Todo Sacerdote na raiz da sua vocação é um Místico !!!

 

O encontro surpreendente de Saulo com Jesus ressuscitado na estrada para Damasco,  enche o nosso coração de coragem e de ousadia.

Sim, podemos e devemos ousar na fé. Acreditar nas iniciativas de Deus em favor da sua Igreja e em favor de cada um dos seus Sacerdotes  espalhados pelo mundo inteiro e aqui quero incluir, também, cada uma das nossas queridas irmãs religiosas, chamadas a serem <esposas de Cristo> no mundo de hoje.

E essas iniciativas do Senhor, não podem ser medidas e nem  colocadas numa cartilha, porque para Deus tudo é possível. E tudo é tudo, não há como limitarmos   o seu poder e a sua ação.

Quem poderia imaginar que aquele que era perseguidor dos cristãos, havia sido separado e escolhido pelo próprio Cristo para ser  seu  apóstolo?! E que o milagre da transformação (conversão)  do seu coração  seria ainda   maior do que o milagre de transformar a água em vinho nas bodas de Caná?! 

Saulo foi surpreendido por essa manifestação do Senhor. A iniciativa foi de Jesus ressuscitado, e esse encontro  mudou  completamente a  trajetória da sua vida. O que  faz de Paulo (seu nome depois de convertido) um místico.   

Assim devemos entender, também, toda pessoa vocacionada para a vida religiosa. Ela vai escutar  um chamado de Deus, e vai  dar o seu sim, vai  dar  uma resposta  pessoal para o Senhor. O seu Sacerdócio, a sua vida consagrada, nasce desta mística.

Então, todo Sacerdote, na raiz da sua vocação, é um místico. Porque foi de Deus que ele sentiu o apelo para ser sacerdote e é para Deus que ele deve atender a este apelo. Não será para si mesmo. Será para Deus, na Igreja, com a Igreja e para a Igreja, pela salvação das almas.

Ele vai precisar desta mística na sua vida, no seu dia-a-dia, para poder sustentar o seu Sacerdócio. Vai precisar, sobretudo, ter uma mística Eucarística. Sem o que não conseguirá se sustentar. Não conseguirá ser fiel. Não podemos nos esquecer do tema do Ano Sacerdotal:        < Fidelidade de Cristo, Fidelidade do Sacerdote >. A questão da Fidelidade esta no centro da vida de cada Sacerdote.

Sem viver esta mística do seu encontro pessoal  e de ter uma intimidade com o Senhor, ele não terá como  sustentar a sua própria santidade. E menos ainda terá condições de cuidar da santificação das outras  pessoas. Um Sacerdote sem o cuidado e o esforço da sua santidade pessoal, não tornará a sua Paróquia santa e nem santificará a sua Diocese. E assim, infelizmente, irá fracassar  com o seu Sacerdócio. Irá ferir o corpo místico de Cristo que é a Igreja.

Depois de receber o Batismo do Espírito Santo, pela oração de Ananias, Paulo ficou ainda  uns três anos vivendo o seu processo de conversão. E,   também se apaixonando por Jesus. Até  se colocar  fielmente a  seu serviço. É fácil de ver este coração inflamado e apaixonado por Cristo em todo o seu apostolado.

E ai também esta um ponto importante para a vida de todo  Sacerdote, de toda  pessoa  consagrada na vida  religiosa: permanecer apaixonado por Jesus. Não perder os dias do primeiro amor, mas sempre buscar a renovação deste amor. Sempre se manter numa relação estreita e de cumplicidade  com  aquele que é o Esposo de todas as  almas  consagradas.

Para se manter viva a chama deste amor, é preciso ter esta mística de uma vida em Deus e com Deus. Uma mística que passa pela misericórdia, pela compaixão,  pelo perdão,  pelo amor e  pela verdade.  Vai abranger toda a sua vida diária, desde os pequenos detalhes do seu cotidiano. Sem escapar nada.

E vai ser exigido muito. Muita humildade. Muita caridade. Muita pureza. Muita escuta de Deus. Muito abandono. Muita abnegação. Muito “morrer” todos os dias. Muito “pegar a cruz”. E  essa < imolação do Sacerdote >, essa < imolação de toda vida consagrada >  é o mais difícil de viver, de se manter, de se querer.

A imolação esta na solidão de vida,  no celibato, na obediência,  na fidelidade.  

Quem disse que é fácil ser fiel?

Quem disse que é fácil manter o celibato? 

Quem disse que é fácil obedecer ao Evangelho? Obedecer  a hierarquia? Obedecer ao Magistério?

Quem disse que é fácil enfrentar a solidão de quem abriu mão de ter a sua família?

Quem disse que é fácil anunciar Jesus Cristo e se tornar sua testemunha?

Quem disse que foi fácil para São José?

Quem disse que foi fácil para Nossa Senhora?

Quem disse que foi fácil para os Santos?

Quem disse que foi fácil para São Paulo?

E voltando lá para a vida deste grande Santo: quantas lutas, perseguições, dificuldades, naufrágios… Que ele soube enfrentar com destemor. Com perseverança. E com uma confiança absoluta naquele que o havia chamado: < Tudo posso naquele que me fortalece, naquele que é a minha força >.

Olhando para a vida de São Paulo, queremos no dia de hoje tomar  posse dessas palavras para a vida de  cada Sacerdote, especialmente para aquele, que por qualquer razão não esta conseguindo mais viver a sua própria santidade e por conta disso não consegue mais comunicar a salvação de Cristo para as pessoas e ousamos pedir na fé:

<<< Senhor Jesus, venha dar aos teus Sacerdotes do mundo inteiro a graça de vencer as suas maiores lutas; que eles possam, como São Paulo, dizerem: < Tudo posso, tudo espero, toda graça eu tenho naquele que me fortalece, naquele que é a minha força >. Faça jorrar, Senhor, do teu Coração Eucarístico as tuas graças  para aqueles Sacerdotes que mais estiverem precisando. Amém. >>>

Com Santo Pe. Pio e Beata Madre Teresa de Calcutá

Ernesto Peres de Mendonça – Comunidade Família de Deus

 

Veja o texto abaixo da Congregação para o Clero:  

“Deus Pai Todo-Poderoso, concede a estes vossos filhos a dignidade do presbiterato. Renova a efusão do vosso Espírito de santidade. Cumpram fielmente, ó Senhor, o ministério no segundo grau sacerdotal que de vós receberam e com o seu exemplo conduzam todos à íntegra conduta de vida”

Pontificale Romanum. De Ordinatione Episcopi, presbyterorum et diaconorum,

editio typica altera , Typis Polyglottis Vaticanis 1990

Cidade do Vaticano, 15 de janeiro de 2010.

Caríssimos irmãos no Sacerdócio:

A parte essencial da prece consecratória recorda-nos que o Sacerdócio é essencialmente um dom e, a partir da ótica do “dom sobrenatural”, contém uma dignidade que todos, fiéis leigos e clérigos, são sempre chamados a reconhecer. Trata-se de uma dignidade que não provém dos homens, mas que é puro dom da graça à qual foram chamados e que ninguém pode reivindicar como direito.

 A dignidade do presbiterato concedida pelo “Deus Pai Todo-Poderoso” deve transparecer na vida dos sacerdotes: na sua santidade, na humanidade acolhedora e cheia de humildade e caridade pastoral, na luminosidade da fidelidade ao Evangelho e à doutrina da Igreja, na sobriedade e solenidade da celebração dos Divinos Mistérios, no uso da veste eclesiástica! Tudo no sacerdote deve recordar a ele mesmo e ao mundo, que é destinatário de um dom não merecido e que, por sua vez, o faz ser presença eficaz do Absoluto no mundo, para a salvação dos homens.

O Espírito de santidade, implorado para que se renove a sua efusão, é garantia para poder viver “em santidade” a vocação recebida e, contemporaneamente, condição da possibilidade de “cumprir fielmente o ministério”. A fidelidade é o encontro esplêndido entre a liberdade fiel de Deus e a liberdade criada e ferida do homem que, com a força do Espírito, torna-se sacramentalmente capaz de “conduzir todos à íntegra conduta de vida”: uma vida que seja realmente íntegra e que seja integralmente cristã.

O Sacerdote, revestido pelo Espírito do Pai Onipotente, é chamado a “orientar” –  com o ensinamento e a celebração dos sacramentos e, sobretudo, com a própria vida – o caminho de santificação do povo a ele confiado, na certeza que este é o único fim para  o qual o próprio presbiterato existe: o Paraíso!

O dom do Pai faz dos “filhos-Sacerdotes” homens prediletos; uma portio electa populi Dei, que é chamada a “ser eleita” e a resplandecer também pela santidade de vida e  pelo testemunho de fé.

A memória do dom recebido e sempre renovado pelo Espírito e a proteção da Beata Virgem Maria, Serva do Senhor e Tabernáculo do Espírito Santo, ajudem a cada um dos sacerdotes a “cumprir fielmente” a própria missão no mundo, na espera do prêmio eterno reservado aos filhos eleitos, do qual são também herdeiros!

X Mauro Piacenza

Arcebispo tit. de Victoriana

Secretário

 

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