfraquece e seca?

Uma Espiritualidade a partir do Ministério

Sem dúvida, uma questão sempre recorrente na vida do presbítero, porque vital e ao mesmo tempo desafiadora, é harmonizar contemplação e ação.

Todos sabem que a espiritualidade alimenta o ministério. Mas não se dá também o oposto: o ministério alimentando a espiritualidade? Não é o presbítero um homem de vida ativa? Não é ele chamado a ser um contemplaüvus in actione? Pois, se a espiritualidade presbiteral é esscncialrnente voltada para a missão, essa deve poder retro-alimentar a espiritualidade.

“Pe. LONGHAYE, ap. F. CUTTAZ, Apostolat, em: DSp, Paris, 1937, t. 1, col. 777.

Convém, pois, que o presbítero busque uma metodologia que o ajude a ver a presença de Deus em seu próprio ministério. Pois é no e pelo exercício de seu próprio ministério que o presbítero encontra Deus e se santifica. “Imitai o que fazeis” – diz o rito da Ordenação (cf. Po 13,3). E é assim, aliás, que o Magistério recoloca hoje a relação entre a espiritualidade e a pastoral na vida do presbítero (cf. PO 12-14; PDV 24-26; 78,4). Pensa-se aqui numa espécie de “círculo virtuoso” pela qual a espiritualidade nutrirá o ministério e essa àquela.

 A verdade, porém, é que a vida ativa, mesmo presbiteral, é hoje tão dispersiva e tantas vezes extenuante que parece não “fornecer um alimento indispensável” que o presbítero espera ‘para fomentar sua vida espiritual”. Cadê o “precioso alimento espiritual” (PVD 78,4) de que o presbítero precisa para seu crescimento espiritual? No fim de um “domingo cheio”, o presbítero muitas vezes tem a sensação de um grande desgaste interior, além de físico.

 Para o Ministério “retro-alimentar” a Espiritualidade

 Urge buscar caminhos concretos para que a pastoral possa retro-alimentar a espiritualidade. Sugerimos aqui apenas algumas pistas:

1. Beber no poço do nosso ministério como nos ensina o Vaticano II: “Caminho de santificação para o presbítero éo próprio exercício do seu ministério, de modo a tirar dele todo proveito espiritual” (PO 13). Colocando em prática essa lúcida intuição superaremos falsos dualismos que opõem contemplação e ação, oração e pastoral, pois ensinando, o presbítero também escuta e aprende com os fiéis; pregando a Palavra é também evangelizado; celebrando e santificando, o presbítero também ora e se santifica; servindo e coordenando a comunidade, torna-se epifania e sacramento do Bom Pastor. Vivido desse modo, o ministério torna-se fonte de espiritualidade, já que’seu centro é o amor ao Deus do Reino e a caridade pastoral para os irmãos.

2. Realizar a ação evangelizadora com a devida serenidade, com unção, como uma ação religiosa. A pastoral toda deve ser vivida como uma grande celebração, como preparação e prolongamento da Eucaristia. O presbítero não pode se entregar ao seu trabalho de modo tão obsessivo que pareça um workaholic. O erro do ativismo não está na quantidade de atividades, mas no modo precipitado, irrefletido e desconexo de desenvolvê-las. A evangelização exige uma ação refletida e conseqüente, disciplinada e exigente.

3. Recuperar a antiga e eficaz prática das jaculatórias, que estamos reaprendendo dos orientais com a repetição de “mantras”, de refrões contemplativos, de pequenos versículos da Palavra de Deus. Desse modo, mesmo estando mergulhados nas atividades, podemos lançar a Deus um olhar rápido, ainda que furtivo, espiritualizando o que estamos fazendo. Assim, “descobriremos a presença de Deus lá onde as pessoas vivem, trabalham, amam, riem e choram. Essa experiência pessoal de Deus, essa vivência mística, não está destinada a ficar fechada no íntimo do indivíduo, mas se tornará a base do testemunho: não de urna vida abstrata, apenas proclamada em palavras, mas de uma verdade que se faz vida e expressa a comunhão com Deus na comunhão com os irmãos “.

Cf. igualmente SÍNODO DOS BISPOS, (1971), O sacerdócio ministerial, 68 e 70. Para os Seminaristas o decreto Optatam totius dá a seguinte recomendação: “Aprendam a encontrar a Cristo nos homens, particularmente nos pobres…”

(8,1); e ainda: “Aprendam a fortalecer sempre mais sua vida espiritual através da própria ação pastoral” (9,2). Cf. enfim para os Leigos: JOÃO PAULO II, Christifideles laici (1988), 59.

O  próprio Tomás de Aquino defende a possibilidade de a “ação favorecer a contemplação”, não certamente por seu lado puramente exterior e – diríamos – de agitação, mas sim enquanto proporciona uma centração interior, uma integração da mente: cf. Summa Theologica, 11-11, q. 183, a. 3, toda.

‘ SINODO DOS BISPOS (1971), O Sacerdócio Ministerial, 70.

8 Prática dos Anacoretas da Tebaida e recomendada, entre outros, por Sto. AGOSTINHO, Carta a Proba, sobre a oração:

Ep. 120, 20; e por 5. Francisco de SALLES, Filotéia, parte 11, cap. 13.

VVAA, Espiritualidade Sem Medo, Perspectivas da Implantação do PRNM, Dom Bosco, São Paulo, 1996, p.2O-2I.

Por fim, aproveitar de alguns sinais particularmente claros da presença de Deus dentro do próprio trabalho. Dentre esses sinais, existem dois particularmente fortes:

– Os santos e outras pessoas evangélicas que encontramos no ministério e que nos tocam por sua fé, nos edificam e nos estimulam a seguir mais fielmente a Cristo. Freqüentemente, “o presbítero é confortado pelo exemplo dos fiéis”.’

 Trata-se de cristãos, imbuidos de profunda “experiência cristã”, “simples”, “enamorados” e “empenhados” (PDV 78,4);

– Os pobres, que, por seu sofrimento e por sua paixão dc viver, nos obrigam à oração e nos convocam à generosidade e ao amor. Como confidentes especiais dos segredos de Deus (cf. Mt 11 ,25-27), os pobres realmente nos evangelizam (cf. Puebla 1147). Dizia um discípulo de Charles de Foucauld, o Pe. Peyriguôre: “Passar o dia cuidando da carne de Jesus sob as espécies dos irmãos infelizes: é isso tornar-se contemplativo.””

Espiritualidade:   questão de fundamento e de prioridade

Nunca é demais insistir nisto: que a espiritualidade é de suprema importância para todo discípulo de Jesus e de um modo particular para o presbítero. Trata-se aí com efeito de uma questão dos fundamentos de seu ministério. Vimos, efetivamente, que esse se funda numa investidura mistérico-sacramental: a unção do Espírito. Espiritualidade é questão do espírito: do Espírito Santo agindo no espírito humano. E de vez que o Espírito/espírito é vida, a oração representa uma “questão vital”. “Sabe viver bem, quem sabe rezar bem” – disse S. Agostinho.

A espiritualidade, por tanto, será a prioridade “número 1” do presbítero (cf. PDV 45). E isso por uma razão de princípio, pois o presbítero é o oikonómos do Reino, ou seja o “intendente de Deus” (Tt 1,7). E também por uma razão conjuntural: por causa da aguda demanda de Deus que as pessoas hoje dirigem aos ministros religiosos, ainda que de um modo confuso e ambíguo.

 Ora, a prioridade do Espírito/espírito jamais pode ser dada por descontada. No mundo espiritual não se “vive de rendas”. Há que sempre voltar ao Princípio originante de tudo. A “vida no Espírito” não é tanto o próton genético, que pode ser deixado para trás, mas é antes a arché estrutural, que é sempre vigente, como uma fonte que precisa jorrar continuamente para alimentar o rio e o lago, a chuva e o mar.

Um presbítero que não reza não vai longe ou não vai fundo, nem na vida espiritual e nem na ação pastoral. A fidelidade na fé e no ministério só se mantém em base à oração. Sejamos realistas, mesmo entre os apóstolos Jesus contou com a possibilidade do abandono: “Também vós quereis ir?” (Jo 6,68). O “vigiai e orai” do Mestre vale especialmente para o presbítero. Escreveu K. Rahner estas palavras iluminadas: “Só ao rezar está o homem inteiro imediatamente presente diante de Deus”. A fe do presbítero de hoje é fé de presbítero que reza, de presbítero mistieamente contemplativo, ou não é fé nenhuma. (…) O presbítero há de ser orante, se quiser ser crente e mensageiro da fé. (…) Temos que ser presbíteros que rezam. Que suportam rezando as trevas do vida. Mesmo se sua prece for participação na agonia do Horto ou na súplica do Abandonado por Deus na cruz.

Espiritualidade sem medo

Cristo está mais no futuro do que no passado. A nova espiritualidade necessita de um ideal, de uma meta a alcançar, de uma perspectiva que dê sentido ao seu caminhar.

O     Op. cit., nota 33. Ap. Marcello MAGRASSI, Cativados por Cristo, Paulinas, São Paulo, 1984, p. 191.

2 “Vcre novit rede vivere, qui rede novi/ orare “: Hom. IV ex 50, ap. PIO X, l-Iaerent Animo, 1 6.

13 Karl RAHNER, Novo Sacerdócio, Herder, São Paulo, 1968, p. 23-24.

Sem jogo de palavras, pode-se dizer que o cristianismo do futuro é o cristianismo aberto ao futuro. Contra uma tendência excessiva dos cristãos, especialmente no Ocidente, a pensar Cristo como uma realidade do passado, da qual nos afastamos sempre mais, que fica cada ano mais velha, é preciso mudar de perspectiva. Cristo continua vivo! Ele é o Evangelizador em sua Igreja, mas o seu poder na história humana ainda não se manifestou em todo o seu esplendor, nem em toda a sua força. Cristo está mais no futuro do que no passado. O cristão deve estar voltado para a vinda do Reino, da glória de Cristo. Não deve conceber sua vida como mera repetição do que já aconteceu, mas como descoberta do que é novo, nova criação (cf. Ap 21).

 Ignácio I-Iazim, metropolita ortodoxo da Síria, na Conferência Ecumênica dc Upsala, cm agosto de 1968, pronunciou estas palavras proféticas: “A novidade criadora não tem sua explicação no passado, mas no futuro. E evidente que a ação do Deus vivo não pode ser senão uma ação criadora. A maravilha de Deus que se revela em Abraão, Isaac e Jacó está no fato que o seu ato criador vem do futuro. E um ato profético. Deus vem ao mundo para encontrá-lo. Está diante de nós e chama, arrasta, envia, liberta e faz crescer…O evento pascal, realizado uma vez para sempre, de que forma se torna nosso! E por meio do seu próprio artífice: o Espírito Santo! Ele é a presença do Deus-conosco, unido ao nosso espírito (Rm 8, 16). Sem o Espírito, Deus fica longe, Cristo permanece no passado, o Evangelho é letra morta, a Igreja uma simples organização, a autoridade é domínio, a missão é propaganda, o culto uma simples lembrança e o agir cristão uma moral de escravos. Mas, no Espírito, o mundo aguarda o Reino, o homem luta contra o mal, o Cristo ressuscitado está presente, o Evangelho é força vital, a Igreja manifesta a comunhão trinitária, a missão é Pentecostes, a autoridade é serviço, o agir humano é divinizado. O Espírito atrai para a segunda vinda de Cristo. Com Ele, a Igreja e o mundo inteiro gritam com todo o seu ser: Vem, Senhor Jesus! Nós esperamos uma teologia (espiritualidade) profética que saiba discernir a vinda do Senhor na história”

(Espiritualidade sem Medo – Perspectivas da Implantação do Projeto, p.l7-l8).

Sigamos em frente com esperança. É hora de conduzir o barco para águas mais profundas (Lc 5,4). Diante da Igreja abre-se um novo milênio como um vasto oceano onde aventurar-se com a ajuda do Espírito. O Bom Pastor Ressuscitado convida-nos a ter o mesmo entusiasmo dos cristãos da primeira hora; podemos contar com a força do mesmo Espírito que foi derramado em Pentecostes e nos impele hoje a partir de novo sustentados pela esperança que não nos deixa confundidos”(Rm 5,5) (cf Novo Millennio lneunte, 58).

Pe Edson Damian

Presbítero da Diocese de Santa Maria, RS

Missionário na Igreja-Irmã de Roraima

Cx P.l63 – 69301-970 – BOA VISTA -RR

 BIBLIOGRAFIA

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FORMAÇÃO DOS PRESBÍTEROS DA IGREJA NO BRASIL – Diretrizes Básicas, Documentos

daCNB13 55, 1995

DiRETRIZES GERAIS DA AÇÃO EVANGELIZADORA DA IGREJA NO BRASIL

documentos da CNBI3 61, 1999

6

MISSÃO E MINISTERIOS DOS CRISTÃOS LEIGOS E LEIGAS, Documentos da CNBB 62

 ESPIRITUALIDADE PRESBITERAL HOJE, Estudos da CNBB 1,1974

 PRESBÍTEROS DO BRASIL CONSTRUINDO HISTÓRIA – Instrumentos Preparatórios aos

Encontros Nacionais de presbíteros, Paulus, São Paulo, 2001

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 A LEITURA ORANTE DA BIBLIA, Coleção “Tua Palavra é Vida”, CRB, Edições Loyola, 1990

 Karl RAHNER, NOVO SACERDÓCIO, Herder, São Paulo, 1968

 Valfredo TEPE, PRESBÍTERO HOJE, Vozes, Petrópolis, 1994

Gustavo GUTIÉRREZ, BEBER NO PRÓPRIO POÇO – Itinerário Espiritual de um Povo, Vozes, Petrópolis, 1 984

José Luis MARTÍNEZ, DE CORPO E ESPÍRITO – Vida Presbiteral e Religiosa Integrada, Paulus, São Paulo, 1996

René GUERRE, ESPIRITUALIDADE DO PRESBÍTERO DIOCESANO, Edições Paulinas, São Paulo, 1987

 Donald B. COZZENS, A FACE MUTANTE DO SACERDÓCIO – Reflexão sobre a Crise de Alma do Sacerdote, Loyola, São Paulo, 2001

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 Gaston dc MEZERVILLE, MATURIDADE SACERDOTAL E RELIGIOSA, Paulus, São Paulo, 2000, 2 volumes

 Bruno SECONDIN, ESPIRIUALIDADE EM DIÁLOGO – Novos Cenários da Experiência Espiritual, Paulinas, São Paulo, 2002

 Stefano DE FlORES, A NOVA ESPIRITUALIDADE – As Novas Espiritualidades na Igreja desafiam o futuro, Paulus, São Paulo, 1 999

 Aloísio LORSCI]EIDER, IDENTIDADE E ESPIRITUALIDADE DO PADRE DIOCESANO, in REB 241 (março 2001) p 52-67

 Aloísio LORSCHEIDER,O PERFIL ESPIRITUAL E PASTORAL DO PRESBÍTERO HOJE, in REB 246 (abril 2002) p 297-306

 Antônio Reges BRASIL, MÍSTICA E ECLESIALLDADE DO ASSESSOR DA PV, in Cadernos Vocacionais 26, Loyola, São Paulo, 1 991, p 47-76

 Edson DAMIAN, ESPIRITUALIDADE DO PRESBÍTERO DIOCESANO, in Vida Pastoral 1 82 (maio-junho) 1995, p 20-28

 

 

<< O chamado para o   Sacerdócio guarda em si mesmo uma mística. E para poder viver a sua vocação,   todo Sacerdote  deve se abanonar  plenamente nela. Nesta sua mística o Sacerdócio esta ligado à cruz de Cristo    >> 

Ernesto Peres de Mendonça