O Advento nos chama a Esperança

 

 

 

 

Queridos irmãos e irmãs:

Neste terceiro domingo do Advento, a Liturgia propõe uma passagem da Carta de São Tiago, que começa com esta exortação: “Tenham, pois, paciência, irmãos, até a Vinda do Senhor” (5, 7). Parece-me particularmente importante, em nossos dias, sublinhar o valor da constância e da paciência, virtudes que pertenciam à bagagem normal de nossos pais, mas que hoje são menos populares, em um mundo que exalta mais, em contrapartida, a mudança e a capacidade para se adaptar a situações sempre novas e diversas. Sem nada tirar desses aspectos, que também são qualidades do ser humano, o Advento nos chama a fortalecer essa tenacidade interior, essa resistência de espírito, que nos permite não desesperar na espera de um bem que tarda a chegar, mas sim prepara sua vinda com confiança operante.

“Olhai o agricultor: ele espera com paciência o precioso fruto da terra, até cair a chuva do outono ou da primavera. Também vós, exercei paciência e firmai vossos corações, porque a vinda do Senhor está próxima” (São Tiago 5, 7-8). A comparação com o camponês é muito expressiva: quem semeou no campo tem perante si meses de espera paciente e constante, mas sabe que a semente enquanto isso cumpre seu ciclo, graças às chuvas de outono e primavera. O agricultor não é fatalista, mas é um modelo dessa mentalidade que une de maneira equilibrada a fé a razão, pois, por um lado, conhece as leis da natureza e cumpre bem o seu trabalho, e, por outro, confia na Providência, dado que algumas coisas fundamentais não dependem dele, mas estão nas mãos de Deus. A paciência e a constância são precisamente sínteses entre o compromisso humano e a confiança em Deus. “Fortalecei vossos corações”, diz a Escritura. Como podemos fazer isso? Como podem ser mais fortes nossos corações, se já por si são frágeis, e se a cultura em que estamos submersos os tornam mais instáveis? A ajuda não nos falta: é a Palavra de Deus. De fato, enquanto tudo passa e muda, a Palavra do Senhor não passa. Se as vicissitudes da vida nos fazem sentir perdidos e parece que se derruba toda certeza, temos a bússola para encontrar a orientação, temos uma âncora para não ir à deriva. Aqui é-nos apresentado o modelo dos profetas, quer dizer, dessas pessoas a quem Deus chamou para falar em seu nome. O profeta encontra sua alegria e sua força na Palavra do Senhor, e enquanto os homens buscam com frequência a felicidade por caminhos que se revelam equivocados, ele anuncia a verdadeira esperança, a que não nos decepciona, pois está fundamentada na fidelidade de Deus. Todo cristão, em virtude do Batismo, recebeu a dignidade profética: que cada um possa redescobrir e alimentá-la, com uma assídua escuta da Palavra divina. Que assim nos alcance a Virgem Maria, a quem o Evangelho chama de bem-aventurada, porque acreditou no cumprimento das palavras do Senhor (Lucas 1, 45).

Papa Bento XVI – ©Libreria Editrice Vaticana

 

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Deus não precisa de vasos de ouro, mas de almas que sejam de ouro !

 

<< Queres honrar o Corpo de Cristo? Então não O desprezes nos seus membros, isto é, nos pobres que não têm que vestir, nem O honres no templo com vestes de seda, enquanto O abandonas lá fora ao frio e à nudez. Aquele que disse: «Isto é o Meu Corpo» (Mt 26, 26), e o realizou ao dizê-lo, é o mesmo que disse: «Porque tive fome e não Me destes de comer» (cf. Mt 25, 35); e também: «Sempre que deixastes de fazer isto a um destes pequeninos, foi a Mim que o deixastes de fazer» (Mt 25, 42.45). Aqui, o corpo de Cristo não necessita de vestes, mas de almas puras; além, necessita de muitos desvelos. […] Deus não precisa de vasos de ouro, mas de almas que sejam de ouro.

Não vos digo isto para vos impedir de fazer doações religiosas, mas defendo que simultaneamente, e mesmo antes, se deve dar esmola. […] Que proveito resulta de a mesa de Cristo estar coberta de taças de ouro, se Ele morre de fome na pessoa dos pobres? Sacia primeiro o faminto, e depois adornarás o Seu altar com o que sobrar. Fazes um cálice de ouro e não dás «um copo de água fresca»? (Mt 10, 42). […] Pensa que se trata de Cristo, que é Ele que parte errante, estrangeiro, sem abrigo; e tu, que não O acolheste, ornamentas a calçada, as paredes e os capiteis das colunas, prendes com correntes de prata as lâmpadas, e a Ele, que está preso com grilhões no cárcere, nem sequer vais visitá-Lo? […] Não te digo isto para te impedir de tal generosidade, mas exorto-te a que a acompanhes ou a faças preceder de outros actos de beneficência. […] Por conseguinte, enquanto adornas a casa do Senhor, não deixes o teu irmão na miséria, pois ele é um templo e de todos o mais precioso. >>

São João Crisóstomo

Vós sois a Luz do mundo !

 

« Cristo», escreve um Padre da Igreja, «escolheu-nos para que fôssemos como lâmpadas; para que nos convertêssemos em mestres dos demais; para que actuássemos como fermento; para que vivêssemos como anjos entre os homens, como adultos entre crianças, como espirituais entre gente somente racional; para que fôssemos semente; para que produzíssemos fruto. Não seria necessário abrir a boca, se a nossa vida resplandecesse desta maneira. Sobrariam as palavras, se mostrássemos as obras. Não haveria um só pagão, se nós fôssemos verdadeiramente cristãos. »

Temos de evitar o erro de considerar que o apostolado se reduz ao testemunho de algumas práticas piedosas. Tu e eu somos cristãos mas, ao mesmo tempo e sem solução de continuidade, cidadãos e trabalhadores, com obrigações bem nítidas que temos de cumprir exemplarmente, se deveras queremos santificar-nos. É Jesus Cristo que nos estimula: «Vós sois a luz do mundo. Não se pode ocultar uma cidade situada sobre um monte. Nem se acende uma candeia para a colocar debaixo do alqueire, mas sim sobre o candelabro, e assim alumia quantos estão em casa. Brilhe do mesmo modo a vossa luz diante dos homens, a fim de que, vendo as vossas boas obras, glorifiquem vosso Pai que está nos céus» (Mt 5, 14-16).

Seja qual for, o trabalho profissional converte-se numa luz que ilumina os vossos colegas e amigos. Por isso, costumo repetir […]: que me importa que me digam que fulano de tal é um bom filho meu – um bom cristão -, se é mau sapateiro?! Se não se esforçar por aprender bem o seu ofício, ou por executar o seu trabalho com esmero, não poderá santificá-lo nem oferecê-lo ao Senhor. Ora, a santificação do trabalho ordinário constitui como que o fundamento da verdadeira espiritualidade para aqueles que, como nós, estão decididos a viver na intimidade de Deus, imersos nas realidades temporais.

São Josemaría Escrivá de Balaguer

 

 

Louvai, servos do SENHOR, louvai o nome do SENHOR.
Bendito seja o nome do SENHOR, agora e para sempre.
SENHOR reina sobre todas as nações, a sua majestade está acima dos céus.
Quem é como o SENHOR, nosso Deus, que tem o seu trono nas alturas?
Ele se inclina, lá do alto, para observar o céu e a terra.
Ele levanta do pó o indigente e tira o pobre da miséria,
para o fazer sentar entre os grandes, entre os grandes do seu povo.

Livro de Salmos 113

 

 

<< Se me perguntais o que quer Jesus Cristo dizer com este semeador que saiu manhã alta para ir lançar a semente no seu campo, meus irmãos, [digo-vos que] o semeador é o bom Deus que começou a trabalhar na nossa salvação logo no princípio do mundo, enviando-nos os profetas antes da vinda do Messias para nos ensinar o que é necessário para sermos salvos. E não Se contentou em enviar os Seus servos mas veio Ele mesmo, indicou-nos o caminho que devíamos seguir e veio anunciar-nos a palavra sagrada.

Sabeis como é uma pessoa que não se alimenta desta palavra sagrada? […] É semelhante a um doente sem médico, a um viajante perdido e sem guia, a um pobre sem recursos. É completamente impossível, meus irmãos, amar a Deus e agradar-Lhe sem nos alimentarmos desta divina palavra. O que nos poderá levar a agarrarmo-nos a Ele, se não for o conhecimento que temos Dele? E quem no-Lo dá a conhecer, com todas as Suas perfeições, a Sua beleza e o Seu amor por nós, se não a palavra de Deus que nos ensina tudo o que Ele fez por nós e todos os benefícios que nos preparou na outra vida? >>

                                                                                                                                                                                                      São João Maria Vianey

 

 
 
A mão do Senhor me põe a salvo
 
Estou afundando num lodo profundo
Sem nada que me afirme;
estou entrando no mais fundo das águas,
e a correnteza me arrastando…
 
Quanto a mim, Senhor, a ti dirijo minha prece!
No tempo favorável
responde-me, por teu grande amor,
pela verdade da tua salvação!
 
Quanto a mim, pobre e ferido,
que tua salvação, ó Deus, me proteja!
Louvarei com um cântico o nome de Deus,
e o engrandecerei com ação de graças.
 
Os pobres vêem e se alegram;
vós que buscais a Deus, que o vosso coração viva!
Porque o Senhor ouve oas indigentes,
nunca rejeita os seus cativos.
 
do Salmo 68 (Missal cotidiano)
 
 

 

 

<< É necessário que o pastor seja puro de pensamento, exemplar na ação, discreto no seu silêncio, útil pela sua palavra; que ele seja próximo de todos por sua compaixão e que ele seja, mais do que todos, dedicado à contemplação; que ele seja o humilde aliado de quem faz o bem, mas, pelo seu zelo pela justiça, que ele seja inflexível contra os vícios dos pecadores; que ele não relaxe nunca o cuidado de sua vida interior em suas ocupações exteriores, nem negligencie o cuidado das necessidades exteriores pela solicitude do bem interior. >> 

São Gregório Magno