Santos estigmatizados

 

                                                                       

Não se pode negar, a principio, a possibilidade do estigma.

Na história da Igreja encontramos cerca de 340 pessoas que o haviam recebido; umas oitenta dessas são canonizadas, às quais não há dúvidas de sua bondade e sinceridade quanto ao tema. Tenta-se entender porque Deus manda estes males, que significado têm. Provavelmente para recordar aos homens o valor redentor da dor e convidar-los a meditar a Paixão do Salvador. Mas não se pode negar que, o sujeito que a carrega, pode nos mostrar um confirmação plena da imagem de Jesus. Talvez este aspecto, que é claro para nós, passe despercebido em Padre Pio.

Para Padre Pio os estigmas são qualquer coisa que não suas; não se referem a ele, são somente valores para recordar o sofrimento do Senhor. Conseqüentemente deixa-se beijar, como se deveria uma imagem sacra; direi que nele há uma grande veneração.

Na realidade são uma imagem do Crucificado não esculpida na madeira ou reproduzida em uma tela, mais impressa em sua carne viva.

A Igreja se pronuncia abertamente pela verdadeira história e características sobrenaturais do estigma de São Francisco, que havia sido o primeiro a receber de Deus aquele sinal de dor, semelhante ao de Jesus Cristo. Tem sido precisamente assim – especialmente nos últimos anos – os critérios de base sobre os quais torna-se possível reconhecer ao menos a presença de um estigma verdadeiro, ou seja, baseado em características sobrenaturais.

Na teoria, os princípios são claros; mas na prática, sim, precisa-se proceder com muita cautela neste assunto, ao aplicar esses princípios, especialmente quando se trata de uma pessoa viva.

Apesar de tudo, acreditamos que, com relação ao Padre Pio, possa ser dado um parecer. Outros ilustres teólogos já se pronunciaram a respeito: todos nós nos rendemos à evidência de que não se trata de um “novo acontecimento”, para o qual é apropriado duvidar, mas trata-se de uma pessoa conhecidíssima, controladíssima, com setenta e um anos (Padre Pio nasceu em 25 de março de 1887) e que há quarenta anos carrega o estigma; conseqüentemente já há uma prova de tempo que, de modo não definitivo, legitima um julgamento a título pessoal.

Só o fato que Padre Pio tenha o estigma, não é discutível. São testes médicos precisos e publicados; é uma verdade verificável em qualquer momento.

Vejamos antes se podemos pensar que a origem de tais feridas é sobrenatural. Os critérios nos quais deve se basear são estes cinco:

1. O estigma deve ser verdadeiro e adequado á ferida, importantes modificações do tecidos e localizado onde eram as feridas de Cristo (aproximadamente, tratando-se de ferida mística não importa se, até o detalhe secundário, respeita a verdade histórica comum na crença; o que quero dizer é que não importa se as feridas são no pulso ou na palma da mão, se a ferida é natural quando encontrada, diferentemente, em qualquer outra parte do corpo.

2. Deve aparecer instantaneamente; em geral causa dor aguda no dia, que recorda a Paixão do Senhor, como na Sexta-feira e na Semana Santa. Ao contrário: a dor pela ferida natural depende da situação atmosférica; portanto não há nenhum respeito pelo calendário litúrgico.

3. No verdadeiro estigma há ausência de fatos supurativos: nenhuma podridão, nenhum odor fétido, etc. Quando as lesões naturais prolongadas não são desinfetadas, dão origem a supurações e podem causar gangrena.

4. Os estigmas são acompanhados de contínua hemorragia. Não são como outras feridas.

5. Os estigmas permanecem inalterados, imunes a todo tratamento médico; não se alteram por remédio terapêutico nem por tratamentos; duram até muitos anos. As outras feridas, medicadas, cicatrizam-se.

A ferida de Padre Pio responde a todos esses requisitos.

É verdade que muitos médicos racionalistas haviam tentado demonstrar por vias naturais (sugestionamento, histerismo, fixação, etc.) a estigmatização. Mas foram sues testes que negaram, através de exames feitos, a inexistência de fatos sobrenaturais: todos os argumentos não são reconhecidos cientificamente. Muitos deles, tratando de forma patológica a situação, tentaram demonstrar tratar-se de pessoa histérica ou anormal (como realmente acontece quando se trata de coisas como esta).

O contrário ocorre, porém, em tipos como Padre Pio, pleno de bom senso e de sã atividade, demonstrando ótimas condições psicológicas. Assim narra um jovem médico americano que disse ao padre:

“Eu não acredito nos seus estigmas; eles só aparecem porque você pensava muito fixamente no estigma de Cristo”.

E o bom frei lhe respondeu com um sorriso bondoso:

“Muito bem, filho; pensa intensamente ser um boi; verá que te nascerão chifres”. Uma boa resposta para persuadir naquele doutorzinho.

Se a situação é tão clara, porque a Igreja não se pronuncia?

Porque há um outro motivo.

O Senhor dá esta graça a alguém que pratica a heróica virtude e que, sozinho, também recebe outros dons sobrenaturais, como êxtase, bilocação, etc.

Notemos bem: se os estigmas são uma prova de santidade, a Igreja espera ver a santidade como prova do estigma. E a santidade não consiste num dom especial de Deus, que poderia dar a qualquer um a vantagem da fidelidade; mas este é um exercício de virtude em grau heróico e com perseverança. Conseqüentemente, somente depois da morte se pode ter controle: enquanto estamos vivos, corremos todos os riscos de cair a qualquer momento, qualquer que seja de nosso grau de união com Deus.

É por isso que a Igreja não se pronuncia.

Mas isso não quer dizer que não possamos ter convicção sobre o Padre Pio: sobre isso nós temos todos os direitos. É permitido admirar nele os prodígios da graça, como é permitido “não crer”; não é nenhum pecado! Mas ainda nesse juízo pessoal não devemos seguir o capricho ou os rumores.

O Evangelho sugere esta regra: “Pelos frutos se conhece a planta; se os frutos são bons, a planta é boa”. Que seja assim o juízo que façamos, observando a paciência de Padre Pio, sua caridade, sua aceitação da dor, sua vida santa dedicada somente em fazer o bem.

Não há quem não conheça historias de conversões, retornos à Igreja, vidas transformadas pelo encontro com o padre. São fatos que não podemos tratar com indiferença; como as curas, etc. Também nos sentimos irritados pelo excessivo entusiasmo de uns ou fanatismo de outros.

O Papa Pio XI fez uma certa visita ao padre e fez parecer ser contra. Mas não foi uma opinião oficial e muito menos irrevogável. Foi uma opinião como tantas, expressa por um médico que fez o exame de outro médico. Com todo o respeito pela categoria, Pio XI era desconhecedor dessas coisas. Ao contrário, se sabe que no dia da beatificação de Santa Teresa de Lisieux Padre Pio foi visto presente em São Pedro (mesmo estando em San Giovanni Rotondo); um outro monsenhor testemunhou o fato, contou ao Papa, acrescentando que também D. Orione havia visto. E o Papa respondeu: “Se Dom Orione também o viu, sim, acredito”.

Na conclusão: porque somos livres, pensemos também com nossa cabeça. Mas usando o raciocínio razoável que deve sempre caracterizar um homem. É absurdo, depois de tantos anos de provas e tantos testemunhos importante, negar os fatos e jogar um parecer inventado em um homem como Padre Pio. É um homem de Deus, um “grande Sacerdote”, no pleno exercício do ministério em que há repercussão mundial.

Ninguém pode se contentar com isso, perceba que são reconhecidos nele outros carismas sobrenaturais e o apreço de um instrumento do Senhor pela graça extraordinária; relembre da Missa de fé que acontece em San Giovanni Rotondo, nas elevadas personalidades eclesiásticas e civis que se voltaram a ele, e se sentirá em boa companhia”.

 
Padre Gabrielle Amorth
 
 

 

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