A grande mentira do nosso século: o diabo não existe !!!

 

 

 

PADRE GABRIELE  AMORTH

Um dos mais respeitados  Exorcista da Igreja Católica

 

Durante o período da chamada guerra fria, a tática utilizada pelos serviços secretos dos diversos países envolvidos, foi a de acima de tudo, passarem despercebidos. 

Tudo feito no maior segredo, todas as operações levadas a cabo debaixo do maior sigilo. Os agentes secretos, usando falsas identidades, passando por aquilo que não eram, simulando não existirem, puderam desenvolver as suas ações, muitas das quais ainda nem sequer tomamos conhecimento, mas de fato foram eficazes e minaram o terreno adversário de uma forma sub-reptícia. Se feitas às claras, rapidamente teriam sido descobertas. Da mesma forma, os responsáveis por estas operações secretas, sempre desmentiram qualquer envolvimento e afirmaram de que elas nem sequer alguma vez tenham ocorrido. 

Enfim, numa palavra, usaram a táctica de desaparecerem da comunicação social e dos noticiários, desaparecerem do conhecimento público, dos arquivos e dos relatórios, desapareceram dos olhos do público, transformaram-se em criaturas indetectáveis aos olhos daqueles que eram os seus adversários. Só os peritos e os acostumados a estas lidas sabiam da sua existência e os podiam detectar e identificar. 

Todas estas manhas foram utilizadas pelo demônio durante toda a história da humanidade e muito em especial neste século. Todas as artimanhas foram utilizadas, minando meticulosamente todo o campo a destruir. Destruiu sem deixar rastro, e ainda por cima jogou as culpas sobre os outros, muito em especial sobre Deus, que segundo ele, seria um Deus distante que abandonara a criação ao seu próprio destino, sem apelo e sem agravo. 

Onde o demônio jogou mais forte e com grande sucesso, foi em fazer crer aos homens de que não existia! De fato conseguiu fazer crer à humanidade quase inteira, de que não existe. Assim pôde trabalhar à vontade, sem ser detectado e destruir tudo o que era importante para derrotar as Forças do bem e levar à condenação o maior número de almas. 

Esta, de fato, foi a grande e a maior mentira do século: O diabo não existe!

 Para além desta mentira medonha, aterradora e perigosíssima, o diabo faz crer à humanidade de que tudo vai bem, dando a sensação de que os problemas que enfrentamos, sempre existiram e de que a ciência e a técnica tudo remediarão e solucionarão. 

Mas a guerra ainda não acabou, tal como ainda não acabou o século. E se este século foi e é de alguém, certamente o foi e é do vencedor, pelo menos até o momento. Então, este século nunca foi nem é o século do povo, mas sim, o século do diabo, pois ele até o presente momento é o grande vencedor! 

O diabo, durante este século venceu o povo de Deus. O povo de Deus está desbaratado, ainda com vida mas enfraquecido. Mas a Igreja de Cristo também está em maus lençóis, mas de maneira nenhuma vencida. A Igreja de Cristo não está nem nunca estará vencida. Jesus Cristo assim o prometeu na sua vida terrena.  

 

 A fumaça de Satanás na casa do Senhor.

 

Passaram-se 40 anos desde aquele 29 de Junho de 1972. Era a festa de São Pedro, príncipe dos apóstolos, aquele que trouxe o Evangelho de Cristo até o extremo Ocidente. E naquele 29 de Junho, festa dos santos protetores de Roma, o sucessor de Pedro que assumira nome de Paulo lançou um dramático alerta. Paulo VI falou do inimigo de Deus por antonomásia, daquele inimigo do homem que se chama Satanás. O inimigo da Igreja. “Através de algumas fissuras”, denunciou Paulo VI, “a fumaça de Satanás entrou na Igreja”. Um grito angustiado, que deixou muita gente surpresa e escandalizada, mesmo dentro do mundo católico. 

E hoje, aquela fumaça foi afastada, ou invadiu outros cômodos?

Fomos perguntar a uma pessoa que lida todos os dias com satanás e suas astúcias. Quase como profissão. É o exorcista mais famoso do mundo: Padre Gabriele Amorth, fundador e presidente ad honorem da Associação Internacional dos Exorcistas. Fomos falar também com ele porque algumas semanas atrás, dia 15 de Maio, foi aprovada pela Conferência Episcopal Italiana (CEI) a tradução italiana do novo Ritual dos Exorcismos. Para entrar em uso, espera somente o placet da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos.

 - Padre Amorth, finalmente está pronta a tradução italiana do novo Ritual para os Exorcistas. 

Pe. Amorth – Sim, está pronta. No ano passado a Conferência Episcopal Italiana recusou-se a aprová-la porque havia erros na tradução do latim. E nós, exorcistas, que temos de utilizá-la, aproveitamos para assinalar mais uma vez que não concordamos com muitos pontos do novo Ritual. O texto básico em latim, nesta tradução, continua inalterado. E um Ritual tão esperado, no fim, torna-se um blef. Uma “amarra” inacreditável, que pode impedir o nosso trabalho contra o demônio. 

- É uma acusação muito grave. A que o senhor se refere? 

- Dou apenas dois exemplos. Bem evidentes.

No ponto número 15, fala-se de malefícios e sobre a maneira de se comportar diante deles. O malefício é um mal causado a uma pessoa recorrendo ao diabo. E pode ser feito de várias formas, com trabalhos, maldições, maus olhados, vudu e macumba. O Ritual Romano explicava como enfrentá-lo. O Novo Ritual, por sua vez, afirma categoricamente que há proibição absoluta de fazer exorcismo nestes casos.

Absurdo. Os malefícios são na grande maioria das vezes a causa mais freqüente das possessões e dos males causados pelo demônio: nada menos de 90% das vezes. É como dizer aos exorcistas que não ajam mais. 

Já o ponto 16 afirma solenemente que não se deve fazer exorcismos se não se tem a certeza da presença diabólica. É uma obra-prima da incompetência: a certeza de que o demônio está presente em uma pessoa só pode ser obtida fazendo o exorcismo. E tem mais: os redatores não se deram conta de que contradiziam, em ambos os pontos, o Catecismo da Igreja Católica, que indica a realização do exorcismo tanto no caso das possessões diabólicas quanto no dos males causados pelo demônio. Da mesma forma como indica que deve ser feito tanto nas pessoas quanto nas coisas. E nas coisas nunca há a presença do demônio, há apenas a sua influência. As afirmações presentes no Novo Ritual são muito graves e prejudiciais, fruto de ignorância e inexperiência. 

- Mas não foi redigido por especialistas? 

Pe. Amorth – Não, absolutamente. Nestes dez anos, duas comissões trabalharam no texto do Ritual: a composta por cardeais, que organizou os Prenotanda, ou seja, as disposições iniciais, e a comissão que organizou as orações. E posso afirmar com certeza que nenhum dos membros das duas comissões jamais fez exorcismo nem assistiu a exorcismos, assim como não tem a menor idéia de como sejam os exorcismos. Esse é o erro, o pecado original, desse Ritual. Nenhum dos colaboradores que participaram era especialista em exorcismos. 

- E como isso é possível?

 Pe. Amorth – Não pergunte para mim. Durante o Concílio Ecumênico Vaticano II cada comissão tinha a colaboração de um grupo de especialistas que ajudavam os bispos. E este costume se manteve também depois do Concílio, todas as vezes que foram feitas alterações no Ritual. Mas não neste caso. E se há um assunto sobre o qual há a necessidade de especialistas, é esse. 

- E como foi neste caso?

 Pe. Amorth – Neste caso nós, exorcistas, não fomos jamais consultados. E as sugestões que fizemos também foram recebidas de má vontade pelas comissões. A história é paradoxal. Posso contá-la? 

- Claro. 

Pe. Amorth – À medida que, como solicitara o Concílio Vaticano II, as várias partes do Ritual Romano eram revistas, nós, exorcistas, esperávamos que fosse tratado também o título XII, isto é, o Ritual dos Exorcismos. Mas evidentemente não era considerado um assunto importante, já que passavam os anos e não acontecia nada.

Depois, inesperadamente, em 4 de Julho de 1990, saiu o Ritual ad interim, experimental. Para nós foi uma verdadeira surpresa, pois nunca tínhamos sido consultados antes. Embora tivéssemos já há muito tempo feito pedidos, em vista de uma revisão do Ritual. Entre outras coisas, solicitávamos: retoques nas orações, acrescentando invocações a Nossa Senhora que faltavam completamente, e um aumento das orações especificamente exorcistas. Mas fomos completamente excluídos da possibilidade de dar qualquer contribuição. 

Não nos desencorajamos: o texto era feito para nós. E dado que na carta de apresentação o então Perfeito da Congregação para o Culto Divino, cardeal Eduardo Martinez Somalo solicitava às conferências episcopais que enviassem, no prazo de dois anos, “conselhos, sugestões dadas pelos sacerdotes que utilizarão este texto”, começamos a trabalhar. 

Reuni dezoito exorcistas escolhidos entre os maiores especialistas do planeta. Examinamos o texto com muita atenção. Utilizamo-lo. Logo elogiamos a primeira parte, na qual estavam resumidos os fundamentos evangélicos do exorcismo. É o aspecto bíblico-teológico, no qual certamente não falta competência. Era uma parte nova, com relação ao Ritual de 1614, composta sob o papado de Paulo V: de resto, na época, não havia necessidade de lembrar destes princípios, que eram reconhecidos e aceitos por todo mundo. 

Hoje, ao contrário, é indispensável lembrá-los. Mas quando examinamos a parte prática, que requer o conhecimento específico do assunto, percebe-se claramente a total inexperiência dos redatores. As nossas observações foram eloqüentes, artigo por artigo, e enviamos a todos os interessados: a Congregação para o Culto Divino, a Congregação para a Doutrina da Fé, as Conferências Episcopais. Também foi entregue uma cópia diretamente nas mãos do Papa. 

- E essas observações, como foram acolhidas? 

Pe. Amorth – Péssima acolhida, nenhuma eficácia. Tínhamos nos inspirado na Lumen gentium, na qual a Igreja é descrita como um “Povo de Deus”. No número 28, fala-se da colaboração dos sacerdotes com os bispos, e no número 37 é dito com clareza, chegando até mesmo a referir-se aos leigos, que “segundo a ciência, a competência e o prestígio de que gozam, têm a faculdade, aliás, algumas vezes até mesmo o dever, de apresentar o seu parecer sobre coisas atinentes ao bem da Igreja”

Era exatamente o nosso caso. Mas tínhamos nos iludido, ingenuamente, de que as disposições do Vaticano II tivessem chegado às congregações romanas. Em vez disso, tínhamos nos visto diante de uma muralha de recusa e desprezo. O Secretário da Congregação para o Culto Divino fez um relatório à comissão cardinalícia no qual dizia que seus únicos interlocutores eram os bispos, e não os sacerdotes ou os exorcistas. E acrescentava textualmente, a propósito da nossa humilde tentativa de ajuda como especialistas que expressam seu parecer: “Tivemos de constatar o fenômeno de um grupo de exorcistas e chamados demonólogos, reunidos em uma Associação Internacional, que orquestravam uma campanha contra o rito”. Uma acusação indecente: nós jamais orquestramos nenhuma campanha! O Ritual era dirigido a nós, e nas comissões não tinham convocado nenhuma pessoa competente; era mais do que lógico que tentássemos dar a nossa contribuição. 

- Mas então quer dizer que para vocês o Novo Ritual não pode ser utilizado na luta contra o demônio?

 Pe. Amorth – Sim, queriam nos entregar uma espada sem fio. Foram canceladas as orações eficazes, orações com 12 séculos de história, e foram criadas novas, ineficazes. Mas, felizmente, foi-nos dada na última hora uma possibilidade de salvação. 

- Qual? 

Pe. Amoth – O novo Perfeito da Congregação para o Culto Divino, o cardeal Jorge Medina, acrescentou ao Ritual uma Notificação. Na qual se afirma que os exorcistas não são obrigados a usar esse Ritual, mas, se quiserem, podem utilizar ainda o antigo, com prévia solicitação ao bispo. Os bispos, por sua vez, devem pedir a autorização à Congregação, que, porém, como escreve o cardeal, “concede-a sem problemas”. 

- “Concede-a sem problemas”? É uma concessão bem estranha… 

Pe. Amorth – Quer saber de onde nasce? De uma tentativa feita pelo cardeal Joseph Ratzinger, Perfeito da Congregação para a Doutrina da Fé, e pelo próprio cardeal Medina, de introduzir no Ritual um artigo – na época o artigo 38 – em que autorizavam o exorcistas a usarem o Ritual precedente. Sem dúvida, tratava-se de uma manobra in extremis para que pudéssemos evitar os grandes erros que existem neste Ritual definitivo. Mas a tentativa dos dois cardeais foi reprovada. Então o cardeal Medina, que compreendera o que estava em jogo, decidiu dar-nos de algum modo uma possibilidade de salvação, acrescentando uma notificação à parte.

 - Como vocês, exorcistas, são considerados dentro da Igreja? 

Pe. Amorth – Somos tratados muito mal. Os irmãos sacerdotes encarregados desta delicadíssima tarefa são vistos como loucos, como exaltados. Geralmente são apenas tolerados pelos próprios bispos que os nomearam.

 - Que fato mais evidenciou essa hostilidade? 

Pe. Amorth - Quando fizemos uma convenção internacional de exorcistas nos arredores de Roma. Na ocasião pedimos para ser recebidos pelo Papa. Para poupar-lhe uma nova audiência, além das tantas que já tem, pedimos simplesmente que fôssemos recebidos na audiência pública das quartas-feiras, na Praça São Pedro. E sem a necessidade de sermos citados nas saudações. 

Fizemos o pedido regularmente, como recordará perfeitamente monsenhor Paolo de Nicoló, da Prefeitura da Casa Pontifícia, que recebeu nosso pedido de braços abertos. Porém, um dia antes da audiência o próprio monsenhor Nicoló nos disse – na verdade com muito embaraço, o que nos fez ver que a decisão não dependia dele – que não fôssemos à audiência, que não tínhamos sido admitidos. 

Inacreditável: 150 exorcistas provenientes dos cinco continentes, sacerdotes nomeados pelos seus bispos em conformidade com as normas do direito canônico, que requerem padres de oração, de ciência e de boa fama – portanto a nata do clero -, pedem para participar de uma audiência pública com o Papa e são postos para fora. Monsenhor Nicoló me disse: “Naturalmente, prometo-lhe que logo enviarei a carta com os motivos”. Passaram-se cinco anos e ainda espero por aquela carta. 

Certamente não foi João Paulo II quem nos excluiu. Mas que seja proibido a 150 sacerdotes de participarem a uma audiência pública com o Papa na Praça São Pedro explica o quanto os exorcistas da sua Igreja sofrem oposição, o quanto são malvistos por muitas autoridades eclesiásticas. 

- O senhor combate o demônio quotidianamente. Qual é o maior triunfo de Satanás?  

Pe. Amorth - Conseguir fazer acreditar que ele não existe. E quase conseguiu. Mesmo dentro da Igreja. Temos um clero e um episcopado que não acreditam mais no demônio, nos exorcismos, nos extraordinários males que o diabo pode causar, e nem mesmo no poder concedido por Jesus de expulsar os demônios.

 Há três séculos a Igreja latina – ao contrário da Igreja ortodoxa e de várias confissões protestantes – abandonou quase completamente o ministério exorcista. Não praticando mais exorcismos, não os estudando mais e nunca os tendo visto, o clero não crê mais. E não crê mais nem mesmo no diabo. Temos episcopados inteiros contrários ao exorcismo. Há nações completamente privadas de exorcistas, como a Alemanha, a Áustria, a Suíça, a Espanha e Portugal. Uma carência assustadora.

 - O senhor não citou a França. Lá a situação é diferente? 

Pe. Amorth – Há um livro escrito pelo exorcista mais conhecido da França, Isidoro Froc, com o titulo: Os exorcistas, quem são e o que fazem. Foi escrito a pedido da Conferência Episcopal Francesa. Em todo livro não é dito nem uma vez que os exorcistas, em certos casos, fazem exorcismos. E o autor já declarou várias vezes na televisão francesa que nunca fez exorcismos e nunca os fará. 

Dos quase cem exorcistas franceses, somente cinco acreditam no demônio e fazem exorcismos, todo os outros mandam os que apelam a eles aos psiquiatras. E os bispos são as primeiras vítimas desta situação da Igreja Católica, na qual está desaparecendo a crença na existência do demônio. Antes que saísse esse novo Ritual, o episcopado alemão escrevera uma carta ao cardeal Ratzinger na qual afirmava que não era necessário um novo Ritual, pois não se devem mais fazer exorcismos. 

- É tarefa dos bispos nomear os exorcistas?

 Pe. Amorth – Sim. Quando um sacerdote é nomeado bispo, encontra-se diante de um artigo do Código de Direito Canônico que lhe dá autoridade absoluta para nomear os exorcistas. A qualquer bispo, o mínimo que se deve pedir é que tenha assistido pelo menos uma vez a um exorcismo, já que deve tomar uma decisão tão importante. Infelizmente isso quase nunca acontece. Mas se um bispo encontra-se diante de um sério pedido de exorcismo – isto é, que não seja feito por um demente – e não o providencia, comete um pecado mortal. 

- O senhor está dizendo que a maior parte dos bispos católicos comete pecado mortal? 

Pe. Amorth – Quando eu era criança meu velho pároco me ensinava que os sacramentos são oito: o oitavo é a ignorância. E o oitavo sacramento salva mais do que os sete juntos. Para cometer pecado mortal é preciso uma matéria grave, mas também a plena advertência e o deliberado consenso. Esta omissão de ajuda por parte de muitos bispos é matéria grave. Mas esses bispos são ignorantes: portanto não há o deliberado consenso e a plena advertência. 

- Mas a fé continua intacta, isto é, continua a ser uma fé católica, se a pessoa não crê na existência de Satanás? 

Pe. Amorth – Não. Conto-lhe um episódio. Quando encontrei pela primeira vez o padre Pellegrino Ernetti, um célebre exorcista, que exerceu o seu ofício por 40 anos em Veneza, disse-lhe: “Se pudesse falar com o Papa, eu lhe diria que encontro muitos bispos que não acreditam no demônio”.

No dia seguinte, o padre Ernetti veio falar comigo e contou-me que naquela manhã tinha sido recebido por João Paulo II. “Santidade”, dissera-lhe, “há um exorcista aqui em Roma, padre Amorth, que se viesse falar com o senhor diria que há muitos bispos que não crêem no demônio”. O Papa respondeu-lhe claramente: “Quem não crê no demônio não crê no Evangelho”. Eis a resposta que ele deu e que eu repito. 

- Explique-me: a conseqüência é que muitos bispos e muitos padres não seriam católicos? 

Pe. AmorthDigamos que não crêem em uma verdade evangélica. Portanto, no mínimo, eu lhes diria que deixassem de propagar uma heresia. De qualquer modo, deixemos claro: uma pessoa pode ser formalmente herética se for acusada de alguma coisa e se persistir no erro. Mas ninguém, hoje, pela situação que existe na Igreja, acusaria um bispo de não acreditar no diabo, nas possessões do demônio, e que não nomeia exorcistas pois não acredita nisso. Mesmo assim eu poderia citar muitos nomes de bispos e cardeais que logo depois da sua nomeação para uma diocese tiraram de seus exorcistas a faculdade de exercer o ofício.

Ou então de bispos que afirmam abertamente: “Eu não acredito, são coisas do passado”. Por quê? Infelizmente houve muita influência de alguns biblistas, e eu poderia citar-lhe nomes ilustres. Nós que diariamente tocamos com nossas próprias mãos o mundo do além, sabemos que influenciou em muitas reformas litúrgicas. 

- Por exemplo? 

Pe. Amorth – O Concílio Vaticano II solicitara a revisão de alguns textos. Desobedecendo a essa ordem, decidiu-se refazê-los completamente. Sem pensar que se poderia piorar as coisas em vez de melhorá-las. E muitos ritos foram piorados por esta mania de querer jogar fora tudo o que havia no passado, e refazer tudo do início, como se a Igreja até hoje tivesse sempre nos enganado e só agora tivesse chegado o tempo dos grandes gênios, dos super-teólogos, dos super-biblistas, dos super-liturgistas que sabem dar à Igreja as coisas certas. É uma mentira: o último Concílio solicitara simplesmente a revisão daqueles textos, não a destruição. 

Mas também o rito do batismo das crianças foi piorado. Foi completamente alterado, chegando quase a se eliminar o exorcismo contra Satanás, que teve sempre enorme importância para a Igreja, tanto que era chamado de exorcismo menor. Contra este novo rito até Paulo VI protestou publicamente. Foi piorado o rito da nova bênção. Li minuciosamente todas as suas 1.200 páginas. 

Pois bem, foi meticulosamente eliminada toda a referência ao fato de que o Senhor nos deve proteger de Satanás, de que os anjos nos protegem dos assaltos do demônio. Tiraram também todas as orações que havia para a bênção das casas e das escolas. Tudo devia ser abençoado e protegido, mas hoje não se protege mais do demônio. Não existem mais defesas e nem mesmo orações contra ele. 

O próprio Jesus tinha nos ensinado uma oração de libertação no Pai Nosso: “Livrai-nos do Maligno. Livrai-nos da pessoa de Satanás”. Em italiano (e em português, n.d.t.) foi traduzida de modo errôneo, e agora reza-se dizendo: “Livrai-nos do mal”. Fala-se de um mal genérico, do qual, no fundo, não se sabe a origem; ao contrário, o mal que Nosso Senhor Jesus Cristo tinha-nos ensinado a combater é uma pessoa concreta: é Satanás. 

- O senhor tem um observatório privilegiado: acredita que o satanismo esteja se difundindo? 

Pe. Amorth – Sim, muito. Quando diminui a fé aumenta a superstição. Usando a linguagem bíblica, posso dizer que se abandona a Deus para se dedicar à idolatria; usando a linguagem moderna, abandona-se a Deus para se dedicar ao ocultismo.

A assustadora diminuição da fé em toda a Europa católica faz com que as pessoas se entreguem nas mãos de magos e cartomantes, enquanto prosperam as seitas satânicas. O culto do demônio é celebrado para as grandes massas com o rock satânico de personagens como Marilyn Manson, e até as crianças são soterradas de revistas em quadrinhos que ensinam magias e satanismo. 

As sessões espíritas nas quais se evocam mortos para obter respostas são muito populares. Hoje se ensina a fazer sessões espíritas pelo computador, pelo telefone, pela televisão, com o gravador, mas principalmente com a escritura automática. Nem se precisa mais do médium: é um espiritismo “faça você mesmo”.

Segundo as pesquisas, 37% dos estudantes participou pelo menos uma vez do jogo do “cartaz” ou do copo, que é uma verdadeira sessão espírita. Numa escola a que fui convidado para fazer uma conferência, os jovens disseram que faziam as sessões durante a aula de religião com a conivência do professor. 

- E funcionam? 

Pe. Amorth – Não existe distinção entre magia branca e magia negra. Quando a magia funciona, é sempre obra do demônio. Todas as formas de ocultismo, como este grande recurso às religiões do Oriente, com suas sugestões esotéricas, são portas abertas para o demônio. E o diabo entra. Logo. 

- Padre Amorth, o satanismo se difunde cada vez mais. O Novo Ritual praticamente impede os exorcismos. Os exorcistas são impedidos de participarem a uma audiência com o Papa na Praça São Pedro. Sinceramente, o que está acontecendo?

 Pe. AmorthA fumaça de Satanás entra por tudo. Por tudo! Talvez tenham nos excluído da audiência com o Papa porque tinham medo de que a presença de tantos exorcistas conseguisse expulsar as legiões de demônios que se instalaram no Vaticano. 

- O senhor está brincando, não é? 

Pe. Amorth – Pode parecer uma brincadeira, mas acredito que não seja. Não tenho a menor dúvida de que o demônio tenta principalmente as cúpulas da Igreja, assim como tenta todas as cúpulas, tanto as políticas quanto as industriais. 

- O senhor está dizendo que neste caso também, como em todas as guerras, Satanás quer conquistar a fortaleza do inimigo, e aprisionar os generais adversários? 

Pe. Amorth – É uma estratégia vencedora. Tenta-se sempre levá-la a cabo. Principalmente quando as defesas do adversário são frágeis. E Satanás também tenta. Mas graças aos céus existe o Espírito Santo que sustenta a Igreja: “As portas do inferno não prevalecerão”. Apesar das deserções. E apesar das traições. Que não devem admirar. O primeiro traidor foi um dos apóstolos mais próximos de Jesus: Judas Iscariotes. Mas apesar disso a Igreja continua no seu caminho. Mantem-se em pé com o sustento do Espírito Santo, e portanto todas as lutas de Satanás só podem ter resultados parciais. Claro, o demônio pode vencer batalhas. Mas nunca a guerra.

 > Escritos do Padre Gabrilele Amorth.

 (Entrevista ao Pe. Gabriele Amorth do dia 6 Junho de 2001. )

 

Para exempleficar bem estas palavras do Pe. Gabrieli Amorth, veja esta carta resposta dada por um Sacerdote, dizendo que o Diabo não existe para um do seus leitores

 

 Carta do padre católico respondendo a questão da existência do demonio:

“Prezado leitor irmão, ficamos felizes por estarmos ajudando-o com nossos boletins diários e agradecemos a sua pergunta.

Filho você coloca um questão intrincada sobre a existência ou não do nomeado diabo, satanás, lúcifer e outros nomes que a cultura religiosa foi atribuindo à figura do mal. Temos que deixar claro que figura dos demônios e outras coisas desde gênero são muito antigas do ser humano. Muito antes do filho de Deus passar pela terra muitas outras culturas já disseminavam esta idéia para diversos fins.

Você esta correto quando diz que o diabo não existe, já é tão difícil para nós padres fazer nossos irmãos acreditarem em Deus imagine se tivéssemos que faze-los acreditarem também no diabo.
Entretanto, você deve ter muito cuidado quando defende a tese contrária em face deste seu amigo. Se este seu amigo esta ajudando ao próximo, em principio, não há nenhum perigo, Jesus deixa muito claro que se alguém esta ajudando não interessa em nome de quem esta falando e sim à ajuda ao próximo. Não podemos negar a ajuda de um amigo só porque suas ideologias são diversas da nossa.

Os pensadores antigos da igreja dizem que o satanás existe mas entenda filho a razão: Para alguns a única forma da vida fazer sentido seria acreditando nesta figura mal, caso contrário eles não conseguiriam viver. Imagine dizer para ser humilde de poucas capacidades intelectuais que o diabo não existe, a pessoa poderia nunca mais acreditar na igreja e colocar tudo a se perder. Estas pessoas confundem o temor de Deus com o medo do diabo, concordo que a diferencia é muito tênue. Assim, somente por isso, em alguns casos, diz a igreja que o diabo existe. Eu particularmente não concordo, mas também sei que seria difícil atrair irmãos, principalmente as crianças e os velhos ao cristianismo sem esta alegação.

Veja só que absurdo filho até o Pai Nosso que se conserva na liturgia tem graves erros, que seria bom corrigir.

A primeira novidade desta oração é que Jesus nos convida a dirigir-nos a Deus como a um pai e que anunciamos aos quatro ventos esse nome novo de Deus (“proclame-se esse teu nome”). O texto da oração que rezamos diz “santificado seja teu nome”, expressão cujo significado é difícil de determinar. A esse Pai Deus pedimos que venha o seu reino, ou, o que é igual, que reine sobre nós e sobre a comunidade cristã na qual não devem reinar outros senhores. A tradução que rezamos diz “venha a nós teu reino”, expressão que deu lugar à imaginação de que um dia virá sobre nós o reino de Deus, como se se tratasse de uma realidade sobreposta ao nosso mundo. A oração que rezamos prossegue: “Nosso pão de cada dia dá-nos hoje”, separando-se também da tradução correta do texto grego que diz nosso pão da manhã dá-nos a cada dia, isto é, que o banquete anunciado para os tempos messiânicos pelos profetas se faça realidade na comunidade presente, que celebra a eucaristia.

Aqueles que comem juntos como irmãos e celebram a eucaristia devem demonstrá-lo no perdão fraterno, como garantia e prova do perdão que recebemos de Deus (perdoa-nos os nossos pecados, que também perdoamos a todos os nossos devedores). A tradução atual diz “perdoa-nos as nossas ofensas”, como se Deus pudesse ser ofendido com nosso comportamento. Finalmente pedimos a Deus para não cair em tentação, a tripla tentação que Jesus venceu desde o princípio de seu ministério: a de não agir sem atender ao plano de Deus (faça que essas pedras se transformem em pão), a da ambição de glória e de poder (Eu te darei toda essa autoridade e sua glória. se me renderes homenagem, será tudo teu) e a de não cair no providencialismo irresponsável (atira-te daqui abaixo, porque está escrito: “Dará ordens a teus anjos para que te protejam). Pena que a oração cristã por excelência está mal traduzida!
E há alguns ainda que interpretam esta tentação como se fosse o demônio, a tentação foi a de não agir conforme a determinação de Deus e não a favor de outro ser.

Portanto filho, você só deve verificar se este seu amigo tem alguma razão de acreditar nisso, tente extrair o que de bom ele tem para passar com isso, conforme sua descrição acredito que você vai encontrar. Entretanto, caso não encontre nada continue tentando plantar a raiz do amor no coração deste seu amigo que certamente ele vai esquecer esta bobagem de diabo e vai passar a acreditar somente em Jesus Cristo filho de Deus.

Fiquem com Deus.”

 

Pe. Gabriele Amorth: muitos Padres e Bispos não crêem na ação extraordinária do demônio.

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Famoso exorcista da Diocese de Roma alerta quanto ao avanèo do demônio.

 

O Revmo. Pe. Gabriele Amorth, da Pia Sociedade de São Paulo, muito apreciado na Itália por seus livros sobre Nossa Senhora e sua atividade jornalística – seu programa na Radio Maria peninsular conta com 1.700.000 ouvintes -, tornou-se mundialmente conhecido com o lançamento de sua obra Um exorcista conta-nos, em 1990. Tal obra alcançou notável êxito editorial na Itália, tendo sua tradução portuguesa obtido várias edições. A partir de então, a mídia internacional vem focalizando a atuação desse sacerdote, nomeado Presidente da Associação Internacional dos Exorcistas.

Solicitadíssimo por inúmeras pessoas necessitadas de amparo contra as insídias diabólicas, o Pe. Amorth exerce intenso e extenuante trabalho apostólico. Mesmo assim, marcou um horário para receber nosso enviado especial, Sr. Nestor Fonseca, a quem acolheu amavelmente, juntamente com o fotógrafo, Sr. Kenneth Drake, na Casa-Mãe da Pia Sociedade de São Paulo, na Cidade Eterna, no dia 26 de junho último. E durante aproximadamente duas horas foi respondendo, com a segurança de um zeloso e experimentado exorcista, às múltiplas e complexas questões que lhe foram sendo apresentadas. Abaixo transcrevemos partes da substanciosa entrevista.

1. Catolicismo - Todas as pessoas sofrem as insídias e as tentações diabólicas, acontecendo de uma mesma tentação voltar a se repetir muitas vezes. Podemos dizer que tal tentação torna-se um estado de perseguição do demônio?

Pe. Amorth – Devemos distinguir a ação ordinária da ação extraordinária do demônio. A ação ordinária é a de tentar-nos. Por conseguinte, todo o campo das tentações pertence à ação ordinária diabólica à qual todos somos sujeitos e o seremos até a morte. A tal ponto somos sujeitos a essas tentações, que Jesus Cristo, fazendo-se Homem, aceitou ser tentado por Satanás, não apenas nas três tentações do deserto, mas durante toda a sua vida, como também ocorreu com Maria Santíssima. Isto porque a tentação faz parte da condição humana. Esta é a ação ordinária do demônio, como dizia o Catecismo de São Pio X, “por ódio a Deus, [o demônio] tenta o homem ao mal”. Ou seja, por ódio a Deus, o demônio gostaria de arrastar-nos todos para o inferno.

A ação extraordinária, por sua vez, é uma ação rara. É aquela na qual o demônio causa distúrbios particulares. Portanto, não se trata de simples tentação. Distúrbios particulares que podem chegar à possessão diabólica.

2. Catolicismo – Que tipos de distúrbios podem ocorrer? V. Revma. poderia classificá-los e, ao mesmo tempo, dar as razões da existência de tais distúrbios?

Pe. Amorth – Não existem dois casos iguais. Já fiz mais de 40 mil exorcismos. Entendamo-nos. Não a 40 mil pessoas, pois em muitas delas eu fiz centenas e centenas de exorcismos. Pois livrar uma pessoa do demônio, geralmente, constitui um trabalho MUITO lento.

Como escrevi em meu livro Um exorcista conta-nos, fico bastante contente quando uma pessoa se livra do demônio, após quatro ou cinco anos de exorcismos, com a média de um exorcismo por semana. Conheèo pessoas que ficaram livres do demônio após 12 ou 14 anos de exorcismos seguidos. Portanto, muitos exorcismos feitos Ï mesma pessoa.

Uma pessoa pode levar vida normal com sofrimentos, de maneira que aqueles com os quais convive nem se dìem conta de que está possessa. Apenas quando sobrevìm os momentos de crise, ent o ela se comporta de uma maneira inteiramente anormal, n o podendo cumprir seus deveres de trabalho, de família, sem excessiva dificuldade. Em alguns casos, a pessoa pode ser assaltada pelo demônio, digamos, 24 horas ao dia. Em tal caso, a pessoa n o pode fazer nada. Mas s o casos raríssimos.

3. Catolicismo – Qual é a causa para que o demônio permaneça mais ou menos tempo na mesma pessoa?

Pe. Amorth – A expulsão do demônio depende de uma intervenção extraordinária de Deus. Ou seja, cada expulsão do demônio constitui um verdadeiro milagre. E Deus pode praticá-lo a qualquer momento. Nós, exorcistas, podemos prever, através de algo que nos oriente, quanto tempo ser-nos-á necessário para expulsar o demônio de uma pessoa. Por exemplo, uma criança. É mais fácil expulsar o diabo de uma criança que de um adulto. O mesmo passa-se em relação a uma pessoa que nos procura logo após ter sido possuída, uma vez que o demônio ainda não teve tempo de deitar raízes naquela pessoa. O primeiro exorcismo fala em “erradicar e expulsar o demônio”.

Ao contrário, torna-se muito mais difícil quando sou procurado por pessoas de 50, 60 anos, e ao fazer-lhes exorcismos falando com o demônio – pois eu falo diretamente com o demônio quando a pessoa está endemoninhada -, descubro que às vezes a pessoa era criança ou ainda se encontrava no próprio seio materno quando sofreu os primeiros ataques do Maligno.

4. Catolicismo – V. Revma., há pouco, referindo-se à expulsão do demônio de um possesso, disse que ela constitui sempre uma intervenção extraordinária de Deus…

Pe. Amorth – Certo. A libertação de uma pessoa da ação do demônio constitui sempre uma intervenção extraordinária de Deus. Aliás, tenho disso um exemplo, ocorrido na semana passada. Um caso muito difícil de possessão diabólica e eu tinha razões suficientes que levavam a prever muitos anos de exorcismos para se libertar aquela alma das garras do demônio.

Acontece que tal pessoa foi ao Santuário de Lourdes, na França, tomou banho na piscina, acompanhou a procissão do Santíssimo Sacramento, rezou muito. Resultado: um milagre! Voltou para casa completamente livre da possessão

5. Catolicismo - V. Revma. poderia dar uma explicação a nossos leitores, ainda que sucinta, da necessidade do exorcismo e dos exorcistas?

Pe. Amorth – O exorcismo é constituído de várias orações oficiais feitas em nome da Igreja, e Deus ouve essas orações. Com efeito, existem tantas razões para isso! O exorcismo depende muito das causas que determinaram a possessão diabólica, uma vez que estas exercem muita influência sobre o possesso. Dou-lhe um exemplo simples.

Se uma pessoa se consagrou a Satanás e fez o pacto de sangue com ele, é fácil entender que ela praticou um ato voluntário de doação de si mesma ao Maligno. Então, libertar tal pessoa torna-se muito mais difícil, faz-se necessário muito mais tempo do que o empregado para libertar um inocente, que foi vítima de um malefício causado por outra pessoa.

6. Catolicismo – Pelo que V. Revma. afirmou acima, o exorcismo não constitui o único modo de uma pessoa fazer cessar a possessão. Haveria outras? Porque com a atual dificuldade em encontrar exorcistas.

Pe. Amorth – Pode-se libertar da possessão com o exorcismo, que é uma oração oficial da Igreja, mas reservada aos exorcistas – pouquíssimos, quase inencontráveis. Outra forma, aberta a todos, são as orações de libertação. No final de meus livros eu acrescento orações de libertação que sugiro. As orações mais eficazes são as de louvor, glória a Deus. Assim nós também muitas vezes, nos próprios exorcismos, recitamos o Credo, o Glória, o Magnificat, Salmos, trechos da Bíblia, o Evangelho em que Jesus liberta os endemoninhados. Elas têm grande eficácia.

 

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7. Catolicismo – Os demônios têm nomes?

Pe. Amorth – Quando constringidos pelo exorcista a dizer seus nomes, costumam apresentá-los. Os que têm nomes bíblicos ou de tradição bíblica, são demônios fortes e é muito mais trabalhoso exorcizá-los. Continuamente dão nomes como Satanás, Asmodeu, Lilite, denominações igualmente importantes. O nome Lúcifer é de tradição bíblica e não um nome bíblico. Ou seja, nós o atribuímos à Bíblia, mas esta não cita Lúcifer. Encontramos freqüentemente um demônio de nome Zabulom. O nome Zabulom, encontramo-lo na Bíblia, mas nunca como demônio. Zabulom é uma das 12 tribos de Israel. Há um demônio, porém, que tomou posse desse nome e é um demônio fortíssimo.

Encontramos nas Sagradas Escrituras o demônio Asmodeu. Deparo-me muitíssimas vezes com ele, porque é o demônio que destrói os casamentos. Ele rompe os matrimônios ou os impede. É tremendo!

Uma pessoa possuída ou possessa, in genere, pode estar dominada por muitos demônios. Temos um exemplo no Evangelho, quando Nosso Senhor interroga os endemoninhados de Gerasara e pergunta: “Como te chamas?” E o demônio responde: “legião”, porque são muitos.

Lembro o caso de um demônio fortíssimo que possuía uma freira, uma possessão tremenda (às vezes, são vítimas que se oferecem pela conversão dos pecadores e sofrem esta espécie de possessão). Quando eu lhe perguntava o número, respondia-me: “Milhares!” “Milhares!” “Milhares!”

8. Catolicismo – A TV, de um modo geral, com programas incentivadores de práticas de magia e espiritismo, bem como desagregadores das tradições cristãs e da família, têm colaborado ponderavelmente para o incremento do satanismo? E o rock satânico, tem concorrido para a disseminação do poder do demônio?

Pe. Amorth – Quando foi inventada a televisão, o Padre Pio ficou furioso. E a quem lhe dizia que se tratava de uma magnífica invenção, ele respondia: “Verá que uso farão dela!” Com efeito, a TV é corrupção da juventude e igualmente dos velhos! Ouso acrescentar: é também a corrupção dos padres, dos sacerdotes e das freiras. Com os espetáculos contínuos de sexo, de horror, de violência… A Internet é ainda pior, a Internet é ainda pior, repito.

Certa vez, ao fazer um exorcismo, falando com o demônio, ele dizia: “A televisão, fui eu que a inventei!” Eu afirmava: “Não! Tu és um mentiroso! A televisão é uma grandíssima invenção do homem. Tu inventaste o mau uso dela, a fim de corromper as pessoas”

Todos sabemos que existe o nudismo. Todos sabemos que haverá [já houve, em Roma], dentro de alguns dias, uma manifestação de homossexuais! Uma demonstração do vício, o pecado que isso representa! Ali está, não há dúvida, a ação do demônio..

No caso acima, existe a atividade ordinária do demônio de tentar o homem, mas também a atividade extraordinária do demônio, que se serve da ocasião para possuir as pessoas que promovem essas coisas.

Quanto ao rock satânico, é tremendo. Pode conduzir à possessão diabólica porque ensina o culto a Satanás. E pouco a pouco, através do culto a Satanás, chega-se a ser possuído por ele. Satanás é esperto, introduz-se sem nunca fazer-se sentir. Pode-se começar com simples jogos de cartas, de tarôs, e, através dos jogos, saber se vai ganhar na loteria, adivinhar acontecimentos, doenças de amigos. E

9. Catolicismo - As doutrinas marxistas e sua aplicação concreta contribuem, de modo considerável, para a difusão do satanismo na sociedade contemporânea?

Pe. Amorth – Sim. Tenhamos presente que assim como o demônio pode possuir uma pessoa, pode igualmente possuir uma classe de pessoas, pode assumir o governo de uma nação.

Exemplifico. Estou convicto de que Hitler, Stalin, eram possuídos pelo demônio e que o nazismo – em massa – era possuído pelo Maligno. Auschwitz, Dachau: não podem ser explicadas as atrocidades cometidas nesses lugares sem se cogitar numa perfídia verdadeiramente diabólica. E não há nenhuma dúvida de que o demônio influiu muitíssimo no mundo cultural. O demônio quer distanciar o homem de Deus.

Por outro lado, tivemos pela primeira vez na História um fenômeno profetizado em Fátima – 1917, 13 de julho -, a aparição mais importante de Nossa Senhora em Fátima, aquela na qual encontram-se os segredos e em que Nossa Senhora fez ver o inferno. Nessa ocasião, entre outras coisas, profetizou: “Se não obedecerem minhas palavras, a Rússia espalhará seus erros pelo mundo”. Nunca aconteceu que o povo tivesse sido instruído para o ateísmo. Em Moscou, entretanto, existia uma Universidade do ateísmo, na qual se formavam os participantes do Partido e se ensinava como atuar para destruir a religião em uma nação religiosa. Jamais, no passado da humanidade, ensinou-se o ateísmo. Foi uma novidade de nosso século, devido ao comunismo que espalhou o ateísmo por todo o mundo.

10. Catolicismo – A falta de fé seria a principal e mais profunda causa do aumento do poder satânico no mundo atual?

Pe. Amorth – Sempre. É matemático. Examinando toda a história do Antigo Testamento, a história de Israel, quando esta abandona Deus, entrega-se à idolatria. É matemático, quando se abandona a Fé, entregamo-nos à superstição. Isto aplica-se, em nossos dias, a todos nós do mundo ocidental.

Tomem as velhas nações da Cristandade medieval. A católica Itália, a França, a Espanha, a Áustria, a Irlanda, que uma vez foram nações cujo catolicismo era forte. Agora o catolicismo tornou-se fraquíssimo. Na Itália, de 12 a 14 milhões de italianos freqüentam atualmente sessões de bruxaria e cartomantes. Há no país aproximadamente 65.000 bruxos e cartomantes, muito mais que o número de sacerdotes.

Existem também na Itália de 600 a 700 seitas satânicas. E 37% da juventude italiana participaram algumas vezes de sessões espíritas, acreditando ser um mero jogo…

Um movimento dirigido por um sacerdote ensina aos pais como falar com seus filhos falecidos… Isto é espiritismo puro. Em outros tempos o espiritismo exercia-se através de um médium em estado de transe, e o médium evocava a pessoa.

O espiritismo consiste em evocar um defunto para interrogá-lo e obter dele respostas. Agora não é mais necessária a presença do médium, pois pratica-se o espiritismo através do gravador, do televisor e da Internet… Os dois meios mais usados são gravadores e escritura automática. A página mais lida dos jornais é o horóscopo… e os quotidianos não são comprados pelos analfabetos. São os industriais, os políticos, que não tomam decisões sem antes ouvir um bruxo. Ou seja, sempre que diminui a Fé, aumenta a superstição.

Por exemplo, faz-se um referendum na Itália para a defesa da família, vence o divórcio; faz-se um referendum em defesa da vida, vence o aborto. E isto na católica Itália… Não nos espantemos, Satanás é poderoso. Nosso Senhor o chama por duas vezes “Príncipe deste Mundo”. São Paulo o chama “deus deste mundo”. São João diz: “Todo mundo jaz sob o poder do Maligno”. E quando o demônio tenta Nosso Senhor, leva-O ao alto do monte, fá-Lo ver os reinos da Terra, e diz: “São meus, e os dou a quem quero e se tu te ajoelhares diante de mim…” . Jesus não lhe responde: “Tu és um mentiroso, todos os reinos são de meu Pai. É Ele quem dá a quem quiser”. Não, não. A Escritura diz: “Tu ajoelhar-te-ás somente ante teu Deus”. Nosso Senhor não contradiz o demônio.

Hoje tantos ajoelham-se diante de Satanás para obter sucesso, prazer, riquezas – as três grandes paixões do homem! E o demônio oferece o sucesso, o prazer, a riqueza, mas sempre unidos a terríveis sofrimentos. Vemos o sucesso, vemos o dinheiro. Imaginamos que aquela pessoa é feliz. Não é verdade, pois o demônio só pode praticar o mal. Por conseguinte, as pessoas que se entregam ao demônio têm o inferno nesta vida e na outra. Aqui um inferno dourado, mascarado de sucesso, e depois… o fogo eterno!

11. Catolicismo – Qual a influência do chamado progressismo católico nessa decadência da virtude teologal da fé?

Pe. Amorth – Hoje, infelizmente, existem teólogos e exegetas que negam até mesmo os exorcismos de Nosso Senhor. No meu último livro – Exorcismos e Psiquiatras – dedico um capítulo aos exorcistas franceses; apenas cinco de um total de 105 crêem e fazem exorcismos, os outros… não crêem neles. Em um de seus congressos, convidaram para falar exegetas que negam os exorcismos de Nosso Senhor. Afirmam eles tratar-se de uma linguagem apenas cultural e que o Redentor adaptava-se à mentalidade da época, mas que, na verdade, aquelas pessoas eram apenas loucas e não possessas.

Essas prédicas de exegetas influíram nos espíritos dos Bispos, dos padres etc.

12. Catolicismo - Quais as razões que levam Bispos católicos a se desinteressarem inteiramente da temática demônio, abandonando assim os fiéis à ação preternatural, crescente nos dias atuais?

Pe. Amorth – Não há razão para se impressionar com minha resposta. No Evangelho, Nosso Senhor diz: “O demônio é fortíssimo”. Isto está muito claro. É fortíssimo e conseguiu, com sua habilidade, fazer-nos crer que [ele] não existe, coisa que mais lhe agrada. Porque pôde realizar isso nestes séculos – pois já faz três séculos que faltam exorcistas. E isso explica meu combate aos Bispos, aos padres que não crêem na ação do demônio. Eu os critico fortemente.

Julgo que 90% dos padres e dos Bispos não crêem na ação extraordinária do demônio. Talvez existam alguns! TALVEZ, TALVEZ. No Concílio Vaticano II, alguns Bispos já afirmavam que não existia!… Durante o Concílio, hein! Diante da Assembléia Conciliar! Repito: tenho por certo que 90% dos Bispos e sacerdotes não crêem na ação extraordinária do demônio.

Razão pela qual há três séculos, na Igreja latina, verifica-se uma escassez espantosa de exorcistas. Na Alemanha, nenhum! Na Áustria, nenhum! Na Suíça, nenhum! Na Espanha, nenhum! Em Portugal, nenhum! Quando eu digo “nenhum”, não estou afirmando que não existam um, dois, mas de tal maneira não são encontrados, que os considero como inexistentes.

Em uma cidade européia, importante centro de peregrinação, temos uma livraria Paulina. Quando lá estive, dei-me conta, através de um livreiro amigo, que dispunham de meu livro na livraria, mas escondido. “Os Bispos disseram-nos para tê-lo escondido, e não expô-lo! De não expô-lo!”

Por outro lado, há muitos Bispos que não nomearam exorcistas. Um Prelado famoso – o Cardeal Todini, que foi Arcebispo de Ravena -, numa transmissão televisiva jactou-se de nunca ter nomeado exorcistas! Esta, infelizmente, é a situação na qual nos encontramos.

13. Catolicismo – V. Revma. baseia-se em alguma escola espiritual, em algum Santo, para tomar uma posição tão louvável quanto destemida?

Pe. Amorth – Eu procuro seguir a linha iniciada por um santo espanhol, o Beato Francisco Palau, carmelitano, que já em 1870 veio a Roma falar sobre o exorcismo com o Papa Pio IX. Voltou depois a Roma durante as sessões do Concílio Vaticano I, para que se tratasse da necessidade de exorcistas. Com a interrupção daquele Concílio em razão da tomada de Roma, o assunto sequer foi levantado.

14. Catolicismo – Pe. Amorth, que conselho V. Revma. poderia dar-nos e a nossos caros leitores para nos precavermos contra eventuais malefícios (macumbas, por exemplo) que se queiram fazer para nos prejudicar?

Pe. Amorth – O conselho número um consiste em ter fé. Depois, viver na graça de Deus. Se se vive em estado de graça, está-se protegido, é mais difícil que a macumba nos atinja. Porém, se se é realmente atingido, é necessário recorrer-se aos exorcismos, a muitas orações, a muitos sacramentos e, com a graça de Deus, se é libertado. Mas pode ser que Deus permita que se continue no estado de possessão, para o bem espiritual da própria pessoa. Assim, São João Crisóstomo afirma que o demônio, malgrado ele próprio, é o grande santificador das almas…

 

Se fé da Igreja enfraquece, exorcismo perde eficácia

 

O Pe. François Dermin, presidente nacional do Grupo de Pesquisa e Informação Religiosa (GRIS, na sigla em italiano), prior do convento de São Domingos de Bolonha e professor de teologia moral, italiano com origens canadenses, é um dos professores do curso de exorcismo que será realizado esta semana no Ateneu Pontifício ‘Regina Apostolorum’, em Roma.

ZENIT: Hoje se conhece mais sobre o demônio do que se conhecia, por exemplo, na Idade Média?

Pe. François Dermin: Do ponto de vista teológico, não se sabe mais do que se sabia na época. Grandes doutores da Igreja, como São Tomás, São Boaventura e Santo Agostinho, e tantos outros santos, falaram do demônio de maneira profunda, também especulativa, filosófica e teológica.

No entanto, podemos saber mais sobre algumas doenças que no passado eram consideradas manifestações da ação diabólica, mas que são apenas doenças. Por exemplo, no passado, a epilepsia era relacionada a uma forma de possessão diabólica, quando, na verdade, é uma doença a ser curada.

ZENIT: O que distingue um caso de possessão, infestação ou manifestação diabólica de uma doença?

Pe. François Dermin: Esta é, a meu ver, uma das principais dificuldades do exorcista, pois ele deve discernir e esta é a parte central do ministério exorcístico. Porque algumas pessoas acreditam estar à mercê de uma ação do demônio, não necessariamente possuídas, mas perseguidas, humilhadas, obcecadas ou coisas assim.

Portanto, temos de perceber se são pessoas que sofrem alucinações ou algo do tipo. Nestes casos, é preciso falar com elas e, quando necessário, deve-se recorrer a médicos e psiquiatras. Por exemplo, quando eu era exorcista em minha diocese, minha equipe incluía dois padres e dois psiquiatras, a quem acudíamos em caso de dúvidas.

O discernimento nem é sempre imediato. Conversando com as pessoas ou sobre elas, você percebe se há algumas reações – não necessariamente espetacular, como no caso de possessão -, mas reações particulares, como uma sucessão de calor e frio, desmaios ou se a pessoa começa a arrotar ou fazer algo assim. O discernimento é feito também com a oração. Devemos recordar que o exorcismo é uma obra sobrenatural e que o personagem principal é Deus.

ZENIT: Jesus realizou exorcismos.

Pe. François Dermin: João Paulo II dizia que um dos principais ministérios de Jesus era o exorcismo. Não foi por acaso que ele realizou tantos, embora na Bíblia e nos Evangelhos nem sempre seja clara a distinção entre cura e libertação.

O exorcismo é frequentemente associado, quase exclusivamente, à possessão, mas muitas vezes o exorcista tem de lidar com pessoas que são vítimas de outras formas de perseguição diabólica: infestações de casas onde se ouvem barulhos, móveis que se mexem ou se quebram etc.

Há também casos de possessão em que as pessoas ouvem vozes dentro de si. Isso geralmente acontece quando se pratica o espiritismo. É claro que você tem que verificar se não são casos de esquizofrenia.

A libertação também ocorre através de uma jornada espiritual. A pessoa tem que mudar a sua vida, frequentar os sacramentos etc.

ZENIT: Um exorcismo é suficiente ou é um processo?

Pe. François Dermin: Aqui, estamos tocando um tema muito delicado. Tenho ouvido testemunhos de exorcistas de quarenta ou cinquenta anos atrás, que mostram que um só exorcismo era suficiente para libertar uma pessoa. Hoje pode durar meses e, às vezes, anos. E nós temos que refletir sobre por que isso acontece.

Alguns podem pensar que isso se deve a uma sociedade que se afastou de Deus, de certa forma, que apostatou.

Aqui, no entanto, dou uma opinião absolutamente pessoal: o exorcista não faz uma oração pessoal, mas ora em nome da Igreja. E se a fé se enfraquece no interior da Igreja, não excluo a possibilidade de que isso contribua para a redução da eficácia do exorcismo.

ZENIT: Qual é a relação entre as fórmulas do exorcismo e a fé?

Pe. François Dermin: As fórmulas sem a fé não valem nada. Mas não é somente a fé do exorcista, e sim a fé da Igreja. Aqui, quando eu digo “Igreja”, quero dizer a Igreja institucional que sempre acreditou e ensinou a realidade sobre o demônio e a possibilidade concreta de perseguição por parte dele. Falo, no entanto, dos homens de Igreja. Nem todos os padres – e até bispos – acreditam nessas coisas. Eu entendo que esta é uma questão muito delicada.

ZENIT: Não a Igreja gloriosa, mas a militante?

Pe. François Dermin: A Igreja aqui na terra pode ser tentada também com o secularismo. É o racionalismo. Existe o risco de enfraquecer a fé sobre a existência do demônio.

ZENIT: O Sacerdote que exerce o ministério do exorcismo tem de adquirir experiência?

Pe. François Dermin: Nunca se termina de aprender e a experiência enriquece sempre, é fundamental. O problema hoje é que os exorcistas se tornam exorcistas sem um professor para ensiná-los. Pela minha parte, eu tive pouca experiência prática e, em certo sentido, tive de lidar com isso, cometendo inclusive alguns erros. A experiência é adquirida gradualmente. O ideal seria ter professores neste campo.

Nem sempre encontramos uma explicação para tudo; no entanto, devemos acreditar que Deus está presente, que age, que estamos do lado do vencedor e que o demônio quer incomodar o homem, afastá-lo de Deus ou até mesmo destruí-lo. E que Deus dá à Igreja os meios para combater vitoriosamente o demônio.

Fonte: Zenit Org.

 

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