A Igreja diante do mau testemunho de seus Sacerdotes e Bispos

O FATO:

Dom Roger Vangheluwe, de 74 anos, ex-bispo da cidade de Bruges, que renunciou após ter se envolvido em um escândalo de abusos sexuais, passará por um período de tratamento psicológico e espiritual.

A informação foi divulgada hoje, em uma nota do diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Pe. Federico Lombardi. O anúncio da Santa Sé vem depois de ser tornado público, em 4 de abril, pelo ‘procureur du roi’ de Bruges, Jean-Marie Berkvens, que o caso de Dom Vangheluwe seria arquivado, ao ter prescrito o crime de abuso, segundo a lei belga.

Dom Vangheluwe abandonou a guia da sua diocese em abril de 2010, depois de admitir ter abusado sexualmente de um sobrinho menor – que hoje tem 43 anos – entre 1973 e 1986. Após sua demissão, a Igreja Católica na Bélgica havia estabelecido uma comissão independente, presidida pelo professor Peter Adriaenssens e direcionada a coletar as denúncias das vítimas de abuso por membros do clero, que havia recolhido cerca de 500 casos de abuso desde a década de 50.

Pouco depois, os membros da comissão renunciaram em bloco após a inspeção – declarada imediatamente ilegal pela justiça belga – que teve lugar em 24 de junho passado, dos escritórios do arcebispado de Malines-Bruxelas, na qual se confiscaram todos os arquivos.

“No contexto do processo de Dom Roger Vangheluwe – diz a nota do Pe Lombardi – a Congregação para a Doutrina da Fé, como já foi anunciado pela nunciatura na Bélgica, estabeleceu que ele deixasse a Bélgica e fosse submetido a um período de tratamento espiritual e psicológico. Neste tempo, evidentemente não lhe será permitido nenhum exercício público do ministério sacerdotal e episcopal.”

“O tratamento psicológico – disse o porta-voz – foi indicado pela Congregação para obter outros elementos de diagnóstico e prognóstico úteis para prosseguir e concluir o processo conducente a uma decisão final, que será da responsabilidade da própria Congregação e que deverá ser aprovada pelo Santo Padre.”

“Esta decisão, naturalmente, levará em consideração os vários aspectos da questão, começando com o sofrimento das vítimas e as exigências da justiça. O processo está em curso e, portanto, a decisão tomada até agora pela Congregação é provisória e não definitiva”, concluiu.

A partir dos escândalos relacionados a abusos sexuais por parte de sacerdotes, em abril de 2010 os bispos da Bélgica anunciaram a abertura de um centro para o reconhecimento, tratamento, reabilitação e reconciliação das vítimas de abuso.

UMA ANÁLISE REALISTA:

A Igreja, e digo como pedra-viva dela, demora em agir diante de fatos tão graves como este. No caso deste bispo foram 13 anos cometendo abusos sexuais  contra o próprio sobrinho. E eu pergunto: sem ninguem saber? Impossível !!! Se de fato, ele agiu assim  sem o conhecimento dos membros daquela diocese: padres, leigos e de outras autoridades eclesiásticas ligadas  a ela; esse desconhecimento significa, na prática,  uma profunda falta de amor!

Não apenas falta de amor à vítima, ou vítimas. Digo FALTA DA VIVÊNCIA DO  AMOR  DENTRO DA VIDA DA IGREJA. Uma Diocese  não pode ser cega para não ver  algo tão grave assim e não agir como Igreja e com a Igreja.   Vamos pensar bem sobre tudo isso: na condução destes fatos,  em 13 anos, ficou faltando o que? Por que a Igreja não fez nada?! Esta diocese viveu 13 anos como?  Governada de que jeito?  Anunciando o evangelho em que condições? Em silêncio, omissão, conivência, cumplicidade ?! 

Uma coisa podemos afirmar com certeza, diante destes fatos, como Igreja de Cristo, esta diocese   NÃO VIVEU A VERDADE E NA VERDADE NO GOVERNO E CONDUÇÃO PASTORAL DO POVO DE DEUS A ELA CONFIADA !!!    Durante este tempo   deixou de ser testemunha de Cristo! E com isso  deixou de cumpir a sua missão: A DE SALVAR ALMAS !!!   

Precisamos ser realistas, foram 13 anos sem fazer valer   o uso da ciência, sabedoria, discernimento, profetismo. Sem deixar-se conduzir pelo Espírito Santo. Agindo  como aquele que recebeu os talentos e os enterrou… Infelizmente, nos dias de hoje, vamos encontrar muitas dioceses  no mundo inteiro  nesta  mesma situação.

Dioceses onde Padres, Bispos, Arcebispos  preferem agir no cooperativismo diante de atos tão  graves dos seus membros como este de Dom  Roger,  ex-bispo da cidade de Bruges. E que só irão tomar uma atitude, de fato, quando se chegar ao extremo de virarem caso de polícia. Eu não tenho dúvida nenhuma, que  em muitas dioceses,  para se mudar esta triste realidade em que se encontram, só virando caso de polícia mesmo. Só chegando ao extremo. E digo isso, porque os tribunais eclesiásticos, mesmo quando são sérios, e querem agir como diz os canones da Igreja,  não conseguem chegar ao fim de seus processos por conta deste cooperativismo. Isso é uma realidade em muitos lugares do mundo. Que causam tristezas e dores profundas no Sacerdócio. E está deixando a Igreja em agonia !!!

Como Igreja, que somos,  precisamos aprender com o caso deste bispo que abusou do seu próprio sobrinho durante 13 anos e  permaneceu no governo de uma Diocese. Isto é estarrecedor !!!! Não podemos  ficar sem uma resposta, sem uma  atitude, sem uma ajuda às dioceses que possam estar  vivendo estas dores. As coisas não podem ficar mais como estão.

Pedimos o novo  das graças da Semana Santa – que renova todas as coisas –  ajudando e alcançando todas as Dioceses, especialmente as que mais estiverem precisando  hoje !!!

 

Ernesto Peres de Mendonça

 

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