Bento XVI: com os pés na terra e o coração no céu

 

 

 

Queridos irmãos e irmãs:

Hoje, a liturgia repete uma das palavras mais impressionantes da Sagrada Escritura. O Espírito Santo as deu a nós através da pluma do chamado “segundo Isaías”, quem, para consolar Jerusalém, afetada pelo infortúnio, diz assim: “Acaso pode a mulher esquecer-se do filho pequeno, a ponto de não ter pena do fruto de seu ventre? Se ela se esquecer, eu, porém, não me esquecerei de ti!” (Isaías 49,15).

Este convite a confiar no amor infalível de Deus é apresentado junto à passagem, também sugestiva, do Evangelho de Mateus, em que Jesus exorta seus discípulos à confiança na Providência do Pai celestial, que alimenta os pássaros do céu, veste os lírios do campo e conhece todas as nossas necessidades (cf. 6, 24-34). Assim diz o Mestre: “Não vos preocupeis, dizendo: ‘O que vamos comer? O que vamos beber? Como vamos nos vestir?’. Os pagãos é que procuram essas coisas. Vosso Pai, que está nos céus, sabe que precisais de tudo isso”.

Diante da situação de muitas pessoas, próximas ou distantes, que vivem na pobreza, estas palavras de Jesus podem parecer irrealistas, ou melhor, evasivas. Na verdade, o Senhor quer dar a entender claramente que não se pode servir a dois senhores: Deus e a riqueza. Quem crê em Deus, Pai cheio de amor por seus filhos, coloca em primeiro lugar a busca do seu Reino, da sua vontade. É o oposto do fatalismo ou do ingênuo irenismo. A fé na Providência, de fato, não exime da luta por uma vida digna, mas sim liberta da preocupação com as coisas e do medo do amanhã.

É claro que este ensinamento de Jesus, mantendo sua veracidade e validez para todos, é praticado de diferentes maneiras, segundo as diversas vocações: um frade franciscano pode segui-lo de maneira mais radical, enquanto um pai de família deverá considerar seus deveres para com sua esposa e filhos. Mas em todos os casos, o cristão se distingue pela sua confiança absoluta no Pai celestial, como Jesus.

Precisamente a relação com Deus Pai dá sentido a toda a vida de Cristo, às suas palavras, aos seus atos de salvação, à sua paixão, morte e ressurreição. Jesus nos demonstrou o que significa viver com os pés firmemente plantados na terra, atentos às situações concretas do próximo, e, ao mesmo tempo, tendo o coração no céu, imerso na misericórdia de Deus.

Caros amigos, à luz da Palavra de Deus deste domingo, convido-vos a invocar a Virgem Maria com o título de Mãe da Divina Providência. A Ela confiamos a nossa vida, o caminho da Igreja, as vicissitudes da história. Em particular, invocamos sua intercessão para que todos possam aprender a viver seguindo um estilo simples e sóbrio na vida cotidiana e no respeito pela criação, que Deus confiou à nossa guarda.

PapaBento XVI

[Tradução: Aline Banchieri. ©Libreria Editrice Vaticana]

 

Diaconisa excomungada em 2007 se retrata da ordenação – Afirma que cometeu um erro e pede perdão

 

Uma mulher que pretendia ser diaconisa católica renunciou à sua “ordenação” e reafirmou sua fidelidade à doutrina da Igreja sobre a impossibilidade de ordenação de mulheres.

Norma Jean Coon, ex-membro da organização Roman Catholic Womenpriests, no dia 8 de fevereiro, colocou uma mensagem na Internet, na qual “afirma a autoridade do Santo Padre nestas questões de ordenação e reconhece que Cristo fundou a ordenação apenas para os homens”. Coon, casada há 47 anos e mãe de 5 filhos, participou de uma cerimônia em Santa Bárbara, em 22 de julho de 2007, na qual foi ordenada (de maneira inválida) e, com isso, incorreu em excomunhão latae sententiae.

A associação Roman Catholic Womenpriests foi criada na Europa e começou a exigir a ordenação de mulheres em 2006. No verão da cerimônia de Coon, houve acontecimentos similares em Portland, Nova York, Minneapolis e Toronto. Hoje, a organização reivindica a ordenação de 8 bispas e mais de 80 sacerdotisas e diaconisas, no mundo inteiro.

Coon disse que “deixou o programa duas semanas após a cerimônia”, porque percebeu “que tinha cometido um erro estudando para o sacerdócio”. E acrescentou: “Eu reconheço a verdade da carta apostólica do Papa João Paulo II, Ordenatio Sacerdotalis”.

Em sua declaração, Coon renuncia formalmente à sua relação com Roman Catholic Womenpriests e rejeita “publicamente a mencionada organização, pedindo desculpas àqueles que eu possa ter ofendido ou escandalizado com as minhas ações”.

Sua declaração termina com uma oração:

 “Pai Santo, eu vos peço que abençoeis meu bispo, meu pastor e os padres de Roma que me ajudaram no processo de reintegração na Igreja Católica Romana. Perdoai-me, meus amados Jesus e Maria, por ter seguido minha própria vontade no assunto da minha ordenação. Pedimos mais sacerdotes para servir nossa Igreja e rezamos pelas vocações, para que enriqueçam a nossa Igreja nos Estados Unidos.”Perdoai-nos por cair na desobediência e enriquecei-nos com vosso santo amor. Peço a intercessão de Jesus e Maria. Fiat.”

Fonte Zenit Org.

 

Procurai primeiro o reino de Deus

 

«Procurai primeiro o reino de Deus e a sua justiça, e tudo o mais se vos dará por acréscimo.» […] Por conseguinte é dito que procuremos o reino de Deus. «Procurai-o» é apenas uma palavra, mas parece-me significar muitas coisas. Quer dizer […] trabalhar incessantemente para o reino de Deus, e não permanecer num estado ocioso e estático, prestar atenção ao interior para bem o regrar, e não aos divertimentos exteriores. […] Procurai a Deus dentro de vós, visto que Santo Agostinho confessa que, enquanto O procurou fora dele, não O encontrou. Procurai na vossa alma, como Sua morada agradável e base onde os Seus servos procuram pôr em prática todas as virtudes. A vida interior é imprescindível, e é necessário ampliá-la; se não tivermos vida interior, nada temos. […] Procuremos tornar-nos interiores. […] Procuremos a glória de Deus, procuremos o reino de Jesus Cristo. […]

«Mas [dir-me-ão] há tanto a fazer, tantos trabalhos em casa, tantos empregos na cidade, no campo; trabalho por toda a parte; será então necessário deixar tudo para pensar unicamente em Deus?» Não, mas é necessário santificar estas ocupações procurando a Deus nelas, e fazê-las para O encontrar, mais do que para as ver feitas. Nosso Senhor quer, antes de tudo, que procuremos a Sua glória, o Seu reino, a Sua justiça, e, por isso, que o nosso tesouro seja a vida interior, a fé, a confiança, o amor, os exercícios espirituais […], os trabalhos e as dores com vista a Deus, nosso soberano Senhor. […] Uma vez assim constituídos na procura da glória de Deus, temos a certeza de que o resto se seguirá.

São Vicente de Paulo

 

Junto do teu coração aberto, meu Senhor

 

A  nossa mesma oferta  do  post anterior, com uma  dose dobrada desse amor abrasador  !!!!

 

 

Não tenha mêdo, é para se deixar alcançar mesmo por este Fogo Abrasador   !!!!! 

 

 

Junto do Coração Eucarístico de Jesus

 

A Comunidade Família de Deus quer oferecer esta música aos nossos queridos seminaristas. E também a todos os Sacerdotes que precisam voltar ao primeiro amor:

 

 

Ofereça também  a um Sacerdote e ou seminarista  que você conheça. Faça a sua parte e  o Coração transpassado de Cristo fará a d’Ele.

 

O sal da penitência

 

 

 

Todo o cristão deve seguir o Mestre renunciando a si mesmo, levando a sua cruz e participando nos sofrimentos de Cristo (Mt 16, 24). Assim, transfigurado à imagem da Sua morte, torna-se capaz de meditar na glória da ressurreição. Seguirá igualmente o Mestre não vivendo já para si mesmo, mas para Aquele que o amou e Se deu a di mesmo por ele, e também pelos seus irmãos, completando «na sua carne o que falta aos padecimentos de Cristo pelo seu corpo que é a Igreja» (Gal 2, 20; Col 1, 24).

Por outro lado, estando a Igreja intimamente ligada a Cristo, a penitência de cada cristão tem igualmente uma relação própria e íntima com toda a comunidade eclesial. Com efeito, é apenas no seio da Igreja que, pelo baptismo, ele recebe o dom fundamental da metanóia, quer dizer da mudança e da renovação do homem todo; mas este dom é restaurado e fortalecido pelo sacramento da penitência nos membros do Corpo de Cristo que caíram em pecado. «Os que se aproximam do sacramento da penitência recebem da misericórdia de Deus o perdão da ofensa que Lhe fizeram, ao mesmo tempo que são reconciliados com a Igreja que foi ferida pelo seu pecado e que, pela caridade, o exemplo e as orações, trabalha pela sua conversão» (Vaticano II: LG 11). É na Igreja que a pequena obra da penitência imposta a cada penitente no sacramento participa de uma maneira especial na expiação infinita de Cristo.  

Papa Paulo VI, 
Constituição apostólica «Paenitemini» Libreria Editrice Vaticana

Candidatos ao sacerdócio: fragilidade afetiva e direção espiritual

 

 

 

A formação nos seminários, com seus desafios e características atuais, a importância do acompanhamento espiritual e questões como a fragilidade física e afetiva estavam entre os temas discutidos durante o curso de La formazione spirituale nei seminari, realizado na Pontifícia Universidade da Santa Cruz, de Roma, de 7 a 11 de fevereiro. O bispo de Cuenca (Espanha),  DomJosé María Yanguas, interveio neste evento acadêmico sobre o tema da fragilidade afetiva. Sobre este assunto, ZENIT o entrevistou.

ZENIT: Quais devem ser os pilares da formação espiritual, hoje, nos seminários?

Dom José María Yanguas: O candidato ao sacerdócio deve procurar adquirir virtudes como a sinceridade e a simplicidade, com uma rejeição instintiva da vida dupla, de tudo o que é falso, inautêntico, artificial; o espírito de trabalho; o sentido da amizade, sincera e aberta, generosa e sacrificada, chave para viver o sacerdócio e dentro de uma comunidade; o espírito de serviço, necessário para quem escolhe doar-se de forma incansável a todos; o vigor do ânimo e a capacidade de sofrimento, esse “aguentar”, poderíamos dizer, para não se curvar diante das dificuldades e obstáculos, para saber trabalhar a longo prazo, sem esperar o sucesso fácil e imediato e não se desanimar diante de possíveis fracassos.

Também é claro que o candidato ao sacerdócio deve ter a necessária formação teológica e moral, canônica, litúrgica e pastoral; possuir uma experiência viva do Deus que se revela a nós em Cristo, experiência que se cultiva no diálogo vital da oração pessoal, pública ou privada; sentido sobrenatural, que leve a julgar tudo à luz de Deus; bondade e senso de paternidade, que leva a tratar todos com sincera e madura cordialidade; otimismo sobrenatural, que infunda nos fiéis a alegria e a confiança.

Além disso, também é necessário o sentido de responsabilidade, criatividade e espírito de liderança, de quem se esforça, de mil maneiras, em oferecer a Palavra de Deus aos seus irmãos, em aproximá-los das fontes da graça, que são os sacramentos, em guiá-los pelos caminhos de uma vida autenticamente cristã. Estas não são as únicas “virtude” da formação sacerdotal, pelas quais você me pergunta, mas estas não deveriam faltar.

ZENIT: Qual deve ser o papel do diretor espiritual durante a formação dos seminaristas?

Dom José María Yanguas: É um trabalho que toca o mais íntimo e pessoal do sujeito. Esta tarefa, portanto, requer extrema delicadeza, de modo que os candidatos se sintam acolhidos, compreendidos, valorizados; requer humildade e sentido de Igreja, para não formá-los à própria imagem e semelhança; exige o respeito às peculiaridades de cada um, com a segurança de que não existem duas almas iguais e de que não existem receitas de indiscriminada aplicação universal; fortaleza para corrigir, quando for necessário; ciência moral e conhecimento da vida espiritual; atenção ao que Deus pode pedir aos diversos candidatos; esmero em facilitar a sua sinceridade; prudência para conduzi-los por um caminho inclinado; a paciência para acompanhar os ritmos de crescimento, às vezes tão diferentes, de cada um…

ZENIT: E no que diz respeito à fragilidade emocional, sobre a qual o senhor falou no evento acadêmico da Universidade de Santa Cruz?

Dom José María Yanguas: Este assunto não é algo específico da formação sacerdotal. A fragilidade, imaturidade, inconsistência de ânimo estão presentes em muitos dos nossos jovens e adolescentes. Essa fragilidade se manifesta como falta de harmonia entre as esferas intelectual, volitiva e afetiva da pessoa, criando instabilidade, mudanças frequentes de humor, comportamentos guiados pelos “caprichos”, incumprimento dos compromissos adquiridos, desilusões após entusiasmos repentinos, estados depressivos sem nenhuma razão além das pequenas e inevitáveis falhas, incapacidade de manter-se ou resistir diante de obstáculos, dificuldade em tomar decisões verdadeiras. As pessoas afetivamente frágeis precisam ser o centro das atenções, ser reconhecidas e valorizadas, e facilmente confundem sentimento com amor verdadeiro.

ZENIT: É apenas uma questão de sentimentos?

Dom José María Yanguas: Claro que não. Esta é a inadequada integração do mundo afetivo na pessoa como um todo, enquanto a maturidade pessoal, no entanto, é o resultado de um desenvolvimento harmonioso das capacidades propriamente humanas. A imaturidade afetiva não é apenas uma questão da esfera dos sentimentos; supõe certamente imaturidade intelectual e volitiva.
Se o variado mundo dos sentimentos e emoções, muitas vezes confuso, prevalece sobre o intelecto e a vontade, necessariamente se cai no sentimentalismo, permitindo que sejam os sentimentos que decidam sobre a verdade ou o erro e que sejam eles o único motor dos nossos atos. A razão perde a capacidade de discernimento e a vontade se enfraquece. A vida da pessoa fica, então, em poder dos sentimentos, variáveis, mutáveis, muitas vezes superficiais, sendo que o comportamento precisa ser dirigido pela inteligência e governado pela vontade.

Se o sentimentalismo permeia a vida de piedade, esta correrá um sério risco quando os sentimentos, experiências e emoções que a sustentam não estiverem presentes. Acaba-se confundindo a vida de piedade com o sentimento.

ZENIT: Que características da época atual podem levar a essa fragilidade afetiva que atinge os homens do nosso tempo?

Dom José María Yanguas: Essa fragilidade é facilitada por um ambiente que nega as verdades absolutas, os valores fortes, os modelos de conduta; um ambiente cultural em que a distinção entre o bem e o mal é incerta, em que o verdadeiro é confundido com o útil ou prático. Isso torna impossível uma autêntica educação ou formação; não existem modelos, falta uma ideia clara do que significa ser humano.

ZENIT: Esse fator certamente é um desafio para a formação dos seminaristas de hoje…

Dom José María Yanguas: Exatamente. Portanto, é necessário propor aos candidatos ao sacerdócio, com força renovada, o modelo de Cristo Sacerdote, Bom Pastor; motivá-los com essa imagem, de modo que, à sua luz, tudo tenha sentido: tanto sua formação como a construção da própria personalidade.

Fonte: Zenit Org