Da gravidade dos pecados dos Padres !

Como salientou o Papa João Paulo II, na Carta Encíclica Dives in misericordia, ”a misericórdia manifesta-se com a sua fisionomia característica quando reavalia, promove e sabe tirar o bem de todas as formas de mal existentes no mundo e no homem”.

Diante dos graves pecados de alguns de seus pastores, toda a Igreja padece, e, ainda que a desproporcional campanha midiática não reflita uma justa correspondência à realidade, toda essa polêmica levantada nos urge, a nós sacerdotes, a tomarmos a sério nossa vocação, que imerecidamente recebemos. Eis aí um modo salutar de colaborarmos com a misericórdia divina, para que desses lamentáveis episódios, tire um imenso bem para a Santa Igreja.

A vocação sacerdotal exige de nós uma santidade de vida. Os fiéis têm o direito de encontrar a Cristo em seus sacerdotes, e, ai de nós se nos convertemos em “ladrões de ovelhas”, atando-as com os laços do pecado e da morte, como bem mencionou o Papa Bento XVI, na abertura do Ano Sacerdotal. Nesta ocasião o Santo Padre nos exortava: recorramos à Misericórdia divina, para que nos preserve do terrível risco de causar dano àqueles a quem devemos salvar.

Espero, profundamente, que todos estes ataques dos inimigos da Igreja nos façam mais rigorosos na seleção dos canditados ao Sacerdócio – não nos importam números altos, em detrimento da qualidade -, e que a nós sacerdotes, nos impulsione a querermos dar a glória que outros não querem dar a Deus… Eis aí um precioso bem que se pode tirar de tudo isso!

Sobretudo a meus irmãos sacerdotes, deixo para nossa meditação esta forte exortação de Santo Afonso Maria de Ligório, do seu livro A Selva:

< Ó padres, irmãos meus! Saibamos de futuro apreciar a nossa dignidade; e, ministros de Deus, envergonhemo-nos da escravidão do pecado e do demônio, como diz S. Pedro Damião: “Deve o padre ter sentimentos nobres e, como ministro do Senhor, corar de se fazer escravo do pecado”. Não imitemos a loucura dos mundanos que só pensam no presente. Está decretado que os homens morrem uma vez, e depois da morte segue-se o juízo.

Todos havemos de comparecer no tribunal de Jesus Cristo, para cada um receber o salário dos trabalhos desta vida. Ali nos será dito: Dá conta da tua administração. Dá-me conta do teu sacerdócio: como o exerceste? A que fim o fizeste servir? — Meu caro irmão, se tivesses de ser julgado neste momento, estarias contente? Ou antes, não dirias: Quando ele me interrogar, que lhe responderei?. Quando Deus quer castigar um povo, começa o castigo pelos padres, porque são eles a causa primária dos pecados do povo, quer pelos seus maus exemplos, quer pela sua negligência em cultivarem a vinha confiada aos seus cuidados. Por isso o Senhor diz então: Eis o tempo em que o juízo vai começar pela casa de Deus. No morticínio descrito por Ezequiel, quis Deus que os padres fossem as primeiras vítimas: Começai pelo meu santuário. E noutro lugar, lê-se: Um juízo rigorosíssimo está reservado para os que se acham à frente do povo. A quem recebeu muito, será exigido muito.

E, como o juízo dos padres é o mais rigoroso, também a sua condenação será mais terrível: Esmagai-os com uma violência extrema. Um concílio de Paris repete estas palavras de S. Jerônimo: “Grande é a ruína deles, se vierem a cair em pecado”. Sim, diz S. João Crisóstomo, se o padre cometer os mesmos pecados que as suas ovelhas, sofrerá, não a mesma pena, mas uma pena muito mais severa. Foi revelado a Sta. Brígida que os sacerdotes pecadores são mergulhados num inferno mais profundo que o dos demônios. Ó, que festa para os demônios, quando um padre réprobo descer ao meio deles! Todo o inferno se põe em movimento para ir ao encontro dele, como diz Isaías. Todos os príncipes dessa terra de misérias se levantarão para darem ao padre condenado o primeiro lugar nos tormentos: Todos, ajunta o profeta, te receberão com estas palavras: Então cá estás tu também, condenado como nós e tornado semelhante a nós. Ó padre, houve tempo em que mandaste sobre nós com império; fizeste descer muitas vezes o Verbo encarnado sobre os altares, arrancaste ao inferno muitas almas e agora eis-te semelhante a nós, desgraçado e atormentado como nós! Foi o teu orgulho que te fez desprezar a Deus e ao teu próximo, até por fim te precipitar aqui. Visto que és rei, fica-te bem a cama real e a púrpura conveniente à tua dignidade; pois bem, aí está o fogo, aí estão os vermes, que te hão de devorar eternamente o corpo e alma. Ó como então os demônios hão de mofar das missas, dos sacramentos e de todas as funções do sacerdote condenado!.

Ó sacerdotes, irmãos meus, tomai cuidado de vós; os demônios têm mais a peito tentar um padre que cem seculares, porque um padre que se condena arrasta com ele uma multidão para o abismo. Diz S. João Crisóstomo: Quem faz perecer o pastor, em breve faz dispersar todo o rebanho. E com não menos razão diz outro autor: Na guerra procuram os inimigos primeiro que tudo matar os chefes.

S. Jerônimo ajunta: Não procura tanto o demônio os infiéis, nem os que estão fora do santuário; é na Igreja de Jesus Cristo que gosta de fazer os seus latrocínios; estão ali, segundo Habacuc, as suas iguarias de predileção. Não há iguarias mais apetitosas para o demônio, que as almas dos eclesiásticos. (O que se segue pode servir para excitar a compunção no ato de contrição).

Sacerdote de Jesus Cristo, imagina que o Senhor te fala da maneira mais  tocante, como ao povo judeu: Dize-me que mal te fiz, ou antes que bem tenho deixado de te fazer? Tirei-te do meio do mundo, e escolhi-te entre tantos  seculares, para te fazer meu sacerdote, meu ministro, meu amigo. E tu, por um interesse miserável, por um vil prazer, de novo me pregaste na cruz!

Pela minha parte, todas as manhãs, no deserto desta vida, te tenho saciado com o maná celeste, isto é, com a minha carne divina e com o seu sangue. E tu tens-me esbofeteado, flagelado por tuas palavras e ações imodestas. Escolhi-te como um vinho que devia fazer as minhas delícias; por isso infundi na tua alma tantas luzes e graças, para que produzisses frutos doces e preciosos; e tu só me tens dado frutos amargos. Fiz-te rei, elevei-te mesmo acima de todos os reis da terra. E tu coroaste-me de espinhos, com os teus maus pensamentos consentidos.

Cheguei a fazer-te meu vigário, a entregar-te as chaves do Céu, a fazer-te um Deus da terra! E tudo desprezaste as minhas graças, a minha amizade; crucificaste-me de novo. >

Padre Demétrio Gomes da Silva – RJ

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