Santíssimo Sacramento – A nossa fé na presença real de Cristo

 
  

  

 

“A devoção de adorar Jesus Sacramentado é, depois dos sacramentos, a primeira de todas as devoções, a mais agradável a Deus e a mais útil para nós”

Santo Afonso Maria de ligório

 

Quero recordar a você que a fé é o único olhar totalmente lúcido que o homem pode ter, porque – no meio das sombras da vida – faz-nos ver as coisas como Deus as vê. Poderíamos dizer que quando a nossa alma se abre à graça da fé, Cristo, o autêntico Sol nascente (Lc 1,78), inunda-a com a luminosidade do Espírito Santo, e tudo na vida fica também iluminado. Por que lhe digo isso agora? Porque vamos meditar sobre a devoção ao Santíssimo Sacramento, e acho muito importante começarmos remoçando a nossa fé na presença real de Cristo na Eucaristia.
 
São Josemaria, sempre que estava – em pensamento ou de fato – na presença da Eucaristia, fazia o que ele chamava «um ato de fé explícita: «Adoro-te com devoção, Deus escondido… Creio que és Jesus, o Filho de Maria sempre Virgem… Creio que estás presente com o teu Corpo, com o teu Sangue, com a tua alma e com a tua divindade… Meu Jesus, eu te adoro!».
 
É bom lembrarmos isso agora que vamos refletir sobre o amor e a adoração ao Santíssimo Sacramento, não na Missa e na hora de comungar – pois isso já foi comentado em conversas anteriores -, mas quando encontramos Jesus realmente presente nas Hóstias consagradas que se reservam nos Sacrários das igrejas e capelas. O tesouro escondido: Acabo de lhe dizer «quando encontramos Jesus». Mas, será que o encontramos?
 
Cristo, nos Sacrários, é verdadeiramente aquele tesouro escondido de que fala o Evangelho (Mt 13,44): um tesouro escondido num campo, junto do qual passam muitos sem perceber nada, como se só houvesse lá terra, capim e pedras. Só o cristão que ama a Eucaristia é capaz de encontrá-lo…, cheio de alegria lá onde há um Sacrário. Então, como na parábola, o feliz descobridor compreende que aquele tesouro vale mais que todos os tesouros da terra e, cheio de alegria, vai, vende tudo o que tem, e compra aquele campo (Mt, idem).
Você entende o que isso nos sugere? Você e eu vamos pela rua e passamos diante de uma igreja, um hospital ou um colégio católicos. Lá há um Sacrário, lá dentro está o Santíssimo Sacramento – Cristo vivo! -, e nós podemos passar sem ligar a mínima, como aqueles viajantes indiferentes da parábola do samaritano. Que pena! Você vai dizer-me que anda pela rua distraído, sem má vontade. E eu lhe respondo: «Proponha-se perceber», e corresponda ao amor com que Cristo quis ficar no Sacrário por você, por mim.
 
Vou-lhe sugerir algumas atitudes práticas:
 
a) Comece refazendo mentalmente os seus itinerários mais habituais. Não precisa para isso nem de mapa nem de GPS. É fácil recordar as ruas e lugares onde você já percebeu que há alguma igreja, capela, etc.
 
b) Proponha-se então não passar por esses lugares sem dizer algo a nosso Senhor. Um ato de amor («Jesus, que estás aí, eu te amo»), uma saudação simples e cordial («Jesus, bom dia, me acompanhe hoje no trabalho!»), ou – e essa pode ser uma excelente solução – reze uma «Comunhão espiritual», que consiste em dizer a Jesus que desejaria recebê-lo com amor. «Invente» a maneira de Lhe dizer isso. Talvez o ajude aprender de cor a fórmula de uma bela Comunhão espiritual, que já foi rezada por almas muito santas e que hoje muitos utilizam. Diz assim: «Eu quisera, Senhor, receber-vos com aquela pureza, humildade e devoção com que vos recebeu a vossa Santíssima Mãe, com o espírito e o fervor dos santos».
 
c) Aproveito o anterior para acrescentar que a Comunhão espiritual, rezada – bem rezada – em qualquer momento, lugar ou circunstância, tem um grande valor. Veja o que diz João Paulo II: «É conveniente cultivar continuamente na alma o desejo do sacramento da Eucaristia. Daqui nasceu a prática da “comunhão espiritual” em uso na Igreja há séculos, recomendada por santos mestres de vida espiritual. Escrevia Santa Teresa de Jesus: “Quando não comungais e não participais na Missa, comungai espiritualmente, porque é muito vantajoso. […] Deste modo, imprime-se em vós muito do amor de nosso Senhor”» (Encíclica Ecclesia de Eucharistia, n. 34). E Santo Tomás de Aquino afirma que uma comunhão espiritual rezada com fervor, pode alcançar-nos muitas das graças que receberíamos se comungássemos sacramentalmente. A visita ao Santíssimo Sacramento : São Josemaria dizia: «Quando te aproximares do Sacrário, pensa que Ele! … faz vinte séculos que te espera» (Caminho, n. 537). Sim, no Sacrário Jesus «te» espera, «me espera». Está oferecendo um encontro pessoal, e aguardando que nós aceitemos seu convite. Entende a importância de – sempre que possível – fazer todos os dias uma visita ao Santíssimo Sacramento? É verdade que Deus está em toda a parte. Mas Jesus vivo e realíssimo, em corpo, sangue, alma e divindade está só no Santíssimo Sacramento. Sua presença deveria atrair-nos como um ímã. Como é bom entrar numa igreja, numa capela, numa hora calma, e ajoelhar-nos diante do Sacrário, e olhar para ele, certos de que nosso olhar está se encontrando com o olhar de Jesus, e o nosso coração está sendo atingido pelo calor de seu Coração! Veja o que diz sobre isso João Paulo II: «É bom demorar-se com Ele e, inclinado sobre o seu peito como o discípulo predilecto (cf. Jo 13, 25), deixar-se tocar pelo amor infinito do seu coração. Se actualmente o cristianismo se deve caracterizar sobretudo pela “arte da oração”, como não sentir de novo a necessidade de permanecer longamente, em diálogo espiritual, adoração silenciosa, atitude de amor, diante de Cristo presente no Santíssimo Sacramento? Quantas vezes, meus queridos irmãos e irmãs, fiz esta experiência, recebendo dela força, consolação, apoio!» E, citando Santo Afonso Maria de Ligório, acrescenta que «a devoção de adorar Jesus sacramentado é, depois dos sacramentos, a primeira de todas as devoções, a mais agradável a Deus e a mais útil para nós» (Ecclesia de Eucharistia, n. 25).
 
Como fazer essa visita? Com absoluta liberdade, como quiser:
 
1) Pode permanecer junto do Sacrário cinco minutos ou várias horas. No meio da azáfama do dia, podem bastar uns poucos minutos. Outras vezes, você sentirá a necessidade de ficar mais tempo. E, se participa de devoções tão recomendadas pelos Papas, como a vigília de adoração noturna (uma noite de adoração, em que as pessoas se revezam), as Quarenta Horas, ou apenas um dia ou umas horas de adoração permanente (prática frequente nas igrejas às quintas-feiras) – com o Santíssimo Sacramento exposto no ostensório -, então é lógico você ficar mais tempo, meia hora, uma horta, etc.
 
2) E o que vai dizer a Jesus? Deixe seu coração falar…, ou calar, e ficar olhando com amor (que é uma boa forma de adoração). São Josemaria aconselhava: «Não abandones a visita ao Santíssimo. – Depois da oração vocal que tenhas por costume, conta a Jesus, realmente presente no Sacrário, as preocupações do dia. – E terás luzes e ânimo para a tua vida de cristão» (Caminho, n. 554). Essa «oração vocal», de que fala, pode ser a que você preferir. Em muitos lugares é costume rezar o que tradicionalmente se chama «estação», e que consiste em rezar três conjuntos de Pai-nosso, Ave Maria e Gloria ao Pai, entremeados de uma invocação eucarística (por ex. «Graças e louvores sejam dados a todo momento ao Santíssimo e diviníssimo Sacramento»), e finalizados como uma comunhão espiritual. Depois…, o coração fala, com palavras ou sem palavras. Falam a fé, a esperança e o amor !

Marcelo Costa – Fonte: Nossa Senhora de Medjugorje 

 

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