Homens e Deuses

 

Aos Bispos, Sacerdotes, religiosas(os), leigos (as), comunicadores e lideranças:

 

Na  preparação à semana Santa,  a distribuidora Imovision com apoio da CNBB, trás aos cinemas brasileiros o filme francês  HOMENS E DEUSES, de Xavier Beauvois, sobre a comunidade de monges Cisterciences (trapistas) Franceses assassinados em Thibirine, na Argélia, no ano de 1996. O filme vai mostrar o testemunho de fé vivido  pelos monges e que deram seu sangue pela missão monástica a eles confiada, incluindo  a aproximação de diálogo cristão e muçulmano. 

Este filme alcançou uma bilheteria de mais de três milhões de pessoas na França, onde muitos jovens foram tocados pelo amor à causa do Reino. Trata-se de uma produção vencedora em Cannes, mostrando o testemunho dos monges, que pode ser um despertar vocacional para muitos jovens.

A estréia será realizada em São Paulo e Rio de Janeiro dia no próximo 15 de abril, se estendendo depois para outros Estados conforme interesse e apoio das organizações locais para divulgação .

 

 
 
No filme De Homens e Deuses (Des hommes et des dieux), um grupo de frades franceses convivem em perfeita harmonia com a população muçulmana até esta relação ser interferida por um grupo de fundamentalistas, que massacram trabalhadores e espalham o medo.

Apropriadamente, chama-se Christian o monge cisterciense francês que impede a entrada de armas no mosteiro instalado em Tibhirine, na Argélia. Transcorre em 1996 a guerra civil no país, e os insurgentes jihadistas assassinam operários croatas e intimidam a população árabe. É uma questão de tempo até que tomem o mosteiro, mas Christian, vivido em Homens e Deuses  (Des Hommes et des Dieux, 2010) pelo ator Lambert Wilson, recusa a ajuda armada do governo argelino.

O filme do diretor Xavier Beauvois, vencedor do Grande Prêmio do Júri do Festival de Cannes e escolhido da França para disputar um lugar no Oscar de melhor filme estrangeiro em 2011, reconta o episódio real ocorrido no mosteiro trapista, cujo desfecho até hoje é motivo de controvérsias. Beauvois está interessado, de qualquer forma, menos no final do que no trajeto: mostrar o que envolve a decisão dos franceses de permanecer desarmados no país em conflito, posição que qualquer pessoa veria como opção pelo martírio.

O primeiro terço de filme se dedica a mostrar como os monges – compatriotas de uma nação que, na visão do presidente da Argélia, atrasou com seu imperialismo o desenvolvimento da ex-colônia – conciliam a liturgia católica com a atenção às necessidades da vila muçulmana que cresceu ao redor do mosteiro. A literatura árabe que sempre aparece nas mãos dos franceses é um símbolo óbvio, em um filme que inicialmente se ocupa em registrar sem pressa a rotina em Tibhirine: os estrangeiros distribuem calçados, alimentos e remédios, comparecem a festas de aniversário e batem palmas no ritmo da cantoria árabe.

Uma das cenas mais importantes desse começo de Homens e Deuses é o primeiro de muitos cânticos que escutamos entoados na capela. São sete os monges, todos eles de costas para a câmera. Representam, ali, a unidade da igreja – uma igreja que tem no mapa-mundi pregado na parede o seu post-it perpétuo. A partir do momento em que surge a ameaça terrorista – e os seis outros monges condenam a decisão que Christian toma sozinho – as individualidades começam a despontar. Há quem queira partir de volta para a França, outros querem ficar. Até o seu final, Homens e Deuses se ocupará de encontrar os sete homens por baixo das vestes dos monges.

E é em momentos assim que não apenas se identificam os homens de valor como também os religiosos de fé. Ao mesmo tempo em que, progressivamente, deixa a vila de lado, a câmera de Beauvois busca as trivialidades do mosteiro, humaniza os monges. Numa manhã, um diz que gostou muito de um sermão de Christian, outro responde que não entendeu nada, e leva de volta um xingamento.

Nesse ponto, os cânticos já acontecem com os rostos voltados para a câmera. O ápice é a ceia em que toca numa fita cassete “O Lago dos Cisnes” de Tchaikovsky, e Beauvois vai, um a um, fechando os close-ups nos homens, a essa altura já decididos em relação ao futuro do mosteiro. Num filme que fala sobre a leitura que tanto católicos quanto muçulmanos fazem de seus escritos sagrados, e a responsabilidade que essa leitura acarreta, Homens e Deuses parafraseia o salmo que, nos créditos iniciais, havia servido de epígrafe: “Vós sois deuses / Todavia morrereis como homens”

Crítica do Filme De Homens e Deuses
por Marcelo Hessel

Fonte: www.dicasdefilme.com.br

 

Veja o trailer:

 

 

 

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